Agro

Produtor de Videira reduz uso de defensivos na produção de uvas

Família investe desde 2020 em manejo com menos produtos químicos, cobertura dos parreirais e práticas voltadas à produção sustentável.

Equipe Corrivus
Publicado em 10/09/2026, às 17h58

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Resumo da matéria

O produtor Edir Rigo, da Casa Rigotti, em Videira (SC), trabalha para reduzir o uso de defensivos agrícolas sem perder produtividade e qualidade. A família investiu em coberturas para os parreirais, irrigação e implantação do pomar com apoio da Epagri e financiamentos. No último ano, amostras da produção foram analisadas e o resultado superou as expectativas e a legislação. Na última safra, mais de cinco toneladas de uva foram perdidas, destinadas à produção de graspa. A propriedade é aberta à visitação durante a safra, permitindo que os visitantes conheçam o processo e colham uvas. A meta para a próxima safra é aprimorar ainda mais o manejo.

Produtor de Videira reduz uso de defensivos na produção de uvas

Casa Rigotti adota práticas voltadas à redução de defensivos e ao cultivo sustentável de uvas em Videira. Crédito: Divulgação/Cresol

Em Videira, no meio-oeste catarinense, o produtor Edir Rigo trabalha na Casa Rigotti ao lado da esposa e da filha. A propriedade abriu as portas para visitação durante a safra, permitindo que os visitantes conheçam as parreiras, acompanhem o processo de produção e tenham contato direto com a uva. Nos parreirais, é possível colher e consumir a fruta diretamente da planta. Após o passeio, os visitantes recebem uma cesta e seguem até os parreirais. O roteiro inclui ainda uma visita à cachoeira que faz parte da propriedade e aos trilhos do trem, localizados aos fundos, onde está uma cruz que marca um episódio conhecido como o assalto ao trem pagador.

A família busca garantir segurança e qualidade da fruta ao consumidor. Em 2020, investiu na redução de defensivos agrícolas na produção de uvas. Uma das estratégias adotadas foi a cobertura dos parreirais, que protege das condições climáticas e contribui para reduzir a necessidade de determinados tratamentos. O objetivo é encontrar formas de cultivo utilizando cada vez menos produtos químicos, sem abrir mão da produtividade e da qualidade. Para a próxima safra, a meta é aprimorar ainda mais o manejo.

No último ano, a família encaminhou amostras da produção para análise de resíduos químicos. O resultado superou as expectativas e o exigido pela legislação. Edir Rigo ressalta que a escolha de produção envolve aceitar perdas. Na última safra, perdeu mais de cinco toneladas da fruta, destinadas à produção de graspa, bebida feita à base do bagaço da uva. O produtor afirma que prefere perder essa uva do que colocar em risco quem está comprando.

O modelo de produção se conecta aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, relacionados à agricultura sustentável, saúde e bem-estar, água e saneamento, consumo responsável e ação climática. A família utiliza água de fonte e possui uma atenção especial com as nascentes. O sistema de tratamento de esgoto doméstico foi pensado para evitar impactos.

Os projetos de irrigação, implantação do pomar e duas estruturas de cobertura dos parreirais foram financiados pela família, e os projetos foram elaborados com apoio da Epagri. Alguns recursos contaram com subsídio do Estado. Edir Rigo destaca que, sem os financiamentos, não conseguiriam fazer tudo o que fizeram, pois não tinham o dinheiro. O produtor afirma que sustentabilidade é trabalhar com o que se tem, e isso norteia os investimentos realizados ao longo dos anos. Ele explica que buscam tecnologias e formas de manejo capazes de aumentar a segurança da produção sem transformar a propriedade em um projeto de grandes estruturas e altos custos.

Para Edir, o intuito é que quem compra uma uva da Casa Rigotti saiba não apenas onde ela foi produzida, mas também que existe uma família por trás daquele alimento, preocupada com a saúde do consumidor, com o meio ambiente e com a continuidade da própria atividade rural. Ele ressalta que a gente não vende uva, a gente vende segurança alimentar. O diferencial, segundo o produtor, está na combinação entre sabor, origem conhecida, manejo responsável e a possibilidade de o consumidor conhecer pessoalmente o processo. A família quer construir confiança, mais do que buscar um selo ou uma certificação, e já percebe mudanças na forma como o consumidor enxerga a produção da Casa Rigotti.

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