Bia Melo abre primeira individual com obras instaladas em espaços públicos do Recife
Artista passou meses realizando intervenções tipográficas em pontes, parques e escolas da Região Metropolitana; obras e registros em vídeo compõem a mostra
Resumo da matéria
Ao longo de meses, a artista visual Bia Melo realizou cinco intervenções tipográficas em espaços públicos da Região Metropolitana do Recife — de uma faixa de 122 metros atravessando a Ponte Duarte Coelho a blocos de gelo moldando uma palavra à beira-mar. As obras e os registros em vídeo das performances formam 'Para não esquecer', sua primeira exposição individual, que abre na sexta-feira, dia 17, na Galeria Maumau.
Crédito: Alexandre Zarias
Bia Melo passou meses escrevendo a mesma palavra à mão, moldando letras em cerâmica, recortando papelão e carregando blocos de gelo até a praia. O resultado dessas cinco ações em espaços públicos da Região Metropolitana do Recife chega agora reunido em sua primeira exposição individual.
'Para não esquecer' abre nesta sexta-feira, dia 17, às 18h, na Galeria Maumau, com as obras tipográficas e os registros em vídeo de cada performance. A visitação segue até 2 de agosto, de sexta a domingo, das 16h às 20h.
Arquiteta de formação pela UFPE e mestranda em Artes Visuais pelo PPGAV UFPE-UFPB, Bia Melo integra os coletivos Gráfica Lenta e Maumau desde 2014 e transita por gravura, colagem, cerâmica e performance. Na série que compõe a mostra, ela deslocou para o corpo e para a cidade um trabalho que antes acontecia no papel — transformando mensagens escritas em intervenções de escala urbana.
'São mensagens curtas, lembretes, que convidam ao estado de presença, às mudanças de percurso, a parar, respirar, amar e lembrar de si, promovendo encontros entre subjetividades coexistentes num mesmo território', explica a artista.
As obras se dividem entre o monumental e o efêmero. No extremo da escala, 'O Amor é o meu abismo' ocupou a Ponte Duarte Coelho com uma faixa de tecido de 122 metros — a palavra 'Amor' escrita à mão repetidas vezes ao longo de três meses. No oposto, 'Amar' durou apenas o tempo que blocos de gelo levaram para derreter à beira-mar no Buraco da Velha, em Brasília Teimosa, depois de moldados para formar a palavra.
Entre esses dois extremos, três obras exploraram outros materiais e territórios. 'Lembre-se de quem você é' resultou de cinco meses de trabalho em cerâmica — da concepção tipográfica à queima — e foi instalada ao redor de uma árvore no Parque da Tamarineira. 'Pare agora respire' ocupou uma via de grande fluxo no bairro das Graças em formato de lambe-lambe, com referência visual às placas de trânsito. Já 'Esvaziar-se, preencher-se' usou cerca de 20 caixas de papelão com superfícies recortadas em letras, montadas na Escola Pedro Barros, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes.
Todas as intervenções tiveram parceria com unidades da rede pública estadual de ensino. Em algumas, estudantes acompanharam a performance ao vivo; em outras, o trabalho foi debatido em sala de aula com a artista. A equipe contou ainda com figurinos da estilista Babi Jácome, registro e edição de vídeo da artista visual Irma Brown, produção de campo de Alexandre Zarias e produção executiva de Clarice Hoffmann.
O projeto foi aprovado pela Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura.
Serviço
Data: Abertura: sexta-feira, 17 de julho | Visitação: 18 de julho a 2 de agosto
Horário: Abertura: 18h às 22h | Visitação: sexta a domingo, das 16h às 20h
Local: Galeria Maumau
Projeto/programação: Para não esquecer — exposição individual de Bia Melo. Obras tipográficas e registros em vídeo de cinco intervenções urbanas realizadas na Região Metropolitana do Recife.