Economia

Sindicatos elaboraram manifesto contra medidas do governo federal em congresso em SC

Reunidos no 41º CNSE, representantes de sindicatos de 19 estados e do Distrito Federal rejeitaram a escala 6x1 sem prazo de adaptação, a NR-1, o congelamento do Simples e a extinção do imposto das blusinhas

Equipe Corrivus
Publicado em 31/05/2026, às 22h32

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Resumo da matéria

O 41º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais (CNSE), realizado no Parque Vila Germânica, em Blumenau, reuniu mais de 800 lideranças de 19 estados e do Distrito Federal para elaborar um manifesto contra medidas do governo federal. Entre os pontos criticados estão a redução da jornada 6x1 sem prazo de adaptação, a aplicação da NR-1 com novos custos, o congelamento dos limites do Simples Nacional desde 2017, a extinção do imposto sobre compras internacionais de até US$50 e a omissão diante das apostas online. O setor representado move 56% do PIB nacional, envolve 7 milhões de empresas e gera 43 milhões de empregos.

Sindicatos elaboraram manifesto contra medidas do governo federal em congresso em SC

Lideranças empresariais reunidas no 41º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais em Blumenau elaboraram manifesto contra medidas do governo federal que afetam micro e pequenas empresas Crédito: Divulgação

Cinco medidas do governo federal concentraram as críticas: a redução da jornada 6x1 sem prazo de adaptação, a aplicação da NR-1 com novos custos sem contrapartida, o congelamento dos limites do Simples Nacional desde 2017, a extinção do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor e a omissão diante das apostas online. O manifesto foi assinado por sindicatos empresariais do comércio de bens, serviços e turismo de todas as regiões do Brasil, entre eles o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Bens e Serviços do Recife (Sindilojas Recife) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Recife).

Sobre a jornada 6x1, o documento não rejeita a melhoria das condições de trabalho, mas critica a ausência de prazo para adaptação. Os signatários defendem um período mínimo de quatro anos e alertam que impor a mudança sem escutar quem emprega transfere inteiramente o custo para a micro e pequena empresa, com risco de demissões.

A NR-1, que passa a exigir gerenciamento de riscos psicossociais, é apontada como mais um custo sobre empresas que já operam no limite, sem departamento jurídico ou RH estruturado e sem qualquer contrapartida de simplificação. O congelamento dos limites do Simples Nacional desde 2017 também é contestado: a argumentação é que milhares de micro e pequenas empresas foram empurradas para faixas tributárias mais pesadas pela inflação, sem que sua capacidade real de pagamento tenha crescido.

A extinção do imposto sobre compras internacionais recebe as críticas mais detalhadas. Por meio da MP nº 1.357/2026, o governo federal estabeleceu isenção total de Imposto de Importação para compras online de até US$50 dentro do Programa Remessa Conforme e reduziu a alíquota de 60% para 30% em compras entre US$50 e US$3.000. O manifesto lembra que a taxa arrecadou R$5 bilhões em 2025 e, segundo estimativa da CNI, preservou 135 mil postos de trabalho. A perda total estimada com a extinção chegaria a R$42 bilhões anuais. Plataformas internacionais faturaram R$40 bilhões no Brasil entre 2023 e 2025. O documento cita ainda que EUA, México, Índia, Turquia, Indonésia e a União Europeia — que em junho de 2026 passou a cobrar imposto sobre produtos de até 150 euros — seguiram o caminho da tributação, enquanto o Brasil recua.

Encerrando o manifesto, as apostas online são descritas como um dreno de R$25 bilhões por ano que deixam de circular no comércio, nos serviços e nas pequenas empresas, sem regulação efetiva por parte do governo federal.

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