Cidadania

Assembleia de PE homenageia 14 artistas e grupos culturais do Pajeú

Certificados de voto de aplausos já foram enviados aos homenageados, que serão recebidos em dois encontros no Sertão do Pajeú nos dias 7 e 8 de agosto

Equipe Corrivus
Publicado em 04/08/2026, às 20h59

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Resumo da matéria

O Pajeú Pernambucano, microrregião com mais de três séculos de história e tradição na literatura, no artesanato e na cultura popular, recebeu um Voto de Aplausos da Assembleia Legislativa de Pernambuco na última sessão antes do recesso, em junho de 2026. A homenagem, aprovada sob proposição da deputada Dani Portela (PT) a partir da articulação do jornalista Leonardo Lemos, contempla 14 artistas e grupos culturais identificados por meio de pesquisas sobre artesanato, povos tradicionais, pífanos, cocos de roda e filarmônicas do Pajeú. Os certificados já foram enviados pelos Correios em julho, e as homenagens serão completadas com dois encontros para entrega de placas comemorativas, nos dias 7 e 8 de agosto, em Afogados da Ingazeira e Serra Talhada.

Assembleia de PE homenageia 14 artistas e grupos culturais do Pajeú

Crédito: Reprodução redes sociais

Nos próximos dias, o Sertão do Pajeú vai reunir catorze artistas e grupos culturais em dois encontros marcados por conversa e homenagem. As rodas de diálogo acontecem nesta sexta-feira (7/8), às 19h, no Quilombo Leitão da Carapuça, em Afogados da Ingazeira, e no sábado (8/8), às 14h, no Museu do Cangaço, em Serra Talhada — ambos de entrada gratuita.

Os encontros são desdobramento de um Voto de Aplausos concedido pela Assembleia Legislativa de Pernambuco ao Pajeú Pernambucano na última sessão antes do recesso, em junho de 2026. Esse tipo de voto é uma homenagem oficial da Casa, concedida como reconhecimento público e manifestação simbólica de louvor a pessoas, grupos, entidades, empresas ou eventos que prestaram serviços relevantes ou deram contribuições importantes à sociedade pernambucana.

A homenagem foi aprovada em Plenário sob proposição da deputada Dani Portela (PT), a partir de um trabalho de articulação do jornalista afogadense Leonardo Lemos. Os certificados individuais já começaram a chegar às casas e sedes dos artistas e grupos em julho, enviados pelos Correios.

O Pajeú Pernambucano é uma microrregião com mais de três séculos de história, marcada por forte tradição na literatura, no artesanato e na cultura popular — elementos apontados como fortalecedores da identidade pernambucana.

Os nomes homenageados vieram de um mapeamento conduzido pelo próprio jornalista. 'Há dois anos estamos realizando um mapeamento do artesanato, daí a necessidade de homenagear nomes como a família Teles, de Calumbi, ou Dona Edenairan, de Triunfo. Pessoas que produzem uma arte genuína e celebrada fora de Pernambuco. A família de Seu Teles, inclusive, fez os acessórios em couro da novela Filhos do Sol. Isso é muito significativo', relata Leonardo Lemos. Além do artesanato, o mapeamento também trouxe povos tradicionais, pífanos, cocos de roda e filarmônicas para a lista de homenageados. 'Como pesquisador, articulei nomes que hoje são fundamentais para a identidade cultural de Pernambuco. São nomes que representam resistência, porque há anos produzem cultura e memória sem o devido reconhecimento, mas também originalidade, que na minha percepção é o que faz o sertão ser tão mágico: nós produzimos encantamento nas pessoas porque somos originais em tudo, dos sabores aos fazeres, passando pela dança, artes, música e até memória', descreve.

Entre os homenageados está o terreiro 'Ilê Asé Oju Ty Olorum', de Calumbi, conduzido por Pai Gonzaga há mais de 30 anos dedicados ao Candomblé e à Jurema — um espaço apontado como território de resistência e consolidação das culturas afroindígenas no Pajeú, de onde já saíram diversos filhos da casa com terreiros próprios.

A tradição do pífano no Pajeú também está representada. Em Carnaíba, o grupo quilombola centenário 'Pífano Travessão do Caroá', liderado pelo Mestre Dezinho, roda o estado inteiro em romarias e festas religiosas; o livro 'Pífanos do Sertão', de Eduardo Monteiro de Lima Neto, aponta Dezinho como um dos maiores pifeiros vivos de Pernambuco. Ainda em Carnaíba, a Banda de Pífanos Santo Antônio, sob regência do Mestre Antônio Pedro, soma 124 anos de existência — o mestre já registrou mais de 200 composições e também é citado como um dos maiores pifeiros do Sertão. Completa esse conjunto a Filarmônica Santo Antônio, formação musical centenária do mesmo município, responsável pela formação de dezenas de músicos ao longo dos anos.

O coco de roda soma outro bloco de homenageados. No quilombo Abelhas, em Carnaíba, Seu Sebastião Gonçalo é reconhecido como exímio testemunha e brincante da manifestação nos Sertões — já foi mestre no passado e ajudou a consolidar o folguedo nas comunidades rurais do complexo de quilombos entre Afogados e Carnaíba. Em Custódia, o grupo 'Samba de Coco Cachoeira da Onça', com a Mestra Joana à frente, guarda a tradição nos quilombos de Quitimbu — área de onde também saíram os cocos Negras e Negros, de Afogados, e Calixto/Raízes, de Arcoverde. O próprio 'Coco Negras e Negros do Leitão', de Afogados da Ingazeira, é Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2023, enquanto o 'Samba de Coco Águas Claras' segue como grupo histórico sediado em Triunfo.

No artesanato, quatro nomes se destacam. Em Serra Talhada, o Mestre Seu Neném, o Eufrázio, é referência no trabalho em couro. Já em Triunfo, o Mestre Chico Santeiro, também Patrimônio Vivo, é ícone do artesanato em madeira e peças religiosas, e a Mestra Edenairan Lima produz, ao lado das filhas, um artesanato diversificado com foco no reaproveitamento de matérias-primas da natureza e no trabalho com tecido. Já em Calumbi, a Família Teles — formada por Seu Pedro Teles, Luiz Teles e Louro Teles — atua há décadas com peças em couro e foi responsável pelos acessórios usados na novela da TV Globo 'Filhos do Sol' (2026).

Completam a lista dos homenageados a historiadora Diana Rodrigues Lopes, de Triunfo, autora de livros e pesquisas e responsável por dezenas de entrevistas que hoje servem de referência sobre a formação histórica do Pajeú, e a Banda Isaías Lima, também de Triunfo, grupo centenário responsável pela formação de jovens músicos e presente até hoje na cena cultural da cidade, inclusive no carnaval.

Os votos de aplauso se transformam em diplomas individuais, enviados às casas ou sedes dos homenageados ao longo de julho. Segundo Leonardo Lemos, os documentos podem ajudar os artistas e grupos a reforçar suas comprovações artísticas e a concorrer a editais como o PNAB ou ao título de Patrimônio Vivo.

Além da homenagem na Assembleia Legislativa, a deputada Dani Portela, autora da proposta, promove os dois encontros já mencionados para rodas de diálogo e entrega de placas comemorativas simbólicas. A programação também reúne outros artistas e coletivos que se somam à homenagem: em Serra Talhada, o Coletivo Cabras de Lampião (dança e teatro), a Mestra Ivanilde Nogueira (artesanato), o Grupo de Artesanato de Serra Talhada (GAST) e o Coletivo Fridas Brechó (artes integradas); em Afogados da Ingazeira, o Coletivo Xerém Cultural (artes integradas e formação), a Batucada Feminista do Sertão do Pajeú (música) e o mestre José Gonçalo da Silva (coco de roda).

O documento completo com a homenagem está disponível em https://www.alepe.pe.gov.br/Flip/pubs/diario-oficial-2026-06-16/Flip.pdf, na página 21.

Serviço

Data: 7 e 8 de agosto de 2026

Horário: 19h (dia 7) e 14h (dia 8)

Local: Quilombo Leitão da Carapuça, em Afogados da Ingazeira, e Museu do Cangaço, em Serra Talhada

Entrada: Gratuita

Projeto/programação: Dia 7 de agosto (sexta-feira), às 19h, no Quilombo Leitão da Carapuça, em Afogados da Ingazeira: roda de diálogo e entrega de placas comemorativas aos artistas homenageados. Dia 8 de agosto (sábado), às 14h, no Museu do Cangaço, em Serra Talhada: roda de diálogo e entrega de placas comemorativas aos artistas homenageados.

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