Agentes de saúde de Palmas apoiam pacientes em tratamento de câncer
A agente comunitária Cleonice Azevedo Ferreira acompanha Zilma Silva de Sousa desde antes do diagnóstico de câncer de mama e mantém contato durante o tratamento.
Resumo da matéria
Agentes comunitários de saúde de Palmas reforçam orientações preventivas e acompanham pacientes durante o tratamento do câncer. A agente Cleonice Azevedo Ferreira acompanha Zilma Silva de Sousa desde antes do diagnóstico de câncer de mama, recebido em outubro de 2025. Após seis sessões de quimioterapia e cirurgia com preservação da mama, Zilma faz radioterapia e conta com apoio familiar e da equipe da USF da Arno 42.
Agentes comunitários de saúde de Palmas acompanham pacientes durante o tratamento do câncer e reforçam orientações preventivas. Crédito: Eduardo Lobo/Prefeitura de Palmas
O acompanhamento de pacientes em tratamento de câncer em Palmas passa também pelo trabalho dos agentes comunitários de saúde, que aproximam as famílias das unidades de saúde e reforçam orientações preventivas. Para a doméstica Zilma Silva de Sousa, de 41 anos, esse contato começou antes do diagnóstico de câncer na mama esquerda, recebido em outubro de 2025, e continua durante o tratamento.
Casada e mãe de três filhas, Zilma conta com o apoio da família e da equipe da Unidade de Saúde da Família (USF) da Arno 42 (405 Norte). Ela passou por seis sessões de quimioterapia e por uma cirurgia para retirada do tumor, com preservação da mama. Atualmente, faz radioterapia.
Zilma relata que sofreu um forte abalo ao receber o diagnóstico e demorou a acreditar. Ela descreve a quimioterapia como uma etapa difícil e considera o apoio familiar muito importante para enfrentar a doença. Após ter ficado três anos sem fazer mamografia, afirma que o câncer não estava no início e lamenta ter passado tanto tempo sem ir ao médico.
Uma das profissionais que acompanham Zilma é Cleonice Azevedo Ferreira, agente comunitária de saúde (ACS), de 62 anos, com 26 anos de atuação na função. O contato entre as duas começou em visitas de rotina na comunidade, antes do diagnóstico, e se mantém frequente durante o tratamento.
Segundo Zilma, Cleonice faz visitas ou telefona para saber como ela está. Mesmo quando vai atender outras famílias, a agente passa em sua casa para perguntar sobre sua condição. Cleonice relata que conhece a paciente há muito tempo, sempre a orientou sobre a importância dos exames e trabalha com amor e carinho. Ela também afirma que a unidade de saúde acompanha Zilma de perto.
A superintendente de Atenção Primária da Secretaria Municipal da Saúde (Semus), Adriana Victor, explica que o vínculo é uma relação de confiança e compromisso construída ao longo do tempo entre profissionais de saúde, usuários, famílias e comunidade. Segundo ela, a Política Nacional de Atenção Básica prevê a construção desses vínculos entre seus princípios fundamentais e diretrizes essenciais ao funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Adriana afirma que o agente verifica a situação do paciente em tratamento de câncer, as necessidades de suporte da unidade e possíveis reações adversas. A proximidade e as visitas frequentes, explica, fortalecem essa relação. Cleonice acrescenta que a Saúde da Família atua na prevenção e na orientação sobre doenças e autoexame.
O boletim Panorama Epidemiológico do Câncer em Palmas, elaborado pela Semus, aponta 371 casos de câncer de mama no município entre 2020 e 2025. Em 2026, até o período considerado no levantamento, foram contabilizados 24 casos. Na série histórica apresentada, a maioria dos registros ocorreu entre mulheres adultas, principalmente na faixa de 40 a 44 anos.
Entre os principais sinais do câncer de mama estão nódulo na mama, alterações na pele com aspecto de casca de laranja, aumento do volume mamário e secreção pelo mamilo. Ao relatar sua experiência, Zilma faz um apelo para que as mulheres cuidem da saúde, realizem exames preventivos e façam o autoexame.
Palmas também registrou 149 casos de câncer do colo do útero entre 2020 e 2025. Na série apresentada, a doença atingiu mais mulheres de 35 a 49 anos, com destaque para o grupo de 40 a 44 anos. Em 2025, porém, a maior concentração de casos deslocou-se para a faixa de 55 a 59 anos.
Embora seja um dos tipos de câncer mais preveníveis, o câncer do colo do útero permanece como problema de saúde pública. Prevenção, rastreamento e acompanhamento integram a atenção à doença na rede municipal de saúde.