Saúde

Diabetes pode causar cegueira; oftalmologista do Recife alerta para riscos oculares

Dra. Luciana Valença, do Instituto de Olhos Recife, alerta que pacientes com diabetes tipo 2 podem já ter alterações na retina no momento do diagnóstico; consulta anual é essencial

Equipe Corrivus
Publicado em 26/06/2026, às 16h38

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Resumo da matéria

Além do controle da glicemia, pessoas com diabetes precisam estar atentas à saúde ocular. Retinopatia diabética, edema macular, catarata precoce e glaucoma neovascular estão entre as complicações que a doença pode provocar nos olhos, muitas vezes sem sintomas iniciais. A oftalmologista Dra. Luciana Valença, do Instituto de Olhos Recife (IOR), explica os mecanismos da doença, os fatores de risco e as opções de tratamento, reforçando que o diagnóstico precoce é a principal ferramenta para preservar a visão.

Diabetes pode causar cegueira; oftalmologista do Recife alerta para riscos oculares

Crédito: Divulgação

Quem tem diabetes precisa cuidar não só da glicemia, mas também dos olhos. O excesso crônico de açúcar no sangue danifica os pequenos vasos que irrigam a retina e pode desencadear uma série de complicações oculares graves, muitas vezes sem qualquer sintoma nas fases iniciais. A advertência é da oftalmologista Dra. Luciana Valença, do Instituto de Olhos Recife (IOR), que neste Dia Nacional do Diabetes — celebrado em 26 de junho — reforça a importância do exame oftalmológico regular para quem convive com a doença.

A complicação mais comum é a retinopatia diabética, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ela ocorre quando os vasos da retina se tornam frágeis e apresentam vazamentos ou formação de vasos anormais. 'Pode causar visão embaçada, manchas escuras na visão ou, nos estágios mais avançados, perda parcial ou total da visão', explica a médica.

Outra condição frequente é o edema macular diabético, com acúmulo de líquido na mácula — região central da retina responsável pela visão de detalhes. 'O edema macular causa embaçamento, perda de visão central e distorção das imagens', detalha Luciana Valença. Pessoas com diabetes também têm maior risco de desenvolver catarata precocemente e glaucoma neovascular, forma grave causada pelo crescimento de vasos anormais que elevam a pressão intraocular.

Um aspecto que preocupa especialmente a especialista é o comportamento silencioso do diabetes tipo 2. 'Muitas pessoas já têm diabetes há anos antes de receber o diagnóstico. Por isso, já podem ter alterações na retina no momento em que descobrem a doença', alerta. Já no diabetes tipo 1, a retinopatia costuma ser rara nos primeiros cinco anos após o diagnóstico.

A frequência das consultas oftalmológicas varia conforme o quadro de cada paciente. Quem não apresenta sinais de retinopatia deve realizar o exame de fundo de olho ao menos uma vez por ano. Quando a doença já está presente, a avaliação pode ser necessária a cada três ou seis meses. Gestantes com diabetes prévio requerem acompanhamento ainda mais próximo, já que o risco de piora da retinopatia aumenta durante a gravidez.

O tratamento depende do tipo e da gravidade do problema. As opções incluem injeções intravítreas para conter o edema macular e o crescimento de vasos anormais, fotocoagulação a laser para controlar vazamentos na retina e vitrectomia nos casos avançados. Catarata e glaucoma têm abordagens específicas, que vão de colírios e laser a cirurgia. 'Fazer exames oftalmológicos regulares é fundamental para identificar alterações ainda nas fases iniciais, quando as chances de preservar a visão são muito maiores', conclui Dra. Luciana Valença.

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