El Niño eleva risco de dengue no Sul e Sudeste do Brasil
Temperaturas altas e chuvas intensas criam ambiente favorável para o mosquito Aedes aegypti
Resumo da matéria
A influência do El Niño mantém especialistas e autoridades de saúde em alerta para o aumento do risco de dengue, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. O fenômeno provoca elevação de temperatura e chuvas, criando condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti. Infectologista explica sintomas, grupos de risco e medidas de prevenção.
A infectologista Tassiana Galvão, da Santa Casa de São Roque, unidade gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Prefeitura de São Roque, explica que o aumento dos casos está diretamente ligado às condições climáticas. O excesso de chuvas amplia a quantidade de focos de reprodução do mosquito, enquanto as temperaturas elevadas aceleram seu desenvolvimento, resultando em maior circulação do vírus.
Existem quatro sorotipos da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Os sintomas iniciais costumam ser semelhantes entre eles, mas a gravidade varia, principalmente em pessoas que já tiveram a doença por outro sorotipo. Nesses casos, aumenta a chance de complicações como sangramentos, queda de pressão e dor abdominal persistente.
Distinguir a dengue de outras viroses comuns, como gripe ou Covid-19, nem sempre é simples. A doença costuma provocar febre alta, dores intensas no corpo, dor de cabeça e mal-estar intenso. Já infecções respiratórias tendem a vir acompanhadas de tosse, coriza e dor de garganta. A orientação é buscar avaliação médica, já que o diagnóstico precoce influencia a evolução do quadro.
Alguns sinais exigem atenção imediata: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência excessiva ou queda de pressão. Esses sintomas indicam risco de agravamento e demandam avaliação rápida. Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas ou imunossuprimidas apresentam maior risco de complicações.
A médica alerta contra a automedicação. Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos. A hidratação adequada é fundamental durante o quadro, ajudando na recuperação e na redução de complicações.
Mesmo após a melhora inicial, o acompanhamento médico segue sendo importante, já que casos aparentemente leves podem evoluir de forma inesperada. Avanços nos testes rápidos têm facilitado o diagnóstico nos primeiros dias da infecção, permitindo intervenções mais precoces.
A prevenção continua sendo a principal estratégia contra a dengue. Eliminar água parada em recipientes domésticos, manter caixas-d'água bem vedadas e observar ralos, bandejas e vasos de plantas são medidas simples que reduzem significativamente o risco de transmissão.
O CEJAM é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos fundada em 1991. A Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.