Alfabetização emocional: por que nomear sentimentos importa na infância
Especialistas defendem que ajudar crianças a reconhecer e expressar emoções desde cedo favorece a autorregulação, a comunicação e a capacidade de lidar com conflitos
Resumo da matéria
Reconhecer, compreender e expressar emoções desde cedo é o que especialistas chamam de alfabetização emocional. Psicóloga Sofia Lima, do Colégio Salesiano Recife, defende que o processo favorece a autorregulação emocional, a comunicação e a capacidade de lidar com conflitos. A coordenadora Marta Rocha explica como a escola incorpora o tema à rotina da educação infantil por meio de atividades lúdicas, e reforça que a participação da família também é considerada fundamental.
Atividades lúdicas e rodas de conversa são usadas para trabalhar emoções com crianças na educação infantil Crédito: Ilustração
A ideia pode parecer simples, mas tem base sólida: quando a criança consegue identificar o que sente — tristeza, raiva, medo, frustração ou alegria — ela desenvolve mais autorregulação emocional, melhora a comunicação e aprende a lidar com conflitos e desafios do cotidiano de forma mais saudável. É o que defende Sofia Lima, psicóloga da educação infantil do Colégio Salesiano Recife. 'Estimular esse contato com as emoções desde cedo pode trazer impactos positivos para diferentes áreas ao longo da vida', afirma.
Sofia ressalta que o processo precisa respeitar a faixa etária da criança e acontecer de forma acolhedora. 'Muitas vezes, a criança demonstra emoções através do comportamento porque ainda não consegue verbalizar. Por isso, é importante criar espaços seguros de escuta e diálogo', acrescenta.
No Colégio Salesiano Recife, a alfabetização emocional faz parte da rotina dos estudantes da educação infantil. A coordenadora da etapa, Marta Rocha, conta que o tema é trabalhado por meio de atividades lúdicas e interativas. 'Promovemos a leitura de livros que abordam emoções, rodas de conversa, pinturas e dinâmicas que incentivam as crianças a falarem sobre sentimentos e experiências', descreve.
O assunto também entra na pauta das reuniões com os pais. Para Marta, o ambiente familiar tem papel igualmente relevante nesse processo. 'Pequenas atitudes no dia a dia, como conversar sobre sentimentos, validar emoções e incentivar a expressão emocional, podem fortalecer o desenvolvimento infantil', conclui.