Ceratocone: por que o diagnóstico precoce pode salvar sua visão
Doença que deforma a córnea é a principal causa de transplante do tecido no país e costuma aparecer entre os 10 e os 25 anos
Resumo da matéria
O ceratocone é a doença ocular que mais leva jovens ao transplante de córnea no Brasil. A condição provoca afinamento e deformação progressiva da córnea, com sintomas que se confundem facilmente com problemas de grau. O 'Junho Violeta' reforça a importância do exame periódico e do diagnóstico antes que a doença avance.
Ilustração sobre saúde ocular e ceratocone, doença que afeta a córnea e é tema do Junho Violeta Crédito: Imagem de freepik
Visão embaçada, troca frequente de óculos e imagens distorcidas raramente levantam suspeita de uma doença séria. Mas esses sinais podem indicar ceratocone, condição que deforma a córnea progressivamente e responde pela maior parte dos transplantes do tecido realizados no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 150 mil brasileiros são diagnosticados a cada ano, com maior concentração de casos entre os 10 e os 25 anos de idade.
O 'Junho Violeta' é a campanha nacional voltada à conscientização sobre essa doença. A córnea é a camada transparente na frente do olho, responsável por direcionar a luz e formar imagens nítidas. No ceratocone, ela perde espessura e adquire um formato cônico, comprometendo diretamente a qualidade visual.
O Dr. Caio Melo, oftalmologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, explica que a progressão tende a ser silenciosa: 'Trata-se de uma condição progressiva em que a córnea sofre afinamento e mudança estrutural, assumindo formato de cone. Essa alteração impacta diretamente a qualidade da visão e pode evoluir de forma silenciosa, principalmente entre adolescentes e adultos jovens.'
Um dos problemas para o diagnóstico é a semelhança dos sintomas iniciais com variações comuns de grau. De acordo com o médico, alguns pacientes preservam boa acuidade visual nas fases mais iniciais, o que adia a procura por um especialista e favorece o avanço da doença. 'Mudanças frequentes na refração, visão embaçada e distorção das imagens merecem atenção, especialmente porque alguns pacientes mantêm boa acuidade visual nas fases iniciais, o que pode retardar a busca por atendimento especializado e favorecer a progressão do quadro', afirma.
Outro ponto de atenção é o hábito de coçar os olhos. Segundo o Dr. Caio Melo, esse comportamento, sobretudo em quem já tem alergia ocular, está associado tanto ao surgimento quanto ao avanço do ceratocone, por provocar alterações biomecânicas na córnea que favorecem a mudança do seu formato.
O diagnóstico é confirmado em consulta oftalmológica, com exames como a topografia corneana e a tomografia, que conseguem mapear a estrutura do tecido e identificar alterações ainda nos estágios iniciais.
Detectada cedo, a doença pode ser acompanhada com mais recursos. Entre as estratégias disponíveis está o crosslinking corneano, procedimento que busca estabilizar a córnea e interromper a progressão. O tratamento varia conforme o estágio: vai do uso de óculos e lentes de contato a intervenções cirúrgicas, sempre com indicação personalizada para cada paciente.
O médico reforça que consultas regulares são o caminho mais eficaz para um bom prognóstico. 'O cuidado com a saúde ocular não deve acontecer apenas quando surge alguma dificuldade para enxergar, mas fazer parte da rotina, porque o diagnóstico precoce pode preservar a visão e ampliar as possibilidades de tratamento', conclui o Dr. Caio Melo.