Torção testicular pode afetar fertilidade mesmo com testículo preservado por cirurgia
Hospital Pequeno Príncipe alerta para atendimento imediato em casos de dor testicular aguda. Cirurgia nas primeiras seis horas pode preservar o órgão em até 98% dos casos
Resumo da matéria
O Hospital Pequeno Príncipe alerta que a torção testicular é uma emergência urológica e exige atendimento médico imediato. Mais frequente na adolescência, o quadro interrompe a circulação sanguínea e pode levar à perda do testículo. A chance de preservar o órgão pode chegar a 98% com cirurgia nas primeiras seis horas após o início do quadro. Mesmo com a preservação, pode haver comprometimento da fertilidade futura.
Hospital Pequeno Príncipe orienta buscar atendimento imediato diante de dor testicular aguda, especialmente em adolescentes. Crédito: Marieli Prestes/Hospital Pequeno Príncipe
A dor súbita no testículo exige atendimento médico imediato, especialmente na adolescência. O alerta do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR), é para a torção testicular, emergência urológica que interrompe a circulação sanguínea no órgão e pode levar à sua perda. A chance de preservá-lo com cirurgia pode chegar a 98% nas primeiras seis horas após o início do quadro.
O intervalo entre o começo da dor e a intervenção é determinante: quando chega a 24 horas, a chance de salvar o testículo cai para menos de 60%. Depois de 24 a 48 horas, a possibilidade de preservação é praticamente nula.
Karin Schultz, cirurgiã pediátrica urológica do Hospital Pequeno Príncipe, orienta que a família não espere até o dia seguinte nem recorra à automedicação. Segundo ela, é necessário buscar atendimento o mais rápido possível, porque cada hora influencia a possibilidade de salvar o testículo.
A torção ocorre quando o testículo gira em torno do cordão espermático, estrutura que o conecta ao corpo e contém os vasos sanguíneos. A interrupção prolongada do fluxo pode provocar isquemia irreversível e perda do órgão. O quadro também pode causar infecção local.
A médica explica que se trata de uma emergência vascular: quanto maior o tempo sem a chegada adequada de sangue, maior o risco de perda do testículo. A falta de irrigação, acrescenta Karin, faz o órgão sofrer e pode causar necrose.
Com incidência estimada de um caso para cada quatro mil homens, a torção testicular é mais frequente na adolescência, especialmente entre os 12 e 18 anos, com pico entre os 13 e 14 anos. Em casos raros, também pode ocorrer no período neonatal.
Aproximadamente 99% dos casos começam com dor súbita, geralmente intensa. O menino costuma conseguir identificar o momento exato em que ela surgiu, mesmo que estivesse parado ou realizando uma atividade cotidiana. Outros sinais possíveis são inchaço e vermelhidão na região, sensibilidade ao toque, mudança na posição do testículo, náuseas e vômitos.
O diagnóstico é feito por avaliação médica e exame físico. Quando há dúvida, pode ser solicitada uma ultrassonografia com doppler para verificar a presença de fluxo sanguíneo no testículo. O tratamento é cirúrgico e busca desfazer a torção e restabelecer a circulação, na tentativa de preservar o órgão.
Mesmo quando o testículo é preservado, a fertilidade futura pode ser comprometida. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), jovens submetidos à cirurgia que conseguem manter o órgão podem apresentar alterações no espermograma e dificuldades reprodutivas no futuro.
A atenção à saúde sexual e reprodutiva desde a infância é o objetivo do Novembrinho Azul. Instituído pela Lei n.º 14.694/2023, o movimento ampliou as campanhas de conscientização sobre saúde masculina para meninos de até 15 anos.
Com sede em Curitiba, o Hospital Pequeno Príncipe é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, e referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade. Apresentado como o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil, oferece há mais de cem anos assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país.
A instituição atua em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais, e dispõe de 369 leitos, dos quais 76 são de UTI. Os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) representam 76% do total. Em 2025, o hospital realizou 258 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil procedimentos cirúrgicos e 308 transplantes. A instituição realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea.
Em 2026, o Pequeno Príncipe foi listado entre os 63 melhores hospitais do mundo que atuam com pediatria no ranking da revista norte-americana Newsweek. Pelo sexto ano consecutivo, a classificação o colocou como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. O Ministério da Saúde também o reconhece como Hospital de Excelência, certificação concedida a instituições que cumprem critérios técnicos rigorosos na assistência.
Reconhecido como hospital de ensino desde a década de 1970, o Pequeno Príncipe já formou mais de dois mil especialistas em diferentes áreas da pediatria. O hospital, as Faculdades Pequeno Príncipe e o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe compõem o Complexo Pequeno Príncipe, que integra assistência, ensino e pesquisa conforme o conceito Children’s Hospital, adotado por grandes centros pediátricos do mundo.
Desde 2019, o Pequeno Príncipe participa do Pacto Global e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas.