Apadrinhamento político supera outros problemas da gestão pública, diz levantamento do CRA-SP
Levantamento do CRA-SP com 569 profissionais aponta falta de qualificação técnica em cargos estratégicos como principal efeito negativo da polarização política
Resumo da matéria
Um levantamento do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) com 569 profissionais, realizado entre janeiro e fevereiro deste ano, aponta que 49,9% consideram o apadrinhamento político o maior impacto negativo da polarização na administração pública. O estudo também identificou que excesso de normas conflitantes (53,4%), tecnologias obsoletas (43,6%) e rigidez na gestão de pessoas estão entre as maiores burocracias ineficientes do setor. Planejamento estratégico, governança e gestão de projetos foram apontados como as frentes em que o administrador pode gerar mais impacto imediato.
Crédito: Ilustração
O apadrinhamento político em cargos estratégicos é o maior impacto negativo da polarização na gestão pública, segundo 49,9% dos 569 profissionais de administração ouvidos pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) entre janeiro e fevereiro deste ano. O problema supera outros apontados no levantamento, como a ineficiência na alocação de recursos por afinidade política (16,9%) e a desinformação e crise de confiança (10,2%).
O cenário ganha contornos ainda mais críticos diante de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS): a duração mediana nesses postos é de 25 meses, e cerca de 30% dos nomeados não completam o primeiro ano. Esse quadro, segundo o IPEA, tem grande potencial para prejudicar o planejamento e a continuidade de políticas públicas — problema identificado por 24,1% dos profissionais no levantamento do CRA-SP como um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico e social.
Para o gerente de Relacionamento do CRA-SP, Adm. Daniel Sguerra, os resultados refletem uma demanda urgente por profissionalização. 'A adoção de práticas modernas de gestão contribui para dar continuidade às políticas públicas e assegurar que as transições administrativas ocorram de forma mais fluida, sempre em benefício da sociedade. E é exatamente aí que entra o profissional de Administração', afirma.
O levantamento também identificou as maiores burocracias ineficientes do setor público: excesso de normas conflitantes (53,4%), tecnologias obsoletas (43,6%) e rigidez nos modelos de gestão de pessoas e planos de carreira. Quanto às frentes em que o administrador pode gerar mais impacto imediato, os respondentes citaram planejamento estratégico e orçamentário (25,3%), governança, compliance e transparência (22,7%) e gestão de projetos (19,9%).
'Os dados mostram que as frentes de maior impacto apontadas pelos profissionais são vistas como oportunidades concretas de aprimoramento na administração pública. São justamente campos em que o administrador pode agregar metodologia, visão sistêmica e capacidade de execução', reforça Sguerra.