Faesc vê risco em suspensão de antidumping sobre leite em pó
Entidade afirma que suspensão de tarifas mantém produtores vulneráveis a práticas desleais de comércio.
Resumo da matéria
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina manifestou preocupação com a decisão do Gecex/Camex de suspender a aplicação imediata de medidas antidumping sobre leite em pó da Argentina e do Uruguai.
Faesc manifesta preocupação com suspensão de medidas antidumping sobre leite em pó importado
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina manifestou preocupação com a suspensão da aplicação imediata de medidas antidumping sobre importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai.
A decisão foi tomada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, o Gecex/Camex. Para a Faesc, a iniciativa causa apreensão ao setor produtivo catarinense, já que Santa Catarina está entre os maiores estados produtores de leite do Brasil.
A entidade afirma que o próprio Governo Federal reconheceu a existência de práticas desleais de comércio nas importações desses países. Mesmo com a comprovação do dumping e a recomendação técnica para aplicação das tarifas, a decisão foi suspensa por preocupações relacionadas a possíveis impactos econômicos.
Segundo a Faesc, o setor produtivo continua vulnerável às práticas desleais de comércio demonstradas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil ao longo da investigação.
O mecanismo usado para suspender as tarifas foi a abertura de uma avaliação de interesse público. Essa análise permite que o governo avalie possíveis impactos da medida sobre a economia e as relações diplomáticas no âmbito do Mercosul.
O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, afirmou que Santa Catarina tem uma das cadeias leiteiras mais importantes do País, com milhares de famílias rurais dependentes da atividade.
Pedrozo declarou que a concorrência com produtos importados a preços artificialmente reduzidos compromete a renda dos produtores, desestimula investimentos e ameaça a sustentabilidade da produção.
A Faesc reforçou apoio às iniciativas conduzidas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil em defesa da cadeia produtiva do leite e defendeu condições justas de concorrência para os produtores brasileiros.
A entidade também afirmou que seguirá trabalhando para que a produção nacional receba proteção diante das práticas desleais de comércio apontadas.
A CNA também lamentou a decisão e destacou que a correção dessas práticas desleais não deverá provocar efeitos negativos para a economia brasileira.
Segundo a confederação, o leite em pó tem participação reduzida no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, representando apenas 0,2% na média dos últimos cinco anos.
A CNA afirma ainda que os principais produtos lácteos consumidos pela população, como leite longa vida, queijos e derivados, não seriam afetados pela aplicação das medidas de defesa comercial.
Os produtores brasileiros de leite têm enfrentado concorrência com preços artificialmente baixos nos últimos anos. As importações bateram novo recorde em 2026, e Argentina e Uruguai foram responsáveis por 90% dos 604 milhões de litros de leite equivalentes, a preços carregados de distorções de até 60%.