O que fazer

Trilogia Grande Sertão: Veredas no Teatro Brasília Shopping até 25 de outubro

Com atuação de Gilson de Barros e direção de Amir Haddad, três montagens exploram diferentes momentos do romance de João Guimarães Rosa.

Equipe Corrivus
Publicado em 24/10/2026, às 20h07

Compartilhar:
Resumo da matéria

Idealizada e protagonizada por Gilson de Barros, com direção de Amir Haddad, a Trilogia Grande Sertão: Veredas integra a Mostra Teatral de Brasília, no Teatro Brasília Shopping. As montagens Riobaldo, No Meio do Redemunho e O Julgamento de Zé Bebelo exploram amores, a existência do diabo e conflitos entre justiça e violência no romance de João Guimarães Rosa, com encenação minimalista centrada na palavra.

Trilogia Grande Sertão: Veredas no Teatro Brasília Shopping até 25 de outubro

Gilson de Barros protagoniza a Trilogia Grande Sertão: Veredas, dirigida por Amir Haddad no Teatro Brasília Shopping. Crédito: Divulgação/Teatro Brasília Shopping

A Trilogia Grande Sertão: Veredas, idealizada e protagonizada por Gilson de Barros, leva ao Teatro Brasília Shopping três montagens baseadas no romance de João Guimarães Rosa. Com direção de Amir Haddad, a programação integra a Mostra Teatral de Brasília e segue até 25 de outubro, com uma peça por dia. As sessões são anunciadas para sexta-feira e sábado, às 20h, e domingo, às 19h.

Os espetáculos Riobaldo, No Meio do Redemunho e O Julgamento de Zé Bebelo exploram diferentes momentos e questões da obra, dos amores do protagonista à existência do diabo e aos conflitos entre justiça e violência. Em cena, Barros interpreta diferentes personagens e trabalha a musicalidade e os sentidos da linguagem de Rosa.

Em Riobaldo, o ator narra a trajetória e os amores do ex-jagunço, revelando seus afetos e contradições. Entre essas relações estão Diadorim, companheiro de jagunçagem que guarda um segredo transformador; Nhorinhá, associada ao amor carnal e sem julgamentos; e Otacília, que representa a possibilidade de uma vida pacífica.

No Meio do Redemunho apresenta Riobaldo já envelhecido e fazendeiro, em diálogo direto com o público sobre a existência do diabo. A montagem articula contos populares do sertão, reflexões sobre o bem e o mal e a revisão da própria história pelo personagem.

Já O Julgamento de Zé Bebelo encena o confronto entre a lei dos homens e a lei do sertão. Derrotado, o líder jagunço exige ser julgado em vez de sofrer uma execução sumária. Joca Ramiro, o chefe dos chefes, assume a função de juiz e instaura um sistema de justiça entre os jagunços.

Para Haddad, a cena do julgamento representa a sociedade, e a exigência de Zé Bebelo introduz um princípio de civilização no mundo violento dos jagunços. Barros avalia que a reivindicação do personagem de morrer segundo o direito sintetiza a complexidade moral do sertão concebido por Rosa.

As três montagens adotam uma abordagem cênica minimalista, centrada na palavra de Guimarães Rosa, com iluminação cuidadosa e trabalho vocal do ator. Haddad explica que a equipe evitou excessos visuais para manter o texto no centro da encenação e atribui à linguagem do escritor a força de construção desse universo. A trilogia aproxima o público do sertão narrado por Riobaldo por meio da palavra e da atuação.

Com mais de 40 anos de carreira, Gilson de Barros é formado pela UNIRIO e trabalhou com Augusto Boal e Domingos Oliveira. Seu trabalho com a obra de Rosa lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Shell Rio 2023. Haddad, cofundador do Teatro Oficina nos anos 1950, tem experiência com a cena experimental e com a investigação do encontro entre ator, texto e público.

Além da idealização e da atuação, Barros assina o recorte da trilogia. A equipe reúne José Dias no cenário e na direção de arte, Karlla de Luca no cenário e nos figurinos e Aurélio de Simoni na iluminação. A programação visual é de Guilherme Rocha, Mikey Vieira e Pedro Azamor; os dois últimos também respondem pelo trabalho técnico. A realização é da Barros Produções Artísticas Ltda.

A Mostra Teatral de Brasília é apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo Grupo Bali, via Lei Rouanet, com patrocínio da Paulo Octávio Investimentos e apoio do Brasília Shopping.

Os ingressos custam R$ 50,00 a meia-entrada e R$ 100,00 a inteira. Há também ingressos populares, sujeitos à lotação, por R$ 20,00 a meia-entrada e R$ 40,00 a inteira. As vendas são feitas pela Sympla, em https://www.sympla.com.br/produtor/estrellaculturaearte.

O serviço destaca a apresentação de domingo, 25 de outubro, às 19h. A duração informada é de 60 minutos, e a classificação indicativa é de 16 anos. O Teatro Brasília Shopping fica na SCN Quadra 05, Asa Norte. Mais informações estão disponíveis em https://www.instagram.com/teatrobrasiliashopping/.

Compartilhar: