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BNDES bloqueou R$ 7,9 mi em crédito rural em PE por desmatamento ilegal

Balanço divulgado no Dia do Meio Ambiente aponta 74 alertas ativos em Pernambuco entre fevereiro de 2023 e abril de 2026; no país, valor bloqueado chegou a R$ 1,1 bilhão

Equipe Corrivus
Publicado em 05/06/2026, às 17h26

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Resumo da matéria

O BNDES rejeitou R$ 7,9 milhões em pedidos de crédito rural de proprietários de terras em Pernambuco com indícios de desmatamento ilegal entre fevereiro de 2023 e abril de 2026. Foram 74 alertas ativos no estado, representando 4,7% das solicitações e 2,6% do volume de crédito pedido no período. Em todo o Brasil, o valor bloqueado somou R$ 1,1 bilhão, com 5.592 alertas ativos em cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural. O Nordeste foi a região com maior taxa de alertas proporcionais, com 3% das mais de 13,6 mil solicitações com alertas ativos de indícios de desmatamento.

BNDES bloqueou R$ 7,9 mi em crédito rural em PE por desmatamento ilegal

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Produtores rurais de Pernambuco com alertas de desmatamento ilegal nas propriedades tiveram R$ 7,9 milhões em pedidos de financiamento barrados pelo BNDES nos últimos três anos. O número, divulgado pelo banco no Dia do Meio Ambiente, corresponde a 2,6% do volume total de crédito rural solicitado ao BNDES no estado entre fevereiro de 2023 e abril de 2026. Em número de ocorrências, foram 74 alertas ativos, equivalentes a 4,7% das solicitações feitas no período.

No cenário nacional, o impacto é ainda maior. Desde o início do monitoramento, em fevereiro de 2023, o banco identificou 5.592 alertas ativos de indícios de desmatamento ilegal em todo o país — cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural recebidas. O volume total de financiamentos negados chegou a R$ 1,1 bilhão, o que representa aproximadamente R$ 1 milhão por dia em crédito não contratado a produtores com irregularidades ambientais.

O monitoramento é feito em parceria com o MapBiomas. A regra geral do BNDES veda financiamentos em propriedades com indícios de desmatamento ilegal, e as exigências do banco são mais rígidas do que as do Manual de Crédito Rural do Banco Central. Enquanto o BC proíbe crédito apenas quando o embargo ambiental incide sobre a propriedade beneficiada, o BNDES bloqueia operações se o produtor tiver embargos ativos do Ibama em qualquer propriedade, independentemente de qual seria financiada, salvo quando há medidas efetivas de regularização em andamento.

Para contratar crédito rural com o BNDES, o imóvel não pode ter desmatamento sem Autorização para Supressão de Vegetação (ASV), Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) aprovado pelo órgão ambiental competente, Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou outro documento que comprove a regularidade ambiental da área.

Por regiões, o Norte e o Nordeste registraram os maiores percentuais de volume bloqueado em relação ao total solicitado: 1,7% dos R$ 6,2 bilhões pedidos no Norte e 1,7% dos R$ 7,8 bilhões no Nordeste. O Nordeste também liderou em taxa de alertas proporcionais, com 3% das mais de 13,6 mil solicitações da região. No outro extremo, o Sudeste teve os menores índices: 0,5% do volume de R$ 23 bilhões bloqueado e alertas em 0,4% das 75,1 mil solicitações.

No Centro-Oeste, foram bloqueados 0,7% dos R$ 29,7 bilhões solicitados, com alertas em cerca de 1% das 33,1 mil solicitações. A região Sul registrou bloqueio de 0,8% dos R$ 73,2 bilhões pedidos e alertas em 1% das 419 mil solicitações. Entre os estados, o Rio Grande do Norte teve o maior percentual de alertas em relação ao número de solicitações: 5,1% em 117 pedidos. O Amazonas registrou o maior percentual de volume bloqueado: 5,4% dos quase R$ 29,4 milhões solicitados.

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, afirmou que o banco apoia o agronegócio sustentável, mas não financia quem desmata. Segundo ele, tecnologia e governança permitem atuar com agilidade na análise de crédito e enfrentar as mudanças climáticas. Os empréstimos do BNDES a produtores rurais estão disponíveis por meio de uma rede de mais de 80 instituições financeiras credenciadas, com cobertura em mais de 90% do território nacional.

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