Saúde

Cardiologista do Santa Joana Recife alerta para riscos cardíacos em mulheres

Especialista do Hospital Santa Joana Recife, Rede Américas, destaca sintomas, fatores de risco e cuidados cardiovasculares ao longo da vida feminina

Equipe Corrivus
Publicado em 31/08/2026, às 19h59

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Resumo da matéria

As doenças cardiovasculares seguem como principal causa de morte feminina no mundo. O cardiologista Carlos Japhet explica como fatores tradicionais, condições ligadas à gestação, menopausa e diferentes manifestações do infarto podem dificultar a prevenção e o diagnóstico.

Cardiologista do Santa Joana Recife alerta para riscos cardíacos em mulheres

Prevenção cardiovascular feminina exige atenção a fatores de risco, sintomas de infarto e diferentes fases da vida. Crédito: Magnific

Carlos Japhet, cardiologista do Hospital Santa Joana Recife, Rede Américas, alerta que o risco cardiovascular feminino ainda é subestimado. Embora a dor no peito continue sendo um sinal frequente de infarto, mulheres também podem apresentar falta de ar, náuseas, fadiga intensa e outros sintomas que podem dificultar o reconhecimento do problema.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,9 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência de doenças cardiovasculares. O grupo inclui hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e arritmia cardíaca.

No caso do infarto, além de dor ou desconforto torácico, mulheres podem apresentar suor frio, falta de ar, náuseas, vômitos, desconforto epigástrico, tontura, sensação iminente de desmaio e dores irradiadas para costas, pescoço ou mandíbula. Fadiga intensa, repentina e sem explicação também está entre os sinais que merecem atenção.

Dr. Carlos observa que algumas dessas manifestações podem ser confundidas com ansiedade, estresse ou problemas digestivos, atrasando a procura por atendimento. Ao mesmo tempo, ele reforça que mulheres também podem apresentar a dor clássica no peito e precisam da mesma rapidez no diagnóstico e no tratamento.

Os cuidados cardiovasculares também mudam conforme a fase da vida. No início da idade reprodutiva, a escolha de métodos contraceptivos deve considerar histórico de enxaqueca com aura, trombose e pressão arterial.

Na gestação, pré-eclâmpsia, outras síndromes hipertensivas e diabetes gestacional podem funcionar como alertas para maior suscetibilidade cardiovascular no longo prazo. Já o climatério e a menopausa envolvem queda dos estrogênios, alterações metabólicas, acúmulo de gordura visceral e oscilações da pressão arterial.

O especialista destaca que a menopausa não provoca isoladamente uma doença cardiovascular, mas pode marcar uma fase de aceleração do risco, sobretudo quando ocorre precocemente. Com o envelhecimento, aumenta ainda a incidência de fibrilação atrial, doença arterial coronariana, doenças valvares e insuficiência cardíaca.

Além dessas condições, fatores tradicionais como hipertensão, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo também têm forte impacto sobre a saúde feminina. Segundo Dr. Carlos, diabetes e tabagismo podem produzir efeito cardiovascular proporcionalmente maior nas mulheres.

Entram ainda nessa avaliação menopausa precoce, doenças autoimunes, mais frequentes entre mulheres, e tratamentos oncológicos potencialmente cardiotóxicos. O cardiologista também chama atenção para o diagnóstico mais tardio e para a sub-representação feminina em estudos clínicos.

Para ele, a mortalidade elevada não decorre de uma suposta maior fragilidade do coração feminino, mas de fatores como subestimação do risco e início tardio da prevenção.

Entre as medidas de prevenção destacadas estão avaliação individualizada, prática de atividade física, alimentação equilibrada, controle da hipertensão e do colesterol, abandono do tabagismo, atenção ao sono e à saúde mental e manejo adequado da menopausa. O Setembro Vermelho, campanha dedicada à conscientização sobre doenças cardiovasculares, reforça a importância desses cuidados.

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