Saúde

Batata frita pode causar câncer? Entenda o risco da acrilamida

Especialistas explicam a relação entre batata frita, acrilamida e risco aumentado de câncer ao longo do tempo.

Equipe Corrivus
Publicado em 01/06/2026, às 00h23

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Resumo da matéria

O consumo de batata frita levanta dúvidas sobre sua relação com o câncer. Especialistas explicam que a preocupação não está no alimento em si, mas na formação da acrilamida durante o preparo em altas temperaturas, além dos impactos de uma dieta desequilibrada e consumo frequente.

Batata frita pode causar câncer? Entenda o risco da acrilamida

Acrilamida pode se formar em alimentos ricos em amido preparados em altas temperaturas. Crédito: Divulgação/Freepik

A batata frita está entre os petiscos mais consumidos globalmente, mas também é cercada de questionamentos sobre possíveis impactos à saúde, especialmente em relação ao câncer.

De acordo com o chefe de oncologia da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Raphael Brandão, a principal preocupação não está na batata em si, mas em uma substância chamada acrilamida, que pode surgir durante o preparo.

Essa substância é formada a partir da chamada reação de Maillard, que ocorre quando alimentos ricos em amido são submetidos a temperaturas superiores a 120ºC. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classifica a acrilamida como um provável carcinógeno humano, do Grupo 2A.

Segundo o especialista, estudos em humanos ainda são complexos, mas pesquisas em animais indicam que a substância pode causar danos ao DNA. O risco é considerado cumulativo e depende da frequência e da quantidade de exposição ao longo da vida.

Do ponto de vista nutricional, o consumo frequente de batatas fritas, especialmente ultraprocessadas e vendidas em redes de fast-food, vai além da questão da acrilamida.

O excesso de calorias, sódio e gorduras, aliado a uma alimentação desequilibrada, pode favorecer o ganho de peso e alterações metabólicas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a obesidade está associada ao aumento do risco para diferentes tipos de câncer e outras doenças crônicas.

A nutricionista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Ana Paula Leal da Costa, reforça que nenhum alimento isolado determina o desenvolvimento do câncer. O problema está no consumo frequente e excessivo dentro de uma rotina alimentar desequilibrada.

Ela explica que, quando consumidas em excesso, as batatas fritas podem contribuir para processos inflamatórios, aumento da ingestão calórica e prejuízos metabólicos.

A nutricionista também alerta que fatores como tipo de óleo utilizado, reutilização da gordura e escurecimento excessivo durante o preparo podem aumentar a formação de compostos potencialmente prejudiciais.

Entre as orientações para um consumo mais seguro, estão preferir batatas com coloração amarelo-dourada, evitar partes queimadas e deixar o alimento de molho antes do preparo para reduzir açúcares livres.

Também é recomendado armazenar corretamente as batatas cruas, evitando a geladeira, e optar por métodos como forno ou air fryer, desde que sem excesso de escurecimento.

Mesmo assim, o consumo ocasional, dentro de uma alimentação equilibrada, não é considerado um problema pelos especialistas.

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