Câncer de mama em cadelas e gatas: nódulos merecem avaliação veterinária
Animais podem não apresentar dor nas fases iniciais; identificar alterações precocemente pode melhorar as possibilidades de tratamento.
Resumo da matéria
A identificação precoce de alterações mamárias em cães e gatos pode melhorar as possibilidades de tratamento e o prognóstico. A médica-veterinária e professora da Wyden Myriam Santos alerta que mesmo um nódulo pequeno merece avaliação veterinária, pois pode ser maligno, especialmente em gatas. Após o diagnóstico, o tratamento depende do tipo, tamanho e localização do tumor, das mamas acometidas e da avaliação de possíveis metástases.
Alterações mamárias podem ocorrer sem dor ou mudanças de comportamento, principalmente nas fases iniciais. Crédito: Divulgação
A atenção ao câncer de mama durante o Outubro Rosa também se estende à saúde dos pets. Cães e gatos podem desenvolver tumores mamários benignos ou malignos, e a identificação precoce de alterações pode melhorar as possibilidades de tratamento e o prognóstico. Segundo Myriam Santos, médica-veterinária e professora da Wyden, o acompanhamento das mamas deve fazer parte dos cuidados de rotina com cadelas e gatas.
Myriam explica que o câncer de mama é a neoplasia mais comum nas cadelas e o terceiro tipo mais frequente nas gatas. Nas cadelas, há uma proporção considerável de tumores benignos e malignos, com grande variedade de tipos histológicos e comportamentos biológicos. Já nas gatas, mais de 90% dos tumores mamários são malignos e metastáticos, com possibilidade de atingir outros órgãos, especialmente os pulmões.
As neoplasias mamárias são mais frequentes em animais adultos e idosos, o que exige atenção crescente com a idade. Rayssa Carvalho, médica-veterinária da Wyden, explica que muitos casos em cadelas são diagnosticados a partir da meia-idade e que, nas gatas, a ocorrência também é maior entre adultas e idosas. Para ela, o exame regular das cadeias mamárias é mais importante do que definir uma idade exata. Machos também podem desenvolver câncer de mama, embora isso seja bastante raro, e devem ser observados.
Um dos principais sinais é a presença de um ou mais nódulos ou de áreas de aumento de volume nas mamas. Durante o carinho ou a escovação, o responsável pode perceber um pequeno nódulo ou várias alterações ao longo da cadeia mamária. Cadelas possuem cinco pares de mamas, enquanto gatas têm quatro pares.
Também merecem atenção o aumento ou endurecimento de uma mama, diferenças de tamanho ou consistência entre as mamas, alterações nos mamilos, vermelhidão, mudanças na pele, feridas ou ulcerações sobre o nódulo e secreção pelo mamilo. O animal pode não demonstrar dor nem mudança de comportamento, principalmente nas fases iniciais. Em casos mais avançados, podem ocorrer perda de peso, redução do apetite, dor e dificuldade respiratória, especialmente quando há disseminação do tumor para outros órgãos, como os pulmões.
Myriam orienta que os responsáveis por cadelas e gatas façam a palpação das mamas quinzenalmente ou mensalmente, de maneira delicada, durante o carinho ou a escovação. A recomendação é observar diferenças de tamanho, consistência ou pequenos nódulos e procurar um médico-veterinário ao menor sinal de alteração. A palpação em casa não substitui o acompanhamento profissional, mas ajuda a perceber mudanças que precisam de investigação precoce.
A professora ressalta que mesmo um nódulo pequeno e aparentemente inofensivo merece avaliação veterinária, pois pode ser maligno, especialmente em gatas. Por isso, os responsáveis não devem esperar o surgimento de sintomas para buscar atendimento.
A exposição hormonal ao longo da vida reprodutiva está entre os fatores relacionados ao risco de tumores mamários, e a esterilização precoce pode ter efeito preventivo. Segundo Myriam, a esterilização de gatas antes do primeiro cio pode reduzir em até 90% o risco de desenvolvimento de tumor mamário. O momento adequado da castração, porém, deve ser discutido individualmente com o médico-veterinário, considerando as características e as condições de saúde de cada animal.
Após o diagnóstico, a escolha do tratamento depende do tipo, do tamanho e da localização do tumor, do número de mamas acometidas e, principalmente, da avaliação de possíveis metástases. Rayssa explica que a cirurgia é uma das principais formas de tratamento em cães e gatos, especialmente quando a doença está localizada nas cadeias mamárias. Outros tratamentos, como a quimioterapia, podem ser indicados conforme o tipo e o estágio do tumor.
Antes da cirurgia, de acordo com Rayssa, é realizada uma avaliação clínica completa. Podem ser solicitados exames de sangue e de imagem, como radiografias de tórax e ultrassonografia abdominal, para verificar as condições gerais do animal e investigar a disseminação da doença.
A rotina doméstica pode mudar, principalmente após a cirurgia. Rayssa orienta que o tutor siga rigorosamente as recomendações sobre medicamentos, alimentação, repouso e cuidados com a ferida cirúrgica. Também é necessário impedir que o animal lamba ou traumatize a região operada e restringir as atividades físicas quando isso for recomendado.
No pós-operatório, o tutor deve observar diariamente a presença de inchaço, vermelhidão intensa, secreção, sangramento, abertura dos pontos, dor ou alteração no comportamento, conforme a orientação da veterinária.
Rayssa destaca que o diagnóstico de câncer não implica necessariamente perda de qualidade de vida. Com acompanhamento veterinário adequado, muitos pacientes podem permanecer ativos e confortáveis durante o tratamento.