Saúde

Trocar redes sociais por livros ajuda a reduzir estresse e ansiedade

Professora de Psicologia da UNIASSELVI explica como o excesso de estímulos digitais afeta o cérebro e orienta como criar o hábito da leitura na rotina

Equipe Corrivus
Publicado em 31/05/2026, às 22h00

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Resumo da matéria

Pesquisa de 2025 da Bain & Company indica que brasileiros passam, em média, 9 horas diárias na internet. Professora de Psicologia da UNIASSELVI explica como a superexposição a estímulos digitais reduz a tolerância à frustração e prejudica o cérebro, e defende a leitura como recurso terapêutico e cognitivo capaz de reduzir cortisol e ansiedade.

Ler algumas páginas por dia pode parecer pouco, mas a professora Gabriela Inthurn, do curso de Psicologia da UNIASSELVI, garante que a constância vale mais do que longas maratonas de leitura. A orientação faz parte de um conjunto de estratégias voltadas a proteger a saúde mental diante do consumo excessivo de plataformas digitais — fenômeno que ela descreve como uma urgência crescente.

O mecanismo é simples de entender: vídeos curtos, rolagem infinita de feed e notificações constantes exploram a liberação de dopamina de forma intensa e repetida. Com o tempo, o cérebro se habitua a recompensas imediatas e passa a ter dificuldade com atividades que exigem espera ou esforço, como estudo, trabalho e exercício físico. 'O que pode ser considerado potencialmente ruim é o hábito de consumo de recompensas rápidas que podem criar uma preferência por esse tipo de atividade, em vez de outras como estudo, trabalho e atividade física', alerta Inthurn.

A isso se somam a sobrecarga de informações simultâneas, a imprevisibilidade das interações virtuais e as comparações sociais constantes — fatores que, juntos, favorecem o adoecimento mental. É o oposto do que acontece quando se lê um livro. A leitura mobiliza o córtex visual, o córtex temporal e o córtex parietal, além de exigir atenção sustentada e acionar continuamente a memória de curto prazo. Transportar a mente para outra narrativa cria um distanciamento dos problemas cotidianos capaz de reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aliviar a ansiedade.

Esse conjunto de efeitos é o que justifica a chamada 'dieta de dopamina': a substituição intencional do tempo de tela pela leitura. Para tornar isso viável na prática, Inthurn propõe três ajustes simples na rotina.

O primeiro é deixar o livro sempre acessível — na cabeceira, na mochila ou sobre a mesa de trabalho. A escolha do título também importa: começar por temas de interesse pessoal ou por histórias que permitam desligar momentaneamente da fonte de estresse torna a adesão mais fácil.

O segundo ajuste é abrir mão da ideia de que é preciso ler por muito tempo de uma vez. 'A frequência é muito mais efetiva do que a intensidade. Ler algumas páginas todos os dias traz mais benefícios cognitivos do que tentar ler por várias horas seguidas uma vez ao mês. Não existe um tempo mínimo ideal; o que importa é a constância', explica a professora.

O terceiro passo é transformar a leitura em ritual. Associar o momento a algo prazeroso da rotina — como uma xícara de café ou chá — ajuda a consolidar o hábito e reforça o caráter de pausa e descompressão da atividade.

Quanto ao horário ideal, Inthurn descarta qualquer regra fixa. 'Não existe um melhor horário para ler, isso depende da rotina da pessoa. É preciso tomar cuidado para que a leitura não atrapalhe a rotina do sono, que seja realizada em um horário em que a pessoa tenha as condições necessárias para ler — silêncio e iluminação —, e evitar momentos em que a pessoa está muito cansada', conclui.

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