Megamural “Chila, Relê, Domilindró” é inaugurado no Recife nesta sexta-feira (23)
Criada por Arem, obra de 25 metros de altura homenageia os 60 anos de nascimento de Chico Science e marca os 35 anos dos primeiros passos do Manguebeat.
Resumo da matéria
O megamural “Chila, Relê, Domilindró”, criado pelo artista recifense Arem, foi inaugurado na sexta-feira (23), no Bairro do Recife, em homenagem aos 60 anos de nascimento de Chico Science. Com 25 metros de altura, a obra também marca os 35 anos dos primeiros passos do Manguebeat. Inspirado em fotografia de Fred Jordão, o painel integra o Edital de Megamurais – Recife Cidade da Música.
Criado por Arem, o megamural “Chila, Relê, Domilindró” tem 25 metros de altura e homenageia Chico Science. Crédito: Marlon Diego/Prefeitura do Recife
O megamural “Chila, Relê, Domilindró”, criado pelo artista visual recifense Arem, foi inaugurado nesta sexta-feira (23), no Bairro do Recife, em homenagem aos 60 anos de nascimento de Chico Science. Com 25 metros de altura e ocupando cerca de oito andares, a obra fica na esquina da Rua da Guia com a Avenida Barbosa Lima, ao lado do Motto by Hilton. A homenagem também marca os 35 anos dos primeiros passos do Manguebeat.
Inspirado em uma fotografia de Fred Jordão, o painel reúne referências ao universo artístico de Chico Science. Arem utiliza cores vibrantes e formas geométricas para apresentar uma leitura contemporânea do legado do músico e do Manguebeat. André Nomes, Charles 2D, Joana Darck e Yone Ceres colaboraram na obra, que teve produção executiva de Carol Pires.
Segundo Arem, o título foi extraído das palavras usadas por Chico na música “Cidadão do Mundo”, com a Nação Zumbi. O artista explicou que dividiu a arte em fauna, flora e tecnologia e relacionou o mural à recorrência da consciência de classe nas letras do músico. Para ele, a pintura é um lembrete de 25 metros sobre consciência de classe no Recife Antigo. Arem também se considera uma ponte entre a homenagem que realiza como artista e fã e a representação de milhares de pernambucanos.
A obra integra o Edital de Megamurais – Recife Cidade da Música, promovido pela Prefeitura do Recife por meio do Gabinete de Inovação Urbana (GIURB), com apoio de Tintas Iquine, Palácio Locação de Máquinas e Grupo Pernambuco.
O prefeito do Recife, Victor Marques, participou da inauguração. A cerimônia contou ainda com Louise França, filha de Chico Science; Dengue, Toca Ogan e Maestro Mateus, integrantes da Nação Zumbi; e Cannibal e Roger, artistas ligados ao Manguebeat.
Victor Marques afirmou que este é o 13º megamural feito pela prefeitura e declarou satisfação pessoal em participar da homenagem a um artista que projetou o Recife internacionalmente. O prefeito considerou a obra uma homenagem justa a Chico Science, que completaria 60 anos, e aos 30 anos do álbum “Afrociberdelia”, além de destacar o simbolismo do local, no coração do Recife.
O chefe do GIURB, Ed Ruas, elogiou o trabalho de Arem e dos demais artistas e avaliou que o megamural reforça a conexão entre arte, Manguebeat e Recife, além de marcar a história de Chico Science. Segundo ele, parte das novas gerações ainda não conhece o músico, e sua exposição a céu aberto estimula a curiosidade sobre suas músicas, as causas que defendia e sua representação da cidade e da cultura.
O Manguebeat aproximou as alfaias do maracatu do rock, do hip hop e da música eletrônica. Com o lançamento de “Afrociberdelia”, em 1996, Chico Science & Nação Zumbi levou o som do Recife a palcos da Europa e dos Estados Unidos. O legado do músico e do movimento permanece na música, na arte urbana e na identidade cultural da cidade.
Quem visita o megamural também pode fazer o roteiro de turismo criativo “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”. Idealizado por Manu Rodrigues e criado pela Secretaria de Turismo e Lazer do Recife, o percurso integra o Olha! Recife e convida moradores e visitantes a conhecer lugares ligados à música, ao patrimônio histórico, à cultura popular e à memória afro do Centro. O roteiro parte da Praça do Arsenal e pode ser feito por esse público sem agendamento prévio.
O percurso passa pela Rua da Moeda, onde fica a estátua de Chico Science, assinada por Demétrio Albuquerque, e onde funcionava o antigo bar Pina de Copacabana. Também contempla o Marco Zero, associado à trajetória do percussionista Naná Vasconcelos, e o Cais da Alfândega, ligado à paisagem do manguezal urbano e à escultura do Caranguejo Gigante.
Completam o roteiro o Pátio de São Pedro, que abriga o Memorial Chico Science, e o Mercado de São José, referência para a tradição dos instrumentos percussivos do maracatu.