Educação

Professora do Colégio Mackenzie Agnes reflete sobre leitura na era digital

Professora de Linguística aborda os desafios da formação de leitores diante do consumo rápido de conteúdos.

Equipe Corrivus
Publicado em 26/08/2026, às 21h37

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Resumo da matéria

Midian Rebeca Justino de Araújo, professora de Linguística do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife, aborda a relação entre leitura, atenção e consumo rápido de conteúdos. Mestranda em Educação Clássica e licenciada em Letras, ela discute o papel da família e da escola na formação de leitores e cita autores como Byung-Chul Han, Quintiliano e Mortimer Adler.

Professora do Colégio Mackenzie Agnes reflete sobre leitura na era digital

Midian Rebeca Justino de Araújo, professora de Linguística do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, aborda a formação de leitores na era digital. Crédito: Divulgação/Mackenzie Agnes

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024 mostrou que 53% dos brasileiros não haviam lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento. A constatação não se restringe aos jovens, o que sugere que o afastamento dos livros é um fenômeno mais amplo.

Midian Rebeca Justino de Araújo, professora de Linguística no Ensino Fundamental e Médio do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife, mestranda em Educação Clássica e licenciada em Letras, lembra que muitos adolescentes estão habituados a transitar entre conteúdos. A leitura, porém, possui um tempo próprio. Um romance exige imaginação e disposição para não compreender tudo imediatamente.

Em Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han opõe a atenção profunda à “hiperatenção”, marcada pela mudança rápida de foco. Essa inquietação não é nova: já em Quintiliano, a leitura dos bons autores estava ligada à formação de quem deveria aprender a pensar e a expressar-se bem.

Mortimer Adler, em Como ler livros, defende que o leitor não é passivo diante de uma obra: faz perguntas ao texto e constrói seu julgamento. Formar leitores, portanto, seria também ajudá-los a descobrir que um livro oferece uma experiência diferente da proporcionada pelo conteúdo breve.

A tecnologia não precisa ser vista como adversária. Um vídeo sobre Machado de Assis pode despertar curiosidade por Dom Casmurro, servindo como porta de entrada. No entanto, o que vem depois exige outro tempo.

Família e escola podem caminhar juntas, aproximando-se do universo dos adolescentes e favorecendo encontros significativos com os livros, para que a leitura seja descoberta e sentida. Talvez formar leitores na chamada “geração TikTok” seja menos uma batalha contra as telas e mais um convite à descoberta de outro ritmo.

Ler é também atribuir sentidos, reconhecer-se e encontrar-se nas palavras do outro. É nesse encontro que um livro pode deixar de ser apenas algo que se lê e encontrar morada no leitor — um lugar de permanência na memória, no imaginário e na maneira como ele passa a interpretar a si mesmo e o mundo.

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