Saúde

Mulheres acima dos 40 lideram alterações na tireoide

Levantamento da FIDI aponta 179.152 exames com alterações entre 2021 e 2025, com 85% dos casos em pacientes do sexo feminino

Equipe Corrivus
Publicado em 27/05/2026, às 10h49

Compartilhar:
Resumo da matéria

A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem identificou 179.152 exames com alterações na tireoide entre 2021 e 2025. Os dados apontam que cerca de 85% dos achados ocorreram em pacientes do sexo feminino, com maior concentração entre 40 e 65 anos.

Mulheres acima dos 40 lideram alterações na tireoide

Levantamento aponta maior concentração de alterações na tireoide em mulheres acima dos 40 anos Crédito: Divulgação

Mulheres acima dos 40 anos concentram a maior parte das alterações na tireoide identificadas em exames de diagnóstico por imagem analisados pela Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem, a FIDI.

Entre 2021 e 2025, a instituição registrou 179.152 exames com alterações na glândula. Desse total, cerca de 85% ocorreram em pacientes do sexo feminino, proporção equivalente a aproximadamente seis mulheres para cada homem diagnosticado com problemas na tireoide no Brasil.

A maior concentração de diagnósticos aparece entre 40 e 65 anos. O levantamento também aponta aumento progressivo do volume de exames conforme a idade avança, com ápice próximo aos 60 anos.

O alerta ganha destaque no contexto do Dia Internacional da Tireoide, celebrado em 25 de maio. Sintomas como cansaço excessivo, sonolência, ganho ou perda de peso, queda de cabelo, palpitações e alterações intestinais podem ser confundidos com rotina intensa, estresse ou fases naturais da vida, mas também podem indicar alterações na glândula.

A tireoide fica na região anterior do pescoço e produz hormônios essenciais para o funcionamento do organismo. Entre as disfunções hormonais, o hipotireoidismo primário é apontado como a condição mais comum na prática clínica, geralmente associado a processos autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto.

Harley De Nicola, médico radiologista, ultrassonografista e especialista em tireoide da FIDI, afirma que o hipotireoidismo é mais comum por predisposição biológica. Segundo ele, quando ocorre alteração, a glândula tende a perder função com mais facilidade do que produzir hormônios em excesso.

Os nódulos tireoidianos são frequentes, mas nem toda alteração representa câncer ou condição preocupante. Estima-se que nódulos na tireoide possam estar presentes em cerca de 50% da população, enquanto apenas uma pequena parcela apresenta malignidade.

A tireoide também exige atenção pela incidência de câncer. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil deve registrar 16.450 novos casos de câncer de tireoide em 2026.

Entre os novos casos estimados pelo INCA para 2026, 13.310 são em mulheres e 3.140 em homens. O dado mantém a doença entre os cânceres mais incidentes no público feminino no país.

O sistema hormonal feminino pode dificultar a percepção dos sintomas, já que alterações da tireoide podem ser confundidas com manifestações da menopausa. Além disso, doenças autoimunes são mais frequentes em mulheres porque o sistema imunológico tende a ser mais ativo e reativo que o masculino.

Segundo Harley De Nicola, mulheres também apresentam maior propensão genética a problemas de tireoide. Ele afirma que a ampliação dos diagnósticos ocorre principalmente pelo uso de ultrassom, que permite identificar tumores pequenos e de baixo risco que antes provavelmente não seriam descobertos.

Na prática clínica, a ultrassonografia tem papel importante na triagem e no acompanhamento de alterações tireoidianas. O levantamento da FIDI registrou aumento na detecção de nódulos suspeitos classificados pela escala TI-RADS, de 5 mil casos em 2021 para 13 mil em 2025.

Para o especialista, esse crescimento reflete o refinamento dos critérios de análise por imagem e a maior capacidade de identificar lesões com potencial de malignidade.

Quando há sintomas, a orientação é observar sinais como rouquidão crônica, presença de nódulo duro e aumento de gânglios no pescoço, principalmente em pessoas com história familiar ou histórico de irradiação na região do pescoço.

Harley De Nicola ressalta que nem todo nódulo tireoidiano é câncer. Segundo ele, nódulos estão presentes em cerca de 50% da população e, desse total, aproximadamente 5% são malignos.

O Dia Internacional da Tireoide reforça a importância de investigar sintomas persistentes e combater mitos que podem atrasar o diagnóstico ou gerar medo desnecessário. A identificação correta de alterações suspeitas é considerada essencial para orientar a conduta médica e garantir cuidado adequado.

Compartilhar: