Audiência pública discute direitos de pacientes com fibromialgia em Jaboatão dos Guararapes
Encontro na Câmara de Jaboatão reuniu gestores e pacientes para discutir diretrizes assistenciais e critérios do INSS
Resumo da matéria
A Câmara Municipal de Jaboatão dos Guararapes realizou nesta segunda-feira (10) uma Audiência Pública sobre Fibromialgia, atendendo a requerimento do vereador Marcelo Adriano (PDT). O encontro reuniu gestores municipais e representantes de pacientes para discutir diretrizes assistenciais, critérios do INSS para concessão de benefícios e a ampliação da rede pública de saúde. A secretária executiva de Saúde, Nadjane Arcanjo, confirmou a criação de um Ambulatório de Dor na Policlínica Carneiro Lins, e o vereador anunciou o fechamento do contrato de aluguel de uma futura Casa de Apoio, em Cajueiro Seco.
Audiência pública sobre fibromialgia na Câmara Municipal de Jaboatão dos Guararapes Crédito: Secom CMJG
Um novo Ambulatório de Dor na Policlínica Carneiro Lins, uma Casa de Apoio a caminho no bairro de Cajueiro Seco e uma carteira municipal de identificação já em circulação: foi esse o balanço de conquistas apresentado nesta segunda-feira (10) durante a Audiência Pública sobre Fibromialgia na Câmara de Jaboatão dos Guararapes, convocada pelo vereador Marcelo Adriano (PDT) por meio do Requerimento nº 535/2026.
Por trás dos anúncios, o debate expôs o cotidiano de quem convive com a doença. O próprio Marcelo Adriano citou casos de pacientes barrados ou questionados em filas preferenciais, defendendo mais garantias de prioridade para quem tem o diagnóstico. A coordenadora do projeto Viver Melhor com Fibromialgia, Juliana Lira, foi na mesma direção ao apontar uma falha recorrente nos laudos médicos, que costumam registrar apenas o diagnóstico e o código da Classificação Internacional de Doenças (CID), 'sem as limitações diárias do paciente que não consegue subir uma escada'. Já o presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Rodrigo Santos, descreveu os picos de dor como equivalentes a somar viroses e fadiga extrema, e defendeu que a carteira de identificação passe a prever a presença de um acompanhante, por causa dos lapsos cognitivos e motores que a crise pode provocar.
Há também uma dimensão previdenciária pouco conhecida pelos pacientes. Segundo a advogada Patrícia Galindo, da Comissão de Seguridade Social da OAB Pernambuco, um exame multidisciplinar pode mudar o resultado de pedidos de benefício junto ao INSS: em vez de depender só da perícia médica tradicional, o segurado passa a ser 'avaliado por outros profissionais no próprio INSS, com psicólogos, assistente social e o perito médico'.
No tratamento em si, o recado das especialistas foi direto: fibromialgia não tem cura, mas tem controle possível. A enfermeira integrativa Iara Cavalcante lembrou que cerca de 30% dos pacientes acompanhados estão acima do peso, o que torna a reeducação alimentar e os exercícios graduais parte essencial do cuidado — e resumiu que 'analgésico não é tratamento'. Do lado da rede pública, a secretária executiva de Saúde, Nadjane Arcanjo, afirmou que a equipe já constrói 'uma linha de cuidado pensada para o paciente com dor crônica', hoje sustentada por 416 consultas mensais em reumatologia, 1.837 em psiquiatria e 1.579 em ortopedia.
Para a vereadora Flora Felix (PRD), o simples fato de reunir gestores, especialistas e pacientes na mesma sala já mudou algo na prefeitura: segundo ela, a audiência ajudou a despertar 'essa sensibilidade na Secretaria de Saúde'. Marcelo Adriano encerrou o debate adiantando que pretende protocolar uma petição junto à prefeitura e apresentar um projeto de lei municipal relacionado ao tema.