Volta às aulas ajuda a identificar sinais de miopia infantil
Dificuldade para enxergar de longe e aproximação excessiva de livros estão entre os sinais de alerta
Resumo da matéria
A rotina escolar, com maior exigência de leitura e escrita, costuma expor dificuldades visuais em crianças, o que torna a volta às aulas um momento propício para identificar casos de miopia infantil. Segundo a oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos do Recife, o número de crianças com miopia vem crescendo, impulsionado pelo maior tempo de tela e pela menor exposição à luz natural. Entre os sinais de alerta estão a dificuldade para enxergar de longe, a aproximação excessiva do rosto a livros, cadernos e telas, além do histórico familiar — filhos de pais míopes têm até 50% de chance de desenvolver o problema. A especialista recomenda acompanhamento oftalmológico desde os primeiros meses de vida e destaca que o diagnóstico precoce permite controlar a progressão da miopia com lentes especiais e colírio.
Oftalmologista alerta para sinais de miopia infantil na volta às aulas Crédito: Magnific
Sentar mais perto da lousa, franzir os olhos para copiar o quadro ou aproximar demais o rosto do caderno podem ser pistas de que uma criança enxerga mal — e é justamente na volta às aulas que esses sinais tendem a aparecer com mais clareza.
A oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos do Recife, chama atenção justamente para esse comportamento de aproximação: “O principal sinal da miopia é a criança que realmente começa a se aproximar das coisas para enxergar. Ela aproxima do caderno e livro para ler, ela na sala de aula está lá atrás, vai para frente, fica muito perto da televisão para enxergar melhor”, explica.
Não por acaso, é dentro da sala de aula que boa parte dos casos chama atenção pela primeira vez: “Realmente a sala de aula é um local comum para se identificar mais casos suspeitos de miopia. As crianças que sentam atrás e têm que copiar a tarefa começam a perceber que têm dificuldade de enxergar, e isso chama a atenção dos professores e pais para procurarem o oftalmologista”, afirma a especialista.
Esse cenário tem se tornado mais comum: conforme a médica, o número de crianças diagnosticadas com miopia cresce de forma expressiva, acompanhando um estilo de vida com telas por mais tempo e menos horas ao ar livre. “O principal fator relacionado ao aumento da miopia no mundo inteiro é o uso cada vez mais frequente de eletrônicos e o menor contato com a luz natural. Hoje, as crianças passam mais tempo em ambientes fechados e menos tempo expostas à luz do dia, o que favorece o desenvolvimento da miopia”, diz Ana Carolina Collier.
A genética entra nessa conta como outro fator de peso, segundo a oftalmologista: “Quando pai e mãe são míopes, a criança tem aproximadamente 50% de chance de também desenvolver miopia. Se apenas um dos dois é míope, esse risco gira em torno de 25%. Além disso, pessoas com ascendência oriental também apresentam maior predisposição”.
Por isso, a especialista recomenda que o acompanhamento oftalmológico comece ainda nos primeiros meses de vida: “A recomendação é realizar o teste do olhinho logo após o nascimento, feito pelo oftalmologista. Depois, fazemos avaliações periódicas até os dois anos de idade, geralmente a cada seis meses. A partir daí, o ideal é manter consultas anuais durante toda a infância. Nos casos em que a criança já apresenta miopia, essa frequência se torna menor e o acompanhamento pode ser feito a cada seis meses para monitorar a evolução desse grau”.
Diagnosticar cedo, segundo Ana Carolina, muda o rumo do tratamento: “Quanto antes o diagnóstico é realizado, mais cedo é possível iniciar o acompanhamento e adotar estratégias para controlar a progressão da miopia. Hoje temos um tipo de lente de óculos especial e colírio que podem reduzir a progressão da miopia, então esse acompanhamento é fundamental para, se for o caso, utilizar esses meios para evitar a progressão”.