Hospital São Mateus utiliza técnica para reparar válvula mitral sem prótese
Cirurgião Gibran Roder Feguri explica quando a válvula mitral pode ser reconstruída e como funciona o acesso minimamente invasivo.
Resumo da matéria
A técnica minimamente invasiva, que acessa o coração por uma incisão menor entre as costelas, pode proporcionar recuperação mais rápida e cicatriz menor, mas a escolha depende das condições clínicas e das características da válvula. O acompanhamento cardiológico e ecocardiográfico ajuda a definir o momento adequado para a intervenção antes que ocorram danos irreversíveis ao coração.
Plastia mitral é uma técnica de reconstrução da válvula do coração utilizada em pacientes selecionados. Crédito: Divulgação/Hospital São Mateus
A válvula mitral, localizada entre o átrio e o ventrículo esquerdos, controla a passagem do sangue e impede o retorno do fluxo na direção contrária. Quando essa válvula apresenta mau funcionamento, podem surgir sintomas como falta de ar, cansaço, palpitações e redução da capacidade para esforços. Em alguns casos, alterações importantes permanecem sem sintomas por algum tempo.
O cirurgião cardiovascular do Hospital São Mateus, Gibran Roder Feguri, explica que a plastia mitral corrige a doença preservando a própria válvula do paciente. O objetivo é melhorar o fechamento e corrigir o vazamento de sangue, mantendo ao máximo a anatomia e o funcionamento natural do coração. Segundo Feguri, houve uma mudança de conceito: em vez de retirar a válvula e colocar uma prótese, busca-se identificar e reconstruir o componente alterado.
A reconstrução da válvula mitral muitas vezes evita a necessidade de anticoagulação por toda a vida, ao contrário das próteses mecânicas, que exigem esse cuidado permanente. Além disso, as próteses biológicas podem degenerar ao longo dos anos, enquanto manter a válvula natural ajuda a preservar a anatomia e a função cardíaca e pode evitar complicações relacionadas às próteses.
A possibilidade de reparo depende da causa da doença, das condições da válvula e das características do paciente. A insuficiência mitral degenerativa com prolapso ou ruptura das cordoalhas, por exemplo, pode ter bons resultados com reconstrução. Por outro lado, alterações mais complexas podem exigir substituição por prótese. O Hospital São Mateus realiza técnicas de reconstrução da válvula mitral em pacientes selecionados.
A cirurgia convencional acessa o coração geralmente pela abertura do esterno. Já a técnica minimamente invasiva chega à válvula por uma incisão menor na lateral direita do tórax, entre as costelas, dispensando a abertura do esterno. Segundo Feguri, a técnica minimamente invasiva refere-se ao acesso, e a qualidade da correção dentro do coração deve ser a mesma. A incisão menor nunca deve comprometer a correção adequada da doença valvar.
Com câmeras e instrumentos específicos, é possível visualizar o coração e realizar a reconstrução. A abordagem minimamente invasiva pode proporcionar recuperação mais rápida, cicatriz menor e menor trauma da parede torácica. No entanto, nem todos os pacientes são candidatos a essa técnica. A escolha depende das condições clínicas, da existência de outros problemas cardíacos ou torácicos e das características da válvula.
A evolução dos recursos disponíveis contribui para cirurgias mais precisas e individualizadas. O acompanhamento cardiológico e ecocardiográfico ajuda a definir o momento adequado para intervir antes que ocorram danos irreversíveis ao coração. A intervenção busca restabelecer o funcionamento adequado da válvula mitral.