Rede estadual do Pará chega a 199 escolas de tempo integral em 81 municípios
Em 2026, a rede estadual passou a ofertar 19 cursos técnicos em algumas escolas de tempo integral.
Resumo da matéria
A rede estadual do Pará chegou a 199 escolas de tempo integral em 81 municípios. Em 2026, foram entregues nove escolas com essa modalidade, e a rede passou a ofertar 19 cursos técnicos nas escolas de tempo integral. Segundo a Secretaria de Educação, a jornada ampliada favorece o acompanhamento pedagógico e articula disciplinas regulares, atividades complementares, projetos de vida e, em algumas escolas, cursos técnicos.
Em 2026, a rede estadual do Pará passou a ofertar 19 cursos técnicos nas escolas de tempo integral. Crédito: Eliseu Dias/Ag. Pará
A rede estadual do Pará chegou a 199 escolas de tempo integral, distribuídas por 81 municípios, ante 26 instituições em 2018. A oferta vem sendo ampliada pelo Governo do Estado desde 2019 e, em 2026, nove escolas com essa modalidade foram entregues em diferentes regiões paraenses.
Segundo a Secretaria de Educação do Pará (Seduc), o ensino em tempo integral amplia as possibilidades de acompanhamento pedagógico ao articular disciplinas regulares com atividades complementares, projetos de vida e, em algumas escolas, cursos técnicos. A jornada oferece aos estudantes mais tempo para aprender, esclarecer dúvidas com professores e aprofundar conteúdos.
Entre as unidades entregues em 2026 está a Escola Estadual Suboficial Edvaldo Brandão, no bairro do Tapanã, em Belém, reconstruída com investimento superior a R$ 4 milhões. Na escola, Matemática é distribuída entre aulas regulares, aprofundamento curricular e estudo orientado, com o objetivo de avançar nos conteúdos previstos e retomar habilidades ainda não desenvolvidas pelos estudantes.
Na disciplina de Matemática, os estudantes têm sete aulas semanais, entre aulas regulares, Aprofundamento Curricular e atividades de recomposição da aprendizagem. O professor de Matemática do 1º ano do ensino médio Fábio Barros explica que essa distribuição amplia as possibilidades de identificar as dificuldades das turmas e trabalhar os assuntos de diferentes maneiras.
O acompanhamento também se estende para além dos horários específicos de cada disciplina. Segundo Sherman Palhano, professor de Biologia e Educação Ambiental, a presença diária e o contato mais frequente permitem esclarecer dúvidas, identificar dificuldades e oferecer orientações ao longo da semana. Ele avalia que a convivência fortalece vínculos e favorece o acompanhamento do desenvolvimento de cada aluno, diferentemente do ensino regular, em que professores muitas vezes têm poucos encontros semanais com uma turma e passam dias sem revê-la.
A estudante Cícera Santos, do 2º ano do ensino médio, relata que tinha dificuldade em Matemática e percebe melhora com as oportunidades de rever e compreender os assuntos. Ela se prepara para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quer melhorar principalmente na redação e considera que o tempo maior na escola ajuda a aprofundar conhecimentos e tirar dúvidas com os professores.
A preparação para o Enem integra as atividades de Língua Portuguesa. A professora Márcia Rebelo conta que, antes, poucos alunos manifestavam intenção de fazer o exame e que, hoje, quase todos demonstram interesse, procuram os professores, levam textos para correção e perguntam o que precisam melhorar.
Na avaliação de Márcia, o tempo ampliado e a proximidade permitem acompanhar melhor a aprendizagem e trabalhar a escrita conforme as necessidades individuais dos jovens que pretendem ingressar no ensino superior. A professora também destaca que a tutoria possibilita uma orientação mais próxima, considerando as necessidades dos estudantes ao longo desse processo.
Além da formação geral básica, o ensino em tempo integral inclui clubes, tutorias e projetos de vida. Essas atividades complementares buscam desenvolver autonomia, competências socioemocionais e protagonismo estudantil. Cícera participa do clube de leitura, que se reúne uma vez por mês. Após a reconstrução da escola, a biblioteca passou a oferecer um espaço mais organizado para as atividades do clube e o empréstimo de livros.
Na formação profissional, a rede estadual passou a ofertar, em 2026, 19 cursos técnicos nas escolas de tempo integral. Entre eles estão Desenvolvimento de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, Agroecologia e Meio Ambiente. A oferta contempla diferentes áreas do conhecimento e considera características e possibilidades de desenvolvimento sustentável da Amazônia, além das demandas de setores produtivos.
Os currículos observam as competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as diretrizes da Educação Profissional e Tecnológica. A articulação entre disciplinas, atividades complementares e formação técnica busca ampliar as possibilidades dos estudantes após a educação básica, apoiando a preparação para o ensino superior e oferecendo caminhos de qualificação para o mundo do trabalho.
Das nove escolas com ensino em tempo integral entregues em 2026, cinco ficam na Região Metropolitana de Belém: Maria Encarnação de Araújo, em Ananindeua, e Domingos Acatauassu Nunes, Duque de Caxias, Pedro Amazonas Pedroso e Suboficial Edvaldo Brandão, em Belém.
As outras quatro são a Escola Estadual de Ensino Médio Maria das Graças Balbino Corrêa, em Ipixuna do Pará, no Nordeste paraense; a Escola Estadual Benvinda de Araújo Pontes, em Abaetetuba, no Baixo Tocantins; a Escola Estadual Professor Júlio Heleno Lages Pereira, em Santarém, no oeste paraense; e a Escola Estadual Dr. Gaspar Viana, em Marabá, no sudeste paraense.