Saúde

Esclerose Múltipla afeta 40 mil brasileiros e atinge mais mulheres jovens

Neurologista do Hospital Santa Joana Recife alerta sobre sintomas, fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce no Dia Mundial da doença

Equipe Corrivus
Publicado em 29/05/2026, às 00h01

Compartilhar:
Resumo da matéria

A Esclerose Múltipla (EM) afeta cerca de 40 mil brasileiros e é mais comum em mulheres jovens entre 15 e 50 anos. A doença autoimune e crônica compromete o sistema nervoso central, causando surtos com sintomas que vão de perda visual a dificuldades de locomoção. Embora não tenha cura, existem 14 medicamentos aprovados pela Anvisa para controle da doença. O neurologista José Luiz Inojosa, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, alerta que o diagnóstico precoce é determinante para preservar a qualidade de vida dos pacientes.

Esclerose Múltipla afeta 40 mil brasileiros e atinge mais mulheres jovens

Crédito: Ilustração

A Esclerose Múltipla (EM) afeta cerca de 40 mil brasileiros, segundo estimativa do Ministério da Saúde. Doença autoimune, crônica e inflamatória, ela compromete o sistema nervoso central ao atacar a mielina — camada que reveste os neurônios e permite a transmissão adequada dos impulsos nervosos. A condição é mais comum em mulheres jovens entre 15 e 50 anos, embora também ocorra em crianças e em pessoas acima dessa faixa etária.

Os primeiros sinais costumam surgir de forma repentina. Segundo o neurologista José Luiz Inojosa, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, os sintomas mais frequentes são perda ou embaçamento visual em um dos olhos, dormência, fraqueza, dificuldade para andar e alterações urinárias. 'Esses sintomas precisam durar mais do que 24 horas e ocorrer na ausência de febre', explica o médico, que orienta buscar atendimento médico urgente diante de sintomas visuais ou de desequilíbrio.

A predominância feminina na doença está possivelmente relacionada às oscilações hormonais. 'Com raras exceções, quase todas as doenças inflamatórias autoimunes são mais comuns nas mulheres. Em tese, as oscilações hormonais contribuem para o descontrole do sistema imune e podem facilitar tanto o controle quanto o descontrole desse sistema', afirma Inojosa. Quanto à incidência em adultos jovens, o especialista atribui o fato ao maior nível de atividade do sistema imunológico nessa fase da vida.

Além de fatores genéticos, baixa exposição solar, deficiência de vitamina D, infecções virais e tabagismo estão entre os fatores associados ao aumento do risco de desenvolver a doença.

Embora não tenha cura, a EM conta com tratamento. O Ministério da Saúde lista 14 medicamentos aprovados pela Anvisa para a doença, que atuam modificando a resposta imune e retardando a progressão. 'Muitos pacientes jovens ficam com medo da doença, porém, hoje em dia, as terapias são cada vez mais modernas, seguras e de alta eficácia. Muitos pacientes conseguem entrar em remissão, ou seja, continuam com o diagnóstico, mas sem sintomas e sem atividade da doença nos exames', explica o neurologista.

Inojosa alerta, porém, para os riscos da demora no início do tratamento. 'Quanto mais precoce for o tratamento, maior a chance de preservar estruturas importantes do sistema nervoso e manter uma expectativa de qualidade de vida alta para esses pacientes', conclui.

Compartilhar: