Saúde

Audiência pública discute direitos de pacientes com fibromialgia em Jaboatão dos Guararapes

Encontro na Câmara de Jaboatão reuniu gestores e pacientes para discutir diretrizes assistenciais e critérios do INSS

Equipe Corrivus
Publicado em 10/08/2026, às 19h40

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Resumo da matéria

A Câmara Municipal de Jaboatão dos Guararapes realizou nesta segunda-feira (10) uma Audiência Pública sobre Fibromialgia, atendendo a requerimento do vereador Marcelo Adriano (PDT). O encontro reuniu gestores municipais e representantes de pacientes para discutir diretrizes assistenciais, critérios do INSS para concessão de benefícios e a ampliação da rede pública de saúde. A secretária executiva de Saúde, Nadjane Arcanjo, confirmou a criação de um Ambulatório de Dor na Policlínica Carneiro Lins, e o vereador anunciou o fechamento do contrato de aluguel de uma futura Casa de Apoio, em Cajueiro Seco.

Audiência pública discute direitos de pacientes com fibromialgia em Jaboatão dos Guararapes

Audiência pública sobre fibromialgia na Câmara Municipal de Jaboatão dos Guararapes Crédito: Secom CMJG

Um novo Ambulatório de Dor na Policlínica Carneiro Lins, uma Casa de Apoio a caminho no bairro de Cajueiro Seco e uma carteira municipal de identificação já em circulação: foi esse o balanço de conquistas apresentado nesta segunda-feira (10) durante a Audiência Pública sobre Fibromialgia na Câmara de Jaboatão dos Guararapes, convocada pelo vereador Marcelo Adriano (PDT) por meio do Requerimento nº 535/2026.

Por trás dos anúncios, o debate expôs o cotidiano de quem convive com a doença. O próprio Marcelo Adriano citou casos de pacientes barrados ou questionados em filas preferenciais, defendendo mais garantias de prioridade para quem tem o diagnóstico. A coordenadora do projeto Viver Melhor com Fibromialgia, Juliana Lira, foi na mesma direção ao apontar uma falha recorrente nos laudos médicos, que costumam registrar apenas o diagnóstico e o código da Classificação Internacional de Doenças (CID), 'sem as limitações diárias do paciente que não consegue subir uma escada'. Já o presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Rodrigo Santos, descreveu os picos de dor como equivalentes a somar viroses e fadiga extrema, e defendeu que a carteira de identificação passe a prever a presença de um acompanhante, por causa dos lapsos cognitivos e motores que a crise pode provocar.

Há também uma dimensão previdenciária pouco conhecida pelos pacientes. Segundo a advogada Patrícia Galindo, da Comissão de Seguridade Social da OAB Pernambuco, um exame multidisciplinar pode mudar o resultado de pedidos de benefício junto ao INSS: em vez de depender só da perícia médica tradicional, o segurado passa a ser 'avaliado por outros profissionais no próprio INSS, com psicólogos, assistente social e o perito médico'.

No tratamento em si, o recado das especialistas foi direto: fibromialgia não tem cura, mas tem controle possível. A enfermeira integrativa Iara Cavalcante lembrou que cerca de 30% dos pacientes acompanhados estão acima do peso, o que torna a reeducação alimentar e os exercícios graduais parte essencial do cuidado — e resumiu que 'analgésico não é tratamento'. Do lado da rede pública, a secretária executiva de Saúde, Nadjane Arcanjo, afirmou que a equipe já constrói 'uma linha de cuidado pensada para o paciente com dor crônica', hoje sustentada por 416 consultas mensais em reumatologia, 1.837 em psiquiatria e 1.579 em ortopedia.

Para a vereadora Flora Felix (PRD), o simples fato de reunir gestores, especialistas e pacientes na mesma sala já mudou algo na prefeitura: segundo ela, a audiência ajudou a despertar 'essa sensibilidade na Secretaria de Saúde'. Marcelo Adriano encerrou o debate adiantando que pretende protocolar uma petição junto à prefeitura e apresentar um projeto de lei municipal relacionado ao tema.

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