ICMBio transfere 69 ararinhas-azuis negativas para circovírus a centro em Petrolina
Operação emergencial com Polícia Federal retirou aves saudáveis de criadouro na Bahia após descumprimento de normas de biossegurança; 34 das 103 ararinhas testaram positivo
Resumo da matéria
O ICMBio realizou nesta quarta-feira (27) a transferência emergencial de 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs que testaram negativo para circovírus de um criadouro em Curaçá (BA) para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco, em Petrolina (PE). A ação foi respaldada por decisão judicial e ocorreu após a confirmação de casos do vírus entre as aves e o descumprimento de normas de biossegurança no criadouro. Das 103 ararinhas no local, 34 testaram positivo. A ararinha-azul é uma espécie endêmica da Caatinga já extinta na natureza.
Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) Crédito: Miguel Monteiro/ICMBio
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou nesta quarta-feira (27) a transferência emergencial de 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs que testaram negativo para circovírus de um criadouro em Curaçá (BA). As aves foram levadas para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Petrolina (PE). A ação é respaldada por decisão judicial.
A medida foi adotada após a confirmação de casos de circovírus entre as ararinhas e o descumprimento de normas de biossegurança no criadouro, parceiro da organização alemã Associação para a Conservação dos Papagaios Ameaçados (ACTP). Entre as irregularidades estavam a falta de limpeza e desinfecção diária das instalações e comedouros — encontrados sujos, com acúmulo de fezes ressecadas — e a não utilização de equipamentos de proteção individual pelos funcionários durante o manejo dos animais.
Das 103 ararinhas-azuis que estavam no criadouro, 34 testaram positivo para o vírus. As 69 negativas foram transferidas e permanecerão por tempo indeterminado no Cemafauna, onde receberão cuidados, passarão por novo ciclo de testagem e ficarão em quarentena para avaliação de saúde.
A operação contou com apoio da Polícia Federal, da Polícia Militar, do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia, além de médicos veterinários do ICMBio e do Cemafauna e peritos veterinários da Polícia Federal.
O circovírus dos psitacídeos é uma doença originária da Austrália, considerada uma das mais graves entre araras, papagaios e periquitos. Afeta principalmente as penas e o bico, causando alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. A doença não tem cura e é fatal na maior parte dos casos, mas não infecta humanos nem aves de produção.
A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é uma espécie endêmica da Caatinga brasileira já extinta na natureza. A separação entre aves positivas e negativas para o vírus é considerada fundamental para garantir a viabilidade do programa de reintrodução da espécie.