Novembro Bordô teve abertura em Campo Grande no dia 4 com foco no câncer de boca
Orientação à população é procurar uma unidade de saúde diante de alterações na boca que persistam por mais de 15 dias.
Resumo da matéria
A campanha Novembro Bordô teve abertura nesta quarta-feira (4), na sede da ABO-MS, em Campo Grande, com profissionais de saúde e estudantes de Odontologia. A mobilização aborda prevenção, identificação dos sinais do câncer de boca e organização do atendimento. Desde 2023, a SES desenvolve a Linha de Cuidado da doença em Mato Grosso do Sul. A recomendação é buscar uma unidade de saúde diante de alterações que persistam por mais de 15 dias.
A Linha de Cuidado do Câncer de Boca conta com o TeleEstomato/MS para avaliação de lesões suspeitas por especialistas. Crédito: André Lima/Governo MS
A campanha Novembro Bordô foi aberta nesta quarta-feira (4), na sede da ABO-MS, em Campo Grande, com a participação de profissionais de saúde e estudantes de Odontologia. A mobilização envolve a prevenção do câncer de boca, a identificação dos sinais da doença e a organização do atendimento aos pacientes.
Sétimo tipo de câncer mais frequente no Brasil, o câncer de boca atinge principalmente homens acima de 40 anos. Cerca de 80% dos diagnósticos no país ocorrem em estágios avançados, quando o tratamento pode exigir cirurgias extensas e comprometer a qualidade de vida dos pacientes. Em Mato Grosso do Sul, a incidência da doença ainda preocupa, apesar das ações de orientação e prevenção.
O diagnóstico precoce começa na Atenção Primária. Desde 2023, a SES desenvolve a Linha de Cuidado do Câncer de Boca em Mato Grosso do Sul, voltada à sensibilização dos profissionais de saúde bucal, ao diagnóstico precoce e à organização dos fluxos de encaminhamento dos pacientes na rede de atendimento.
A linha de cuidado conta com o TeleEstomato/MS, que permite aos dentistas da Atenção Primária enviar fotografias de lesões suspeitas para avaliação de especialistas. A partir da orientação recebida, o dentista pode definir a conduta clínica e o encaminhamento necessário.
Pacientes com suspeita de câncer de boca podem ser direcionados ao CEO para investigação, incluindo biópsia. Os casos confirmados que necessitam de intervenção hospitalar seguem para atendimento nos serviços especializados.
O coordenador de Saúde Bucal da SES, Lucas Moura, explicou que a doença nem sempre apresenta sinais perceptíveis ao paciente, pois muitas vezes é silenciosa e não provoca dor. Por isso, destacou que a atuação dos profissionais é fundamental para a detecção e que as consultas de rotina devem incluir a avaliação de toda a cavidade bucal. Ele também orientou a população a procurar os serviços de saúde regularmente, e não apenas quando houver dor ou algum problema percebido.
Edson Lucena, coordenador geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, explicou que os dentistas das unidades básicas devem atuar além da demanda espontânea e examinar toda a boca durante as consultas de rotina, inclusive nos atendimentos para aplicação de flúor, restaurações e extrações. Segundo ele, essa avaliação permite identificar alterações iniciais que podem passar despercebidas. As equipes de saúde também devem identificar e acompanhar as pessoas mais expostas aos fatores de risco.
A presidente do CRO-MS, Silvânia Silvestre, afirmou que o diagnóstico inicial é determinante para aumentar as chances de cura e reduzir os impactos do tratamento. Segundo ela, a possibilidade de cura supera 90% quando a doença é diagnosticada no início, o que motiva os trabalhos de orientação e prevenção. Silvânia também avaliou que a união entre instituições, profissionais e universidades é importante para informar a população e estimular a busca por atendimento odontológico.
Feridas persistentes, manchas vermelhas ou brancas, ardência e caroços na boca estão entre os sinais que merecem avaliação. A recomendação à população é procurar uma unidade de saúde diante de qualquer alteração que permaneça por mais de 15 dias. Edson ressaltou que feridas ou caroços que não desaparecem em até 15 dias são sinais de alerta e que a identificação inicial aumenta muito a possibilidade de cura, além de evitar mutilações que comprometem a vida dos pacientes.
O acompanhamento odontológico regular e a procura por atendimento diante de alterações persistentes são medidas importantes para identificar a doença no momento adequado. A orientação é realizar consultas odontológicas regularmente, preferencialmente a cada seis meses. A prevenção também inclui a redução de fatores de risco, como tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas, e a proteção contra a exposição solar excessiva.