Saúde

Neurologista alerta para sinais de atenção em casos de cefaleia

Dor frequente, intensa ou acompanhada de outros sintomas exige investigação médica, segundo especialista do Hospital Santa Joana Recife.

Equipe Corrivus
Publicado em 18/05/2026, às 11h07

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Resumo da matéria

Em alusão ao Dia Nacional de Combate à Cefaleia, lembrado em 19 de maio, neurologista orienta sobre diferenças entre cefaleias primárias e secundárias, sinais de alerta e riscos da automedicação.

Neurologista alerta para sinais de atenção em casos de cefaleia

Neurologista alerta para sinais de atenção em casos de cefaleia e reforça a importância do diagnóstico correto Crédito: Freepik

Dores de cabeça frequentes, intensas ou acompanhadas de outros sintomas podem indicar a necessidade de investigação médica, alerta o neurologista José Luiz Inojosa, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas.

A orientação ocorre em alusão ao Dia Nacional de Combate à Cefaleia, lembrado em 19 de maio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de cefaleia estão entre as condições neurológicas mais comuns no mundo e afetam a qualidade de vida, o desempenho profissional e as relações sociais.

De acordo com José Luiz Inojosa, as cefaleias podem ser primárias ou secundárias. As secundárias têm uma causa subjacente para a dor de cabeça. Já as primárias não estão associadas a outra doença e são as mais comuns na população.

Entre as cefaleias primárias estão a cefaleia tensional, apontada pelo neurologista como a mais frequente, e a migrânea, popularmente conhecida como enxaqueca.

Na migrânea, a dor costuma ser intensa, pulsátil e geralmente aparece em um lado da cabeça, embora também possa atingir os dois lados. O quadro pode ser acompanhado por sensibilidade à luz e aos ruídos, náuseas e, em alguns casos, vômitos.

As cefaleias secundárias exigem maior atenção, segundo o especialista. Elas podem estar relacionadas a sangramentos, tumores de crescimento lento ou rápido dentro do crânio, meningites e outras condições mais graves.

José Luiz alerta que febre, rigidez na nuca, despertar noturno e mudança no padrão habitual da dor, como aumento da frequência, da intensidade ou alteração das características, são sinais que precisam de avaliação médica com mais urgência.

Outro ponto de atenção é a dor súbita e muito intensa. Segundo o neurologista, quando a dor aparece em poucos segundos ou minutos, é muito forte ou é considerada pelo paciente a pior dor de cabeça da vida, a investigação deve ser mais cuidadosa.

O tratamento depende do diagnóstico correto. Nos casos de cefaleia secundária, o foco é tratar a doença que causa o sintoma. Nas cefaleias primárias, além dos medicamentos prescritos pelo neurologista, há outras possibilidades terapêuticas.

O especialista também alerta para a automedicação. Segundo ele, o fácil acesso a analgésicos no Brasil favorece o uso frequente desses medicamentos, especialmente entre pacientes com migrânea, que alternam crises mais intensas e mais leves.

José Luiz explica que o uso frequente de analgésicos pode levar o organismo a deixar de produzir substâncias importantes para o equilíbrio da sensação de bem-estar plena e do controle da dor. Isso aumenta a necessidade do medicamento.

O risco é maior quando o analgésico tem três ou quatro substâncias associadas, muitas vezes com cafeína. Nesses casos, pode ocorrer cefaleia por abuso de analgésicos, com efeito rebote, aumento da frequência e da intensidade da dor e maior dificuldade de controle.

O neurologista afirma que, em algumas situações, pode ser necessário reduzir ou suspender o uso dos analgésicos. Essa interrupção pode causar cerca de 15 dias de mal-estar e piora temporária da dor até que haja melhor controle da cefaleia.

Entre as alternativas terapêuticas disponíveis no Brasil citadas por José Luiz estão a aplicação de toxina botulínica, infiltrações com anestésicos em pontos específicos da cefaleia e o uso de anticorpos monoclonais.

Independentemente da causa, o tratamento deve ser conduzido com acompanhamento de um neurologista. O diagnóstico adequado é apontado como essencial para controlar crises, evitar complicações e devolver qualidade de vida ao paciente.

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