Henrique Detomi estreia individual em São Paulo com obras sobre paisagem e mineração
Mostra reúne séries produzidas com carvão, óleo, cimento e pedra, com curadoria de Allan Yzumizawa.
Resumo da matéria
Henrique Detomi, nascido em Belo Horizonte e criado em Lagoa Santa, apresenta a individual 'No corpo e na paisagem, o que resta é o pó' em São Paulo, com curadoria de Allan Yzumizawa. A mostra reúne séries como 'Vertigem', iniciada em 2020, e 'Extravio ou do Ouro ao Pó', de 2025, que usam materiais como carvão, cimento e pedra. Obras como 'A Falta do Céu' (2024) e 'Imerso até os Olhos, Escuto o Silêncio da Terra' (2025) exploram a ausência e a matéria, convidando o público a refletir sobre o território.
Obras de Henrique Detomi investigam relações entre paisagem, matéria, ausência e transformação do território. Crédito: Divulgação/Henrique Detomi
A exposição No corpo e na paisagem, o que resta é o pó, primeira individual de Henrique Detomi em São Paulo, reúne trabalhos que partem da caminhada como gesto inicial. A curadoria é de Allan Yzumizawa.
Nascido em Belo Horizonte e criado em Lagoa Santa, no interior de Minas Gerais, o artista percorre a paisagem para conhecê-la, e é dessa experiência a pé que nascem as obras apresentadas.
Na série Vertigem, iniciada em 2020, a cavidade da terra aparece desenhada em carvão sobre papel e, em grande formato, em bastão de óleo sobre tecido. O buraco surge solto sobre a superfície lisa do suporte, marcado apenas pela sombra da profundidade. Dessa suspensão nasce a instabilidade da vertigem, a sensação de quem se mantém na borda de uma profundidade que não se deixa apreender por inteiro.
Em Extravio ou do Ouro ao Pó, de 2025, o cimento e a pedra se tornam suporte da pintura, preparados com gesso acrílico transparente. Diante de um estado marcado pela mineração, Detomi pinta o terreno e procura compreender o que a extração faz com a terra. A montanha passa a carregar na superfície a marca daquilo que foi retirado do solo, e o ouro termina em pó, resíduo que o título da exposição recolhe.
Na pintura, o vazio se torna assunto. Em Minutos Antes do Fim, são usadas máscaras adesivas que, retiradas ao final, deixam parte da tela sem tinta. Os recortes ora têm a forma da montanha, ora se fecham no ângulo reto de um muro, e instalam na paisagem a percepção de que algo ali não está mais inteiro. Em A Falta do Céu, de 2024, a paisagem aparece sem o céu, sobre um suporte inteiramente branco. Essa recusa a pintar o alto da imagem faz ver a perda da própria paisagem. A falta que Detomi pinta é a do território esvaziado pela extração, e também a nossa, a sensação de que alguma coisa se perde.
Em Imerso até os Olhos, Escuto o Silêncio da Terra, de 2025, a convivência com grutas conduz o artista a superfícies de tinta espessa, quase geológicas. A pintura se aproxima da matéria da rocha e pede um olhar que também é tato: ver a obra é percorrer a sua textura.
Da montanha extraída ao silêncio da caverna, a exposição acompanha um mesmo movimento. A paisagem se faz registro do que acontece com a terra, e cada trabalho guarda a memória de um percurso feito pelo corpo. O que resta desse trajeto é o pó, aquilo que sobra da montanha e também de quem a percorreu. Diante das obras, o público é convidado a se deter sobre uma ausência e a considerar o futuro do território que elas carregam.
O texto crítico de Allan Yzumizawa pode ser baixado em PDF (https://www.zippergaleria.com.br/usr/library/documents/main/exhibitions/249/pt-texto-no-corpo-e-na-paisagem-o-que-resta-e-o-po-henrique-detomi.pdf).
Serviço
Exposição: No corpo e na paisagem, o que resta é o pó
Artista: Henrique Detomi
Curadoria: Allan Yzumizawa
Local: Zipper Galeria
Endereço: Rua Estados Unidos, 1494, Jardim América, São Paulo (SP), CEP 01427-001
Horário: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h
E-mail: zipper@zippergaleria.com.br
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