Cidadania

Troféu no Museu Histórico de Itajaí registra mobilização negra de 1995

Oferecida à Prefeitura pela organização do Movimento Negro Sebastião Lucas em 1995, a peça chegou ao museu por volta de 1997.

Equipe Corrivus
Publicado em 07/11/2026, às 00h14

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Resumo da matéria

O Troféu Comemorativo aos 300 Anos de Zumbi dos Palmares integra o acervo do Museu Histórico de Itajaí e documenta a participação da comunidade negra local nas mobilizações nacionais de 1995. A organização do Movimento Negro Sebastião Lucas ofereceu a peça à Prefeitura naquele ano. Posteriormente doado pelo município ao museu, onde chegou por volta de 1997, o troféu contribui para preservar e compartilhar a memória da população negra.

Troféu no Museu Histórico de Itajaí registra mobilização negra de 1995

Troféu do Museu Histórico de Itajaí documenta a participação da comunidade negra local nas mobilizações nacionais de 1995. Crédito: Divulgação

O Troféu Comemorativo aos 300 Anos de Zumbi dos Palmares, que integra o acervo do Museu Histórico de Itajaí, registra a participação da comunidade negra do município nas mobilizações nacionais de valorização de sua história e identidade. A peça foi oferecida à Prefeitura de Itajaí pela organização do Movimento Negro Sebastião Lucas em 1995, durante as homenagens aos três séculos da morte de Zumbi.

Posteriormente, a Prefeitura doou o troféu ao Museu Histórico, onde ele chegou por volta de 1997. Desde então, a peça integra o patrimônio cultural do município. Mantido pela Fundação Genésio Miranda Lins, o museu reúne, com o troféu, possibilidades de preservação e compartilhamento da memória da população negra de Itajaí.

A homenagem está diretamente ligada à mobilização nacional de 1995, quando os 300 anos da morte de Zumbi motivaram manifestações em diferentes estados. O ponto alto foi a Marcha Zumbi dos Palmares contra o Racismo, pela Cidadania e pela Vida, em Brasília, que reuniu mais de 30 mil pessoas para denunciar a discriminação racial e reivindicar políticas públicas para a população negra. O movimento ampliou a articulação entre organizações urbanas, rurais e quilombolas.

O troféu documenta a atuação de organizações locais nesse movimento de valorização da história afro-brasileira e enfrentamento ao racismo. Em Itajaí, porém, a organização da comunidade negra antecede a mobilização de 1995: os clubes Treze de Maio, Cruz e Souza e Humaitá integram essa trajetória desde o início do século XX.

Outro marco dessa história é a Sociedade Cultural e Beneficente Sebastião Lucas, fundada em 1952, na Vila Operária. A entidade foi criada por trabalhadores e integrantes da comunidade negra que enfrentavam restrições de acesso aos espaços de sociabilidade frequentados pela elite branca. Nas décadas seguintes, tornou-se referência de convivência, resistência cultural e afirmação identitária para a população afrodescendente de Itajaí e região.

O nome da sociedade homenageia Sebastião Lucas Pereira, trabalhador portuário e um dos fundadores da Sociedade Beneficente XV de Novembro. A sede recebeu tombamento municipal em 2007 e reconhecimento como Patrimônio Cultural de Itajaí. Sua preservação ainda mobiliza a comunidade negra e entidades locais, e existe uma proposta de recuperação do imóvel e de transformação do espaço em um centro cultural afro.

Homenageado pelo troféu, Zumbi foi uma das principais lideranças da resistência à escravidão no Brasil e o último grande líder do Quilombo dos Palmares. Localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares é considerado o maior e mais duradouro quilombo do período colonial e representou organização, autonomia e resistência à sociedade escravista. Sua história tornou-se símbolo da luta contra a opressão racial e da afirmação da liberdade e da dignidade da população negra.

Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695. A escolha desse dia como referência para a consciência negra surgiu em 1971, em Porto Alegre, por iniciativa do Grupo Palmares, do qual participava o poeta Oliveira Silveira. A proposta valorizava a resistência da população negra e a luta pela liberdade, em contraponto à narrativa centrada na abolição formal da escravidão, em 13 de maio de 1888.

A data ganhou força com o Movimento Negro Unificado. Em 2003, a Lei nº 10.639 incluiu o 20 de novembro no calendário escolar. Em 2011, a data foi instituída como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra e, em 2023, tornou-se feriado nacional.

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