Saúde

Planos devem cobrir mamografia digital em qualquer idade com indicação médica

Mudança da ANS vale desde 1º de outubro para rastreamento, diagnóstico e acompanhamento do tratamento; especialistas reforçam a importância da detecção precoce.

Equipe Corrivus
Publicado em 13/10/2026, às 17h27

Compartilhar:
Resumo da matéria

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ampliou a cobertura obrigatória da mamografia digital pelos planos de saúde. Desde 1º de outubro, o exame deve ser coberto sem restrição de faixa etária, conforme indicação do médico. A medida abrange rastreamento, diagnóstico e acompanhamento do tratamento; antes, a cobertura obrigatória contemplava mulheres de 40 a 69 anos.

Carita Dutra, analista de qualidade de 45 anos, procurou atendimento após sentir uma dor inédita em uma das mamas no início de 2026. Exames de imagem solicitados por seu ginecologista identificaram um nódulo de cerca de 11 milímetros na mama direita. A investigação posterior confirmou um tumor de 3 milímetros dentro do nódulo. Em julho, Carita passou por cirurgia conservadora, com retirada parcial da mama. Depois, realizou cinco sessões de radioterapia durante cerca de uma semana. A identificação muito precoce do tumor muito pequeno dispensou quimioterapia. Carita segue em acompanhamento médico, e a terapia hormonal indicada deve durar cinco anos.

Estudos brasileiros investigam a possibilidade de remover completamente tumores de mama pequenos, identificados em fase inicial, por técnicas percutâneas e minimamente invasivas. O mastologista do REDIMAMA Dr. Henrique Couto conduz uma dessas pesquisas nacionais. Os resultados preliminares são promissores, mas a abordagem ainda está em validação clínica.

Planos devem cobrir mamografia digital em qualquer idade com indicação médica

Estudos brasileiros investigam a remoção de pequenos tumores de mama por técnicas percutâneas e minimamente invasivas. Crédito: Magnifc

Os planos de saúde devem cobrir a mamografia digital sem restrição de faixa etária desde 1º de outubro, conforme a indicação do médico. A ampliação, decidida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), abrange rastreamento, diagnóstico e acompanhamento do tratamento. Antes, a cobertura obrigatória era destinada a mulheres de 40 a 69 anos.

A mamografia digital é a base do rastreamento do câncer de mama. A mudança ocorre no mês do Outubro Rosa, campanha de conscientização que enfatiza que a identificação mais cedo amplia as possibilidades de um desfecho clínico favorável.

Para Ana Paula Francisqueti, gerente de produtos da Siemens Healthineers, ampliar o acesso à mamografia digital é fundamental para que mais mulheres realizem exames preventivos no momento adequado, sempre com orientação médica. Ela avalia que a identificação nas fases iniciais amplia as possibilidades de tratamento eficaz e de melhores resultados para a paciente.

A gerente explica que a mamografia é frequentemente adiada por falta de tempo, medo ou pela falsa percepção de que a ausência de sintomas dispensa o exame. Segundo ela, o câncer de mama inicial geralmente não apresenta sintomas, o que torna a mamografia importante nessa fase.

A experiência de Carita Dutra, analista de qualidade de 45 anos, envolve a identificação de um tumor muito pequeno. Por recomendação de seu ginecologista, ela acompanha as mamas com mamografia e ultrassom desde os 40 anos. No início de 2026, sentiu uma dor inédita, localizada em apenas uma mama.

Carita relata que o incômodo aparecia sempre no mesmo ponto e a levou a procurar o médico sem adiar. Ela sabia que algumas mulheres sentem dor na fase pré-menstrual ou na perimenopausa e poderia ter atribuído o desconforto a essa fase, mas decidiu investigar porque nunca havia sentido dor nas mamas.

O ginecologista solicitou exames de imagem, que identificaram um nódulo de cerca de 11 milímetros na mama direita. Após o encaminhamento ao mastologista e a investigação, foi confirmado um tumor de 3 milímetros dentro do nódulo. Carita conta que o mastologista lhe explicou que a dor não é um sintoma característico do câncer de mama; ela descreve o incômodo como um acaso.

Em julho, Carita passou por uma cirurgia conservadora, com retirada parcial da mama, seguindo o plano de tratamento definido pela equipe médica. A análise do material cirúrgico mostrou que as margens e os linfonodos avaliados estavam livres de células tumorais. A identificação muito precoce de um tumor muito pequeno permitiu que o tratamento dispensasse quimioterapia.

Depois da cirurgia, foram indicadas cinco sessões de radioterapia, realizadas durante cerca de uma semana. A terapia hormonal indicada deve durar cinco anos, e Carita segue em acompanhamento médico.

A paciente considera que ignorar a dor e não procurar o médico poderia ter levado a um diagnóstico tarde demais e ressalta a importância dos exames periódicos. Na sua avaliação, o diagnóstico precoce oferece mais opções e qualidade de vida. Ela atribui o tratamento mais rápido e o retorno rápido ao trabalho e à vida normal ao tamanho pequeno do tumor.

Durante a radioterapia, Carita observou muitas pacientes jovens na sala de espera. A partir dessa experiência, alerta que o câncer de mama não atinge apenas mulheres mais velhas e recomenda que todas conheçam o próprio corpo, prestem atenção nele e façam exames de rotina.

Entre os avanços da imagem está a tomossíntese, uma evolução da mamografia digital que adquire imagens da mama em diferentes ângulos e gera imagens em camadas. O recurso ajuda a separar estruturas sobrepostas e a avaliar pequenas alterações com mais detalhe, sendo especialmente relevante em mamas densas.

Outra frente envolve estudos brasileiros que investigam a possibilidade de remoção completa de tumores de mama pequenos, identificados em fase inicial, por técnicas percutâneas e minimamente invasivas, reduzindo a necessidade de cirurgia convencional. Os resultados preliminares são promissores, mas a abordagem ainda está em validação clínica.

O mastologista Dr. Henrique Couto, do REDIMAMA, centro de referência em mamografia, conduz uma dessas pesquisas nacionais. Segundo ele, estudos iniciais publicados indicam que encontrar o tumor ainda pequeno pode ampliar as possibilidades de uma jornada menos complexa para o paciente, ainda na fase da biópsia. O médico também ressalta que o acompanhamento regular e a investigação de qualquer alteração nas mamas fazem diferença, conforme o conhecimento já estabelecido.

Ana Paula Francisqueti avalia que a tecnologia de imagem evolui significativamente, mas que a recomendação principal permanece: atenção à saúde das mamas e não adiamento dos exames de rotina.

Compartilhar: