Saúde

Junho Laranja: hábitos que ajudam a preservar a fertilidade

Especialista em reprodução humana explica como sono, alimentação, peso e estresse impactam óvulos e espermatozoides — e por que cuidar da saúde reprodutiva não deve esperar a decisão de ter filhos

Equipe Corrivus
Publicado em 04/06/2026, às 21h59

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Resumo da matéria

No Junho Laranja, mês dedicado à conscientização sobre infertilidade, especialista em reprodução humana da Clínica Embryo/Fertgroup alerta que tabagismo, privação de sono, estresse crônico, obesidade e consumo de ultraprocessados podem reduzir as chances de gravidez. A OMS estima que problemas de fertilidade afetam cerca de 17,5% da população adulta — aproximadamente uma em cada seis pessoas. A médica Dra. Marília Bonow destaca cinco hábitos que ajudam a preservar a saúde reprodutiva tanto de mulheres quanto de homens.

Junho Laranja: hábitos que ajudam a preservar a fertilidade

Junho Laranja reforça a importância de hábitos saudáveis para preservar a fertilidade feminina e masculina ao longo da vida Crédito: Magnific

Uma em cada seis pessoas no mundo tem dificuldade para engravidar — cerca de 17,5% da população adulta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O dado ganha destaque no Junho Laranja, campanha global voltada à conscientização sobre infertilidade, celebrada a partir do Dia Mundial de Conscientização da Infertilidade, em 4 de junho. Para a especialista em reprodução humana Dra. Marília Bonow, da Clínica Embryo/Fertgroup, o estilo de vida tem papel importante nesse cenário — e os cuidados precisam começar antes da decisão de engravidar.

“As mulheres já nascem com a quantidade de óvulos que terão ao longo da vida, denominada reserva ovariana. Ou seja, diferentemente de outras células do corpo humano, os óvulos não são repostos com o passar dos anos. Por isso, precisamos cuidar bem deles desde sempre. Com o tempo, a quantidade e a qualidade desses óvulos diminui, e maus hábitos podem acelerar esse desgaste”, alerta a médica. Nos homens, embora os espermatozoides sejam produzidos continuamente, o estilo de vida também pode comprometer quantidade, mobilidade e qualidade genética.

Entre os hábitos prejudiciais, Dra. Marília Bonow cita tabagismo, privação de sono, estresse crônico, obesidade e consumo excessivo de ultraprocessados. Em contrapartida, práticas saudáveis ajudam a reduzir a inflamação do organismo, melhorar os níveis hormonais e diminuir os danos oxidativos às células reprodutivas.

O sono é o primeiro ponto de atenção. Dormir bem favorece a produção adequada de melatonina, hormônio com ação antioxidante que protege as células reprodutivas. A privação prolongada pode desregular estrogênio, progesterona e testosterona — hormônios ligados à ovulação e à produção de espermatozoides.

Cigarro e excesso de álcool também entram na lista de fatores de risco. Ambos aumentam o estresse oxidativo, danificando células e DNA, e podem acelerar a perda da reserva ovariana. Nas mulheres, o abuso de álcool prejudica a ovulação; nos homens, reduz os níveis de testosterona e afeta a produção e a mobilidade dos espermatozoides.

O estresse crônico, por sua vez, eleva os níveis de cortisol, o que pode alterar o ciclo menstrual e a ovulação nas mulheres e reduzir a produção de testosterona nos homens. O estado prolongado de tensão também favorece outros hábitos prejudiciais, como consumo de álcool, tabagismo e alimentação inadequada.

Na alimentação, uma dieta rica em vegetais, frutas, fibras, grãos integrais e gorduras boas ajuda a reduzir a inflamação sistêmica e a melhorar o funcionamento metabólico e hormonal. O consumo elevado de ultraprocessados, por outro lado, pode afetar os espermatozoides e a qualidade do embrião.

Manter o peso saudável e praticar atividade física regularmente também são fatores relevantes. Nas mulheres, a obesidade está associada a irregularidades menstruais, dificuldade de ovulação e maior risco de síndrome dos ovários policísticos (SOP). Nos homens, pode prejudicar a produção hormonal e a qualidade dos espermatozoides. A perda de peso, quando necessária, melhora o funcionamento hormonal e reprodutivo e pode aumentar as chances tanto de gravidez natural quanto de sucesso em tratamentos de fertilidade.

A especialista reforça que mudanças no estilo de vida devem ser feitas junto à investigação médica, não no lugar dela. “Quanto mais cedo a causa da infertilidade é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento, principalmente porque a fertilidade feminina diminui com o tempo e algumas condições podem evoluir e se tornar mais difíceis de tratar”, conclui Dra. Marília Bonow.

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