Saúde

Sepse: especialista explica sinais de alerta e quando buscar atendimento

Médica do HU-UFS/HU Brasil explica que prevenção e reconhecimento precoce são decisivos para salvar vidas.

Equipe Corrivus
Publicado em 18/09/2026, às 13h39

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Resumo da matéria

A sepse é uma condição grave em que o organismo reage de forma exagerada a uma infecção, comprometendo órgãos e podendo colocar a vida em risco. Diferente do que se pensa, não exige infecção generalizada ou presença de bactéria no sangue: uma infecção localizada, como pneumonia ou infecção urinária, pode desencadear o quadro. A médica infectologista Karina Ramalho, do HU-UFS/HU Brasil, esclarece que qualquer pessoa pode desenvolver sepse, embora idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas, imunossupressão ou que passaram por cirurgias recentes tenham maior risco. A febre, isoladamente, não é suficiente para indicar sepse, e sua ausência não deve ser interpretada como sinal de que não existe risco. A prevenção envolve vacinação, higiene das mãos, prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde, uso adequado de dispositivos invasivos, diagnóstico e tratamento oportunos e uso responsável de antimicrobianos. O reconhecimento precoce é crucial, e as taxas de sobrevivência estão diretamente ligadas à identificação precoce e ao início rápido do tratamento. A Anvisa incorporou a prevenção de IRAS e o enfrentamento da resistência aos antimicrobianos como prioridades do programa nacional 2026–2030.

Sepse: especialista explica sinais de alerta e quando buscar atendimento

Sepse pode surgir a partir de diferentes tipos de infecção e exige reconhecimento precoce dos sinais de alerta e atendimento rápido. Crédito: Magnific

A sepse pode surgir a partir de praticamente qualquer infecção, incluindo pneumonia, infecção urinária, infecções do abdome, da pele e meningite. O quadro ocorre quando a resposta do organismo à infecção é exagerada e passa a ameaçar a vida, provocando disfunção de vários órgãos. Não é apenas o microrganismo que causa o dano: a resposta desregulada do próprio organismo tentando combatê-lo também contribui para o comprometimento.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 400 mil adultos e 42 mil crianças desenvolvem sepse por ano no Brasil. Idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas, câncer ou baixa imunidade e aqueles que passaram recentemente por cirurgias ou internações apresentam maior risco. No entanto, idade avançada, imunossupressão e doenças crônicas aumentam o risco, mas não são pré-requisitos para desenvolver sepse. Qualquer pessoa pode ser afetada.

A médica infectologista e especialista em Medicina Intensiva Karina Ramalho, que atua em Controle de Infecções, Vigilância Epidemiológica e Segurança do Paciente no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), explica que a sepse não exige que a infecção esteja espalhada pelo corpo ou que haja bactéria circulando no sangue. Uma infecção localizada, por exemplo, no pulmão, no trato urinário ou no abdome, pode desencadear resposta sistêmica desregulada capaz de comprometer órgãos à distância. O termo “infecção generalizada” é expressão popular, mas não traduz corretamente o que acontece na sepse.

A sepse pode começar em qualquer lugar: em casa, no pronto atendimento ou dentro de um hospital. No ambiente hospitalar, há um cenário adicional de infecções relacionadas à assistência à saúde, que podem ser prevenidas por medidas de segurança e controle de infecção. A Anvisa incorporou a prevenção das IRAS e o enfrentamento da resistência aos antimicrobianos como prioridades do programa nacional 2026–2030.

Karina Ramalho destaca que, na sepse, cada minuto conta. O reconhecimento precoce, com instituição precoce das medidas mundialmente estudadas e aceitas como essenciais para o tratamento, salva vidas. Nas fases iniciais, algumas alterações podem ser sutis e só identificadas durante o exame clínico ou por meio de exames laboratoriais. A febre, isoladamente, não é suficiente para indicar sepse, e a ausência de febre não deve ser interpretada como ausência de risco. Alterações que merecem atenção incluem febre persistente ou que retorna depois de um período de melhora, calafrios, piora do estado geral ou prostração, confusão, sonolência, falta de ar, aumento da frequência respiratória ou cardíaca, queda da pressão, redução do volume de urina e alterações na coloração da pele.

“Não devemos perguntar apenas ‘quem é o paciente de risco?’, mas ‘diante dessa infecção, esse paciente está começando a apresentar disfunção de algum órgão?’”, orienta a especialista. A avaliação médica é necessária mesmo quando os sinais ainda parecem discretos.

A prevenção da sepse começa com vacinação, higiene das mãos, prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde, uso adequado de dispositivos invasivos, diagnóstico e tratamento oportunos das infecções e uso responsável dos antimicrobianos. É preciso atuar em duas frentes: impedir que as infecções aconteçam quando são evitáveis e reconhecer rapidamente quando uma infecção começa a ameaçar a vida. A atuação de Karina Ramalho está na interseção entre cuidar do paciente que já está doente e trabalhar para que outros pacientes não adoeçam por causas evitáveis.

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