Saúde

Quedas em idosos: maioria acontece dentro de casa e pode ser evitada

Geriatra da Clínica Florence Recife alerta sobre riscos no quarto e no banheiro e orienta sobre adaptações do ambiente, revisão de medicamentos e reabilitação.

Equipe Corrivus
Publicado em 21/07/2026, às 16h44

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Resumo da matéria

Quartos e banheiros concentram a maioria das quedas entre idosos, segundo Rafael Alex Sobrinho, geriatra da Clínica Florence Recife. O especialista explica que a sarcopenia, a falta de adaptação da residência e o uso de certos medicamentos aumentam o risco de acidentes. Dados do Ministério da Saúde indicam que quedas representam 62% das lesões não fatais em pessoas com mais de 60 anos, e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia estima que 40% dos idosos com 80 anos ou mais sofrem quedas todos os anos.

Quedas em idosos: maioria acontece dentro de casa e pode ser evitada

Prevenção de quedas em idosos: adaptações do ambiente e cuidados dentro de casa Crédito: Magnific

A maioria das quedas entre idosos não acontece nas ruas ou calçadas — acontece dentro de casa, principalmente no quarto, no banheiro e no trajeto entre esses dois ambientes. O alerta é do geriatra Rafael Alex Sobrinho, da Clínica Florence Recife, que explica por que o ambiente doméstico concentra tantos acidentes e o que famílias e pacientes podem fazer para reduzi-los.

Segundo o Ministério da Saúde, quedas representam 62% das lesões não fatais em pessoas com mais de 60 anos. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia estima que 40% dos idosos com 80 anos ou mais sofrem quedas todos os anos.

O especialista explica que muitos idosos passam por um processo de fragilidade e instabilidade postural que os mantém mais restritos ao domicílio. 'Quando saem de casa, normalmente estão acompanhados. Já dentro de casa, onde passam a maior parte do tempo e têm menos vigilância, é onde acontecem a maioria das quedas', afirma.

Sarcopenia e perda de equilíbrio

Um dos principais fatores que favorecem as quedas é a sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular. 'Gradativamente, o idoso vai perdendo massa muscular, substituindo esse tecido por gordura, que não tem força e não contribui para o equilíbrio. Além disso, surgem alterações articulares, neurológicas e perda da propriocepção', explica Rafael.

Para reduzir esse risco, o geriatra recomenda alimentação rica em proteínas e prática regular de atividades físicas voltadas para ganho ou manutenção da força muscular. 'O ideal é a musculação, mas pilates, hidroginástica e outros exercícios resistidos também oferecem excelentes resultados', orienta.

Medicamentos e adaptações do ambiente

Outros fatores também aumentam o risco. 'É importante revisar as medicações, principalmente aquelas que induzem sono, alguns remédios para pressão arterial e relaxantes musculares. Também devemos avaliar a visão, a audição e adaptar o ambiente doméstico', afirma o especialista.

Entre as mudanças recomendadas estão melhorar a iluminação dos cômodos, retirar tapetes soltos, organizar fios elétricos, instalar barras de apoio no banheiro e utilizar calçados fechados, antiderrapantes e adequados.

Repouso não é a solução após uma queda

Um erro comum das famílias é restringir as atividades do idoso depois de uma queda. O geriatra alerta que isso produz o efeito contrário. 'O que nunca podemos fazer é restringir o idoso ao domicílio depois de uma queda. O correto é oferecer supervisão, adequar o calçado e criar condições para que ele continue realizando suas atividades', orienta Rafael.

O medo de cair novamente — chamado de ptofobia — também preocupa. Esse receio leva muitos idosos a evitar atividades, perder força muscular e piorar o equilíbrio, aumentando o risco de novos acidentes. 'Uma queda anterior é o principal fator de risco para uma nova queda', alerta o especialista.

A reabilitação deve começar o quanto antes. 'A fisioterapia tem papel essencial, com exercícios específicos para fortalecimento muscular, treinamento do equilíbrio, coordenação motora e adaptação às atividades do dia a dia. Isso melhora o equilíbrio, devolve confiança e reduz o risco de novas quedas', conclui Rafael Alex Sobrinho.

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