Soltura de mosquitos com Wolbachia alcançará 47 bairros de Londrina
Seis equipes já atuam em campo; mais de um milhão de mosquitos devem ser distribuídos por semana em diferentes regiões do município.
Resumo da matéria
Seis equipes da Vigilância Ambiental já realizam solturas de mosquitos com Wolbachia em Londrina. A segunda etapa alcançará 47 bairros, com visitas semanais a 3.890 pontos durante aproximadamente seis meses. A previsão é distribuir mais de um milhão de mosquitos por semana. Financiada pelo Ministério da Saúde e coordenada pela Fiocruz, a iniciativa busca reduzir a circulação do vírus da dengue e de outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
Seis equipes da Vigilância Ambiental de Londrina já atuam na soltura de mosquitos com Wolbachia, de terça a sexta-feira. Crédito: Rakelly Calliari/Prefeitura de Londrina
Seis equipes da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina já atuam na soltura de mosquitos com a bactéria Wolbachia, de terça a sexta-feira. Nesta segunda etapa do projeto, a previsão é distribuir mais de um milhão de mosquitos por semana em diferentes regiões do município, com alcance de 47 bairros.
Durante aproximadamente seis meses, os profissionais visitarão semanalmente 3.890 pontos predeterminados para liberar os chamados wolbitos. Segundo o gerente da Vigilância Ambiental em Londrina, Nino Ribas, a nova etapa deve ampliar a cobertura para praticamente 100% da área urbana.
A iniciativa tem financiamento do Ministério da Saúde e coordenação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os mosquitos são desenvolvidos em um Núcleo de Produção gerido pela Prefeitura de Londrina, que atende à demanda do município e à realização do projeto na vizinha Cambé.
O método Wolbachia tem como objetivo reduzir a circulação do vírus da dengue e de outras doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti. O cruzamento dos mosquitos com Wolbachia com os insetos existentes no meio urbano gerará novos mosquitos com capacidade de transmissão de doenças gradualmente reduzida.
De acordo com Ribas, os bairros atendidos na primeira etapa ainda apresentam 85% de circulação de mosquitos protegidos com a bactéria. O gerente explicou que a tecnologia complementa o monitoramento de armadilhas instaladas em toda a cidade, as visitas domiciliares e a fiscalização em pontos estratégicos.
No Jardim Tokio, na zona oeste, a primeira soltura ocorreu na manhã desta terça-feira (27). Moradores celebraram a chegada dos mosquitos do método Wolbachia e prometeram manter os cuidados domésticos.
O agente de endemias Rodolfo Ramos, que integra as ações de soltura, relatou que o trabalho começou sem intercorrências e que os agentes repetirão as rotas predeterminadas durante os seis meses do projeto. Segundo ele, a equipe esteve na zona sul na sexta-feira anterior e atuava na zona oeste naquela terça-feira. Seu colega Ediones Queiroz conduz o veículo da dupla.
Ramos avaliou que o método acrescenta uma ferramenta ao combate à dengue, à zika e à chikungunya e afirmou que os agentes esperam bons resultados com a extensão do projeto em Londrina. Ele ressaltou, porém, que a população também precisa colaborar, evitando água parada, verificando o quintal pelo menos uma vez por semana e reforçando os cuidados com objetos que acumulam água de chuva, como lonas, pneus e materiais acumulados.
As amigas Anézia Francisca Cruz e Maria Rosângela da Silva Gabriel relataram que as agentes da Secretaria Municipal de Saúde visitam constantemente o bairro e disseram que manterão o capricho e a atenção aos quintais. Anézia, cuja filha já teve dengue duas vezes, contou que troca a água dos gatinhos, lava tudo com água sanitária, não deixa água parada no quintal e retira e descarta plásticos.
Maria Rosângela afirmou que ela e o marido, Carlos Gabriel, cuidam do espaço doméstico e, embora mantenham muitas plantas, não deixam água parada. Carlos parabenizou as agentes de saúde da região pelas visitas às casas e pelas orientações sobre como impedir a reprodução dos mosquitos.
Na avaliação de Carlos, a tecnologia ajudará muito. Ele manifestou a expectativa de que, mais adiante, não haja mosquito da dengue para picar os moradores e levar muitas pessoas às UPAs.