Saúde

Alta miopia exige atenção redobrada, alerta Dr. Rafael Arruda

Oftalmologista do HOPE explica por que graus acima de seis aumentam o risco de descolamento de retina, glaucoma, catarata precoce e alterações na mácula.

Equipe Corrivus
Publicado em 21/08/2026, às 11h46

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Resumo da matéria

A miopia costuma ser associada apenas à dificuldade de enxergar de longe, mas quando o grau é elevado, o quadro exige atenção redobrada. Segundo o Dr. Rafael Arruda, oftalmologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, a alta miopia, considerada acima de seis graus, está ligada ao alongamento do globo ocular, o que fragiliza estruturas internas do olho e aumenta o risco de descolamento de retina, glaucoma, catarata precoce e alterações na mácula. O especialista destaca a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento regular e da atenção a sinais de alerta, como manchas escuras na visão e flashes de luz.

Alta miopia exige atenção redobrada, alerta Dr. Rafael Arruda

Exame oftalmológico é importante para acompanhar a saúde dos olhos e identificar alterações na visão. Crédito: Freepik

Manchas escuras que aparecem de repente na visão, acompanhadas de flashes de luz, ou a sensação de uma cortina cobrindo parte do campo visual: esses sinais, segundo especialistas, merecem avaliação urgente e podem estar ligados a uma condição pouco conhecida do público que usa óculos apenas para enxergar de longe.

O Dr. Rafael Arruda, oftalmologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, explica que esses sintomas podem indicar descolamento de retina, uma das principais complicações associadas à alta miopia, e que quanto mais cedo a cirurgia for realizada, maiores são as chances de preservar a visão.

Além do descolamento de retina, considerado uma emergência oftalmológica, pessoas com graus elevados de miopia apresentam maior risco de desenvolver glaucoma, catarata precoce e alterações na mácula, região do olho responsável pela visão central e pelos detalhes das imagens. O médico explica que a retina, nesses casos, fica mais fina e vulnerável, o que favorece o surgimento de pequenos rasgos que podem evoluir para o descolamento, e por isso pacientes com alta miopia precisam de acompanhamento constante mesmo quando enxergam bem com os óculos.

Essas complicações têm origem em uma característica estrutural do olho. Segundo o oftalmologista, a miopia é um erro de refração que faz as imagens se formarem antes da retina, dificultando a visão de objetos distantes, e o quadro é classificado conforme o grau: miopia baixa até três graus, moderada entre três e seis graus e alta acima de seis graus. Há ainda casos de miopia patológica, geralmente acima de dez graus, em que o aumento do grau pode continuar ao longo da vida. Nesses pacientes, o globo ocular é mais alongado do que o normal, e é justamente esse alongamento que fragiliza as estruturas internas do olho e transforma a alta miopia em fator de risco para outras doenças oftalmológicas.

O que leva um paciente a desenvolver graus tão elevados envolve tanto herança genética quanto hábitos do cotidiano. De acordo com o médico, o componente genético é um dos principais fatores de risco, mas o ambiente também interfere: passar muito tempo em atividades de perto, como celular, computador e leitura, principalmente com os objetos muito próximos do rosto, pode favorecer a progressão da miopia. Crianças que desenvolvem o problema muito cedo, sobretudo quando há histórico familiar, tendem a apresentar graus mais altos na vida adulta. Já brincadeiras e atividades ao ar livre por duas ou três horas diárias ajudam a reduzir esse avanço, segundo o oftalmologista.

Diante desse cenário, o especialista recomenda cuidados redobrados durante a infância e a adolescência, período em que o grau costuma evoluir com maior rapidez: limitar o tempo de telas, evitar aproximar demais livros e celulares do rosto e incentivar momentos ao ar livre. Ele acrescenta que existem hoje estratégias capazes de retardar a progressão da doença nessa faixa etária, como lentes de óculos desenvolvidas especificamente para controlar a evolução da miopia, lentes de contato especiais e colírios à base de atropina, indicados em situações específicas — sempre com tratamento individualizado e acompanhado por oftalmologista.

O acompanhamento frequente, reforça o médico, faz toda a diferença: dependendo da evolução da miopia, o ideal é realizar consultas a cada seis meses, e mesmo nos casos mais estáveis o intervalo não deve ultrapassar um ano. Nessas avaliações, além de medir o grau, é importante verificar a pressão ocular, realizar o mapeamento da retina e outros exames capazes de identificar alterações antes do surgimento dos sintomas.

Para o Dr. Rafael Arruda, a miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de grau. Segundo ele, a alta miopia pode aumentar significativamente o risco de doenças que ameaçam a visão, mas muitas dessas complicações podem ser prevenidas ou tratadas quando identificadas precocemente — o diagnóstico e o acompanhamento regular, somados à atenção aos sinais de alerta, são as melhores formas de preservar a saúde dos olhos ao longo da vida.

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