Saúde

Dor de cabeça pode ser sinal de problema de visão, alerta oftalmologista do IOR no Recife

Ana Carolina Collier, do IOR, aponta astigmatismo, hipermetropia e insuficiência de convergência como causas frequentes de cefaleia ligada à visão — e orienta quando consultar um especialista

Equipe Corrivus
Publicado em 09/06/2026, às 00h33

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Resumo da matéria

Nem toda dor de cabeça vem do estresse. A oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos do Recife (IOR), explica que erros refrativos como astigmatismo, hipermetropia e miopia não corrigidos, além da insuficiência de convergência, figuram entre as causas oculares mais frequentes de cefaleia. A especialista orienta sobre os sintomas de alerta, o tratamento adequado e o que o paciente não deve fazer.

Dor de cabeça pode ser sinal de problema de visão, alerta oftalmologista do IOR no Recife

Ilustração sobre saúde ocular e dor de cabeça relacionada a problemas de visão Crédito: Divulgação

A dor de cabeça costuma ser atribuída ao estresse, à falta de sono ou à desidratação — mas pode ter origem nos olhos. A oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos do Recife (IOR), explica que cefaleias ligadas a problemas visuais têm características específicas e, quando identificadas corretamente, têm tratamento eficaz.

Um sinal importante é o momento em que a dor aparece. “Geralmente, o paciente percebe o desconforto ao final do dia, quando está realizando algum tipo de esforço visual, como ler por muito tempo ou passar várias horas em frente às telas”, afirma a especialista. Ela destaca que a dor sentida logo ao acordar, por outro lado, tem menor probabilidade de estar relacionada a uma causa ocular.

Crianças merecem atenção especial nesse cenário. “Muitas vezes, as crianças não conseguem descrever a dor de cabeça com precisão”, alerta Ana Carolina Collier. Pais e cuidadores devem ficar atentos quando a criança se queixa de cansaço visual, dificuldade para ler ou dores de cabeça frequentes no fim do dia.

A suspeita de causa ocular aumenta quando a cefaleia surge após leitura prolongada ou uso de telas e vem acompanhada de visão embaçada, ardor, lacrimejamento, sensação de peso ao redor dos olhos, dificuldade para focar, sensibilidade à luz, tontura ou náusea. Entre as causas mais frequentes estão os erros refrativos — astigmatismo, hipermetropia e miopia não corrigidos — e a insuficiência de convergência.

“Após muito tempo de leitura ou de exposição às telas, a pessoa pode apresentar uma espécie de fraqueza muscular. Nesses casos, a musculatura dos olhos não consegue manter o foco adequadamente, e o paciente pode precisar realizar exercícios para melhorar esse tipo de dor de cabeça”, explica a oftalmologista.

Quando a origem é um erro refrativo, a prescrição de óculos por um especialista costuma ser suficiente para aliviar os sintomas. Nos casos de insuficiência de convergência, o tratamento pode incluir exercícios ortópticos no consultório e em casa. Um dos mais conhecidos é o ‘push-up com lápis’: o paciente fixa o olhar na ponta de um lápis e o aproxima lentamente do nariz, tentando manter a imagem única pelo maior tempo possível. Também podem ser indicados cartões com estímulos visuais e outros exercícios prescritos pelo oftalmologista. Quando a cefaleia está ligada a glaucoma, olho seco, inflamações oculares ou enxaqueca, o tratamento é específico para cada condição.

A especialista orienta que a automedicação recorrente deve ser evitada. Analgésicos aliviam o sintoma temporariamente, mas não tratam a causa. A dor de cabeça persistente, especialmente quando acompanhada de alterações visuais, exige investigação e diagnóstico adequado.

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