Educação

Fernanda Pessoa recebe Título de Cidadã do Recife

Câmara do Recife concedeu o título à fundadora do Curso Fernanda Pessoa, referência em aprovações no Enem e na Medicina da UFPE

Equipe Corrivus
Publicado em 10/08/2026, às 19h22

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Resumo da matéria

A Câmara Municipal do Recife concedeu à educadora Fernanda Pessoa o Título de Cidadã do Recife, em sessão solene na noite de quinta-feira (6), por proposta da vereadora Kari Santos (PT). Fundadora do Curso Fernanda Pessoa, ela soma mais de 300 mil alunos ativos, 100 mil já formados e 128 aprovações em primeiro lugar no Enem. Sertaneja de Arcoverde, chegou ao Recife em 2000 enfrentando recusas no mercado de trabalho antes de criar seu próprio curso, hoje referência nacional em bolsas por critério socioeconômico.

Fernanda Pessoa recebe Título de Cidadã do Recife

Educadora Fernanda Pessoa é homenageada em sessão solene na Câmara Municipal do Recife Crédito: CMR

Mais de 300 mil alunos ativos, 100 mil já formados, 128 primeiros lugares no Enem: são números como esses que explicam por que a Câmara Municipal do Recife decidiu, na noite de quinta-feira (6), transformar a fundadora do Curso Fernanda Pessoa em Cidadã do Recife — título concedido por proposta da vereadora Kari Santos (PT), em sessão presidida pelo vereador Zé Neto (PSB).

A solenidade teve pouco de formal: o plenário lotou de alunos e professores do curso, e a própria homenageada chegou a dançar frevo abraçada aos amigos no meio da sessão. Zé Neto, que preside a Casa há seis anos, resumiu o clima dizendo nunca ter visto 'uma solenidade tão animada' quanto aquela.

Antes de virar referência na educação pernambucana, Fernanda Dantas Pessoa teve que driblar o próprio mercado de trabalho. Sertaneja de Arcoverde, chegou ao Recife em 2000, com 20 anos, e esbarrou em uma sequência de recusas — sotaque, gênero, idade e maternidade recente pesaram contra ela em vaga após vaga, até ser demitida repetidas vezes por não se encaixar no modelo tradicional de dar aula. Foi diante desse impasse, e sem rede de apoio, que decidiu abrir seu próprio curso.

O que veio depois viraria um dos maiores nomes do ensino preparatório do país. Já em 2007, mais de 70% dos aprovados em Medicina na Universidade Federal de Pernambuco vinham das salas dela — e o curso se tornaria pioneiro ao oferecer 1.500 bolsas integrais por ano com base só em critério socioeconômico, número que hoje gira entre 30 e 40 mil bolsas anuais. A virada para o ensino online, em 2019, ampliou o alcance para todos os estados do país e o Distrito Federal, resultado que aparece hoje em três notas máximas na redação de uma única edição do Enem, somadas às 128 aprovações em primeiro lugar no exame ao longo dos anos.

Autora da homenagem, a vereadora Kari Santos foi aluna e bolsista do curso por dois anos antes de entrar para a política, e credita à professora 'a porta do vestibular' que mudou sua trajetória. No discurso, relembrou as lutas de Fernanda por uma educação mais inclusiva e as perseguições que sofreu de donos de escolas ao longo da carreira.

Ao subir à tribuna para agradecer, Fernanda prometeu ser breve — mas falou das 20h47 às 22h14, estourando os protocolos da Casa. Entre histórias pessoais, casos engraçados e lembranças da fase em que vendia doces para sobreviver, apresentou a família presente ao plenário e resumiu sua motivação: 'nasci para dar oportunidade às pessoas'. Fez questão de convidar todos a conhecer Arcoverde, terra que, segundo ela, lhe deu a força para seguir em frente, e encerrou lembrando que 'este momento não é sobre mim, mas sobre nós'.

A cerimônia também teve exibição de vídeo sobre o trabalho da educadora, apresentação da Orquestra do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife e a entrega de buquês pela neta Helena e pelo marido, Robson Salvador — também coordenador pedagógico do curso. A mesa de honra reuniu ainda o diretor da instituição, Mauro Mendes.

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