Educação

Mulheres em tecnologia: incentivo na infância reduz desigualdade em STEM

Dados do Ipea, UNESCO e Serasa mostram que mulheres ainda são minoria em carreiras tecnológicas; alunas pernambucanas chegam à semifinal de desafio do MIT

Equipe Corrivus
Publicado em 06/06/2026, às 22h32

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Resumo da matéria

Apesar de serem maioria no ensino superior, as mulheres ainda representam apenas 35% das matrículas em cursos de STEM no Brasil, segundo a UNESCO, e apenas 0,08% da população feminina adulta trabalha em TI, contra 0,34% dos homens, de acordo com a Serasa Experian (2025). Especialistas apontam o incentivo desde a infância como caminho para reduzir essa diferença. Em Pernambuco, alunas da ABA Global Education chegaram à semifinal de um desafio do MIT e integraram três equipes classificadas para etapa regional do Technovation Girls, no Centro de Informática da UFPE.

Mulheres em tecnologia: incentivo na infância reduz desigualdade em STEM

Iniciativas de incentivo à tecnologia para meninas buscam ampliar a presença feminina em carreiras de ciência e engenharia Crédito: Divulgação

As mulheres são maioria no ensino superior brasileiro, mas seguem como minoria em cursos e carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática — as áreas chamadas de STEM. Os dados são expressivos: apenas 35% das matrículas nesses cursos são femininas, segundo a UNESCO, e para cada mulher atuando em tecnologia no Brasil há quatro homens, de acordo com levantamento da Serasa Experian de 2025. Para especialistas, ampliar esse acesso começa antes da universidade.

O quadro detalhado pelos dados reforça a distância entre os gêneros. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2023, indica que as mulheres representam 52% dos pesquisadores em ciência e tecnologia na área de ciências da saúde, enquanto engenharia e computação permanecem com predominância masculina. No mercado de trabalho, a Serasa Experian registrou em 2025 um crescimento de 4,6% no número de mulheres em tecnologia no Brasil em relação ao ano anterior, passando de 69,8 mil para 73 mil profissionais — ainda assim, apenas 0,08% da população feminina adulta do país, contra 0,34% dos homens.

Em Pernambuco, iniciativas voltadas a meninas têm produzido resultados concretos. Estudantes do ensino médio da ABA Global Education chegaram à semifinal do Regenerative Futures: Innovation Challenge, desafio promovido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), ao desenvolverem um filtro antialagamento fabricado com resíduos de garrafas PET. O protótipo físico será entregue em julho, e o resultado da final será divulgado na conferência anual dos Fablabs — FAB26 —, que acontece de 27 a 31 de julho, em Boston, nos Estados Unidos.

No mesmo ano, outras alunas da instituição integraram três das 20 equipes pernambucanas classificadas para a etapa regional do Technovation Girls, programa internacional que desafia meninas e jovens mulheres a criarem soluções tecnológicas para problemas reais. A etapa foi realizada no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco. Os projetos desenvolvidos pelas alunas da educação infantil incluíram jogos educativos sobre preservação de animais selvagens, desmatamento da Amazônia e combate aos maus-tratos contra animais.

Martha Santos, mentora dos projetos e Assistente Maker da ABA Global Education, afirma que essas experiências desenvolvem habilidades que vão além da tecnologia. “As meninas exercitam trabalho em equipe, criatividade, comunicação, senso crítico, resolução de problemas e protagonismo. Elas deixam de ser apenas consumidoras de tecnologia para se tornarem criadoras de soluções com impacto real”, diz. Para ela, o efeito mais duradouro está na autoconfiança: “Quando as meninas têm a oportunidade de criar projetos e perceber que são capazes de desenvolver tecnologia, elas passam a se enxergar como protagonistas desses espaços. Isso contribui não apenas para o aprendizado, mas também para ampliar perspectivas de futuro e confiança para ocupar espaços tradicionalmente associados aos homens.”

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