Futsal vira ferramenta de transformação social para adolescentes da Funase no Recife
Iniciativa na Casa de Semiliberdade Harmonia envolve Secretarias de Saúde e Esportes, Distrito Sanitário IV e academia pública; encontros acontecem às terças e quintas, no período da manhã
Resumo da matéria
A Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) desenvolve um projeto piloto na Casa de Semiliberdade Harmonia, no Recife, que utiliza o futsal como estratégia socioeducativa para adolescentes entre 14 e 21 anos. A iniciativa envolve as secretarias municipais de Saúde e Esportes, o Distrito Sanitário IV e uma academia pública. Os encontros acontecem às terças e quintas-feiras, no período da manhã, com entre cinco e 12 participantes por sessão.
Adolescentes atendidos pela Funase participam de projeto socioeducativo de futsal na Casa de Semiliberdade Harmonia, no Recife Crédito: Mirella Anastacio
O futsal virou instrumento de intervenção socioeducativa na Casa de Semiliberdade Harmonia, unidade da Funase no Recife. O projeto piloto atende adolescentes entre 14 e 21 anos e foi articulado de forma intersetorial, reunindo as secretarias municipais de Saúde e Esportes, o Distrito Sanitário IV e uma academia pública em torno de uma proposta que vai além da quadra.
Os encontros acontecem às terças e quintas-feiras, no período da manhã. Antes de entrar nas atividades, cada jovem passa por triagem de saúde realizada pela própria equipe da unidade. Casos que exigem acompanhamento específico são encaminhados ao Distrito Sanitário. A metodologia prevê momentos de acolhimento e convivência e, futuramente, rodas de conversa sobre perspectivas de futuro. O número de participantes varia entre cinco e 12 por sessão, conforme critérios disciplinares e de saúde.
A gestora da unidade, Alinne Medeiros, destacou o que já é visível nessa fase inicial. “É possível perceber o quanto o esporte contribui para a saúde física e emocional desses jovens, além de promover uma disciplina e a melhor convivência no grupo. Ver a dedicação, a alegria no dia dessa atividade reforça a importância de projetos como esse na vida desses adolescentes”, disse.
Jefferson Portto, orientador e pesquisador de sociologia do esporte responsável pelo acompanhamento dos impactos do projeto, definiu o alcance da iniciativa. “Ao oferecer o futsal como espaço de convivência, disciplina, escuta e pertencimento, a iniciativa ajuda adolescentes em situação de vulnerabilidade a encontrarem referências positivas, construírem novas perspectivas de vida e fortalecerem sua relação com a comunidade. Não se trata apenas de esporte, mas de uma estratégia de transformação social, prevenção e cuidado com a juventude”, afirmou.
As atividades esportivas são conduzidas pelo professor Bruno Chaves, árbitro profissional com atuação nas Séries A e B do futebol nacional. Um dos participantes, E.F.A., de 17 anos, resumiu o que o projeto representa para o grupo. “A gente tá gostando muito desse projeto que a Funase tá proporcionando, podendo trazer a gente pra quadra, dando esse momento de lazer e também realizando vários sonhos. Todo mundo é ser humano, todo mundo tem um sonho e vários aqui com um sonho de ser jogador. E a Funase está proporcionando essa oportunidade pra gente”, disse.
A perspectiva é de continuidade e expansão para outras unidades da Funase, com possibilidade de ampliar para outras modalidades esportivas.