Saúde

Meningite bacteriana pode causar perda auditiva e exige atendimento imediato

Otorrinolaringologista do HOPE, Kátia Virgínia recomenda exames auditivos urgentes após a melhora da infecção, mesmo sem sintomas.

Equipe Corrivus
Publicado em 23/10/2026, às 14h19

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Resumo da matéria

O paciente com suspeita clínica de meningite bacteriana deve começar o tratamento com antibióticos assim que surge a suspeita, antes mesmo dos resultados dos exames. De evolução rápida e potencialmente fatal, a doença pode deixar sequelas. Cerca de 5% a 30% das pessoas que tiveram meningite bacteriana desenvolvem algum grau de perda auditiva. Após se curar da infecção, o paciente deve realizar exames auditivos.

Meningite bacteriana pode causar perda auditiva e exige atendimento imediato

Cerca de 5% a 30% das pessoas que tiveram meningite bacteriana desenvolvem algum grau de perda auditiva. Crédito: Divulgação

A meningite bacteriana é uma emergência médica e o tratamento com antibióticos deve começar assim que surge a suspeita clínica, antes mesmo do resultado dos exames. Grave e potencialmente fatal, a doença pode evoluir em poucas horas após os primeiros sinais, enquanto os exames podem demorar 24 horas ou mais.

Além do risco à vida, a infecção pode deixar sequelas neurológicas importantes, incluindo perda auditiva permanente em um ou nos dois ouvidos, explica a Dra. Kátia Virgínia, otorrinolaringologista do HOPE. Segundo o consenso epidemiológico e científico internacional, cerca de 5% a 30% das pessoas que tiveram meningite bacteriana desenvolvem algum grau de perda auditiva.

Os principais sintomas são febre alta repentina, forte dor de cabeça e rigidez na nuca, com dificuldade para encostar o queixo no peito. Também podem ocorrer náuseas e vômitos, inclusive em jato, confusão mental, sonolência e sensibilidade à luz, chamada de fotofobia. A pessoa com sintomas deve buscar imediatamente atendimento médico de urgência e iniciar o tratamento.

Na meningite bacteriana, as bactérias provocam inflamação aguda e intensa nas meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. A bactéria pode atingir estruturas do ouvido interno próximas dessas membranas, chegar à cóclea — cavidade responsável por captar o som — e lesionar as células sensoriais.

De acordo com a otorrinolaringologista Kátia Virgínia, a perda auditiva é uma complicação importante da meningite bacteriana e pode ocorrer com maior frequência nos casos de meningite pneumocócica.

A otorrinolaringologista explica que os sinais da perda auditiva podem ser percebidos apenas depois da fase aguda da doença. Por isso, ao melhorar da infecção, o paciente deve realizar exames auditivos urgentes, mesmo sem apresentar sintomas. Segundo a médica, essa avaliação precisa ocorrer antes da calcificação completa da cóclea, que inviabiliza o implante e a recuperação da audição.

A transmissão da meningite bacteriana ocorre principalmente pelo contato com gotículas respiratórias e secreções da garganta ou do nariz da pessoa infectada, ao falar, espirrar, tossir ou beijar. Algumas pessoas assintomáticas carregam a bactéria sem adoecer e podem transmiti-la a outras pessoas. O consumo de alimentos contaminados também pode provocar a infecção, embora seja uma via menos comum.

Quem teve contato com alguém diagnosticado com meningite bacteriana deve procurar um posto de saúde para avaliar a necessidade de uso de antibiótico preventivo.

A meningite é uma doença endêmica no Brasil, com circulação contínua e constante entre a população.

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