Saúde

HC-UFPE realiza neovaginoplastias com pele de tilápia em três pacientes no Recife

Procedimento integra pesquisa clínica da Universidade Federal do Ceará; hospital realizou duas cirurgias primárias e uma secundária.

Equipe Corrivus
Publicado em 29/10/2026, às 23h51

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Resumo da matéria

Três pacientes do Espaço de Acolhimento e Cuidado de Pessoas Trans e Travestis do HC-UFPE, em Recife (PE), passaram por neovaginoplastia com pele de tilápia do Nilo nos últimos dias 27 e 28. Foram duas cirurgias primárias e uma secundária. O procedimento integra pesquisa clínica da Universidade Federal do Ceará, que busca melhorar a funcionalidade da neovagina. Desenvolvedor da técnica, Leonardo Bezerra participou das cirurgias e treinou a equipe.

HC-UFPE realiza neovaginoplastias com pele de tilápia em três pacientes no Recife

HC-UFPE realizou duas neovaginoplastias primárias e uma secundária com pele de tilápia do Nilo. Crédito: Divulgação

Três pacientes do Espaço de Acolhimento e Cuidado de Pessoas Trans e Travestis do HC-UFPE/HU Brasil, no Recife (PE), passaram por neovaginoplastia com pele de tilápia do Nilo nos últimos dias 27 e 28. Os procedimentos, que ampliam o canal vaginal, integram uma pesquisa clínica da Universidade Federal do Ceará (UFC). Foram realizadas duas cirurgias primárias e uma secundária.

O HC, uma das referências nacionais em cirurgias de afirmação de gênero, é parceiro do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC na pesquisa. O estudo abrange a correção de agenesia vaginal, conhecida como síndrome de Rokitansky, a reconstrução do canal vaginal em mulheres que fizeram radioterapia e o alongamento do canal em cirurgias de afirmação de gênero.

Desenvolvedor da técnica, Leonardo Bezerra participou das cirurgias, compartilhou conhecimento e treinou a equipe do Espaço Trans. Ele é professor de ginecologia da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC) e professor da UFC.

Segundo Bezerra, a pele de tilápia liofilizada funciona como um arcabouço para o crescimento e a proliferação celular, criando um canal vaginal. Na avaliação do professor, o material é uma prótese biológica de baixíssimo custo e segura, que, por ser estéril, não apresenta infecção cruzada nem contaminação.

O pesquisador explicou que a técnica atual utiliza a inversão da pele do pênis, o que limita a dimensão do canal vaginal. A hipótese investigada, segundo ele, é que a pele de tilápia possa promover um canal fisiologicamente melhor, mais longo, largo, elástico e funcional para a relação sexual.

A pesquisa tem como objetivo tornar a neovagina mais funcional, com maior profundidade e calibre, e gerar impacto positivo sobre a sexualidade, a autoimagem genital e corporal, a satisfação e a qualidade de vida da paciente.

Bezerra afirmou que a pele de tilápia pode ser usada para alongar o canal vaginal em cirurgias secundárias destinadas a tratar complicações de cirurgias de afirmação de gênero, como o fechamento do canal. Segundo ele, o material também pode ser empregado em cirurgias primárias de afirmação de gênero, evitando a possibilidade de procedimentos corretivos.

A ginecologista do HC Aleide Tavares informou que a expectativa é utilizar a pele de tilápia nas próximas cirurgias ao longo de um ano. Nesse período, serão acompanhados a evolução da adaptação da pele e o grau de satisfação das pacientes com a possibilidade de melhor funcionalidade da vagina.

De acordo com Bezerra, a UFC desenvolve pesquisas com pele de tilápia para reconstrução do canal vaginal desde 2017. O professor relatou que mais de 50 casos já foram realizados para corrigir a agenesia vaginal, ausência congênita do canal vaginal chamada síndrome de Rokitansky.

A primeira neovaginoplastia com pele de tilápia em uma paciente trans foi realizada em dezembro de 2024, no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O procedimento adaptou uma técnica já utilizada com eficácia comprovada no tratamento de queimaduras e na reconstrução do canal vaginal em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer.

O HC-UFPE integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada pela Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu com o nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A HU Brasil é responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

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