Afta que não cicatriza pode ser sinal de câncer de boca; saiba quando se preocupar
Campanha Maio Vermelho alerta para sintomas discretos da doença; tabagismo eleva risco em 4,5 vezes e diagnóstico precoce aumenta as chances de cura
Resumo da matéria
No Maio Vermelho, campanha de conscientização sobre o câncer de boca, oncologista do Hospital Santa Joana Recife alerta para sinais discretos que podem indicar a doença, como aftas persistentes, manchas esbranquiçadas e feridas que não cicatrizam em até 15 dias. O câncer de boca e orofaringe é o quinto tumor mais frequente entre os homens no Brasil e costuma ser diagnosticado em estágios avançados. Tabagismo, alcoolismo e infecção pelo HPV estão entre os principais fatores de risco.
Uma afta que demora a cicatrizar, uma mancha esbranquiçada na língua ou um ferimento que parece inofensivo podem ser sinais de câncer de boca. Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de boca e orofaringe é o quinto tumor mais frequente entre os homens no Brasil e, na maioria das vezes, é diagnosticado em estágios avançados. A doença pode atingir lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua e a região abaixo da língua.
O principal desafio é que os sintomas iniciais costumam ser discretos e facilmente confundidos com aftas ou irritações provocadas por aparelhos ortodônticos e próteses dentárias. A regra prática, segundo especialistas, é simples: lesões que não cicatrizam em até 15 dias devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
O oncologista Nildevande Firmino, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, alerta para os principais sinais. 'Feridas na boca que persistem por semanas e não cicatrizam, manchas esbranquiçadas, dor e sangramento durante a mastigação ou deglutição, alterações na voz e massas no pescoço são alguns dos sinais de alerta que precisamos ficar atentos', informa. O Ministério da Saúde acrescenta ainda caroços nos lábios, rouquidão persistente, dificuldade para mastigar, engolir ou falar, sensação de algo preso na garganta e perda de peso sem causa aparente.
Quanto aos fatores de risco, o tabagismo se destaca. 'Fumantes têm risco 4,5 vezes maior de desenvolver câncer de boca, podendo ser ainda maior a depender da carga tabágica. Além disso, etilistas e pacientes com infecção pelo HPV têm um maior risco de desenvolver câncer de boca, assim como outros tumores de garganta', explica Nildevande. Outros fatores incluem dieta pobre em frutas e verduras e exposição solar sem proteção nos lábios.
Para a prevenção, o especialista destaca a cessação do tabagismo, a redução do consumo de álcool, a vacina contra o HPV e o exame físico regular da cavidade oral. Ao perceber qualquer alteração persistente, a recomendação é procurar atendimento especializado. Se houver suspeita, o profissional poderá indicar uma biópsia para confirmar o diagnóstico. O tratamento é realizado por cirurgia, que pode ser simples nos casos de lesões pequenas ou mais complexa quando o tumor apresenta maiores dimensões.