ITA reserva vagas para indígenas e quilombolas no vestibular 2027
Coordenador do Poliedro afirma que reserva de vagas amplia acesso sem reduzir a exigência da prova.
Resumo da matéria
O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) promoveu mudanças no processo seletivo para 2027, incluindo a reserva de 6 vagas para indígenas e 4 para quilombolas, além de 50 para pretos e pardos e 140 de ampla concorrência. Em 2025, a Lei nº 15.142/2025 substituiu a Lei nº 12.990/2014 e passou a reservar 30% das vagas em concursos públicos e processos seletivos simplificados da administração pública federal para pessoas pretas e pardas, indígenas e quilombolas. O Poliedro ampliou sua política de bolsas para candidatos indígenas e quilombolas interessados em se preparar para o vestibular do ITA. José Lima, estudante indígena potiguara de 21 anos, conta com bolsa de alojamento do Poliedro para estudar em São José dos Campos e pretende cursar Engenharia Aeroespacial. André Giancarlo, de 17 anos e de origem quilombola, também se prepara para o vestibular.
Vestibular do ITA para 2027 passa a reservar seis vagas para indígenas e quatro para quilombolas. Crédito: Poliedro
O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) promoveu mudanças no processo seletivo para 2027, que passou a reservar vagas para candidatos indígenas e quilombolas. O número total de oportunidades foi ampliado de 180 para 200. Em 2026, a distribuição era de 144 vagas de ampla concorrência e 36 para pretos e pardos. Para 2027, a nova distribuição é de 140 vagas de ampla concorrência, 50 para pretos e pardos, 6 para indígenas e 4 para quilombolas.
Em 2025, a Lei nº 15.142/2025 substituiu a Lei nº 12.990/2014 e passou a reservar 30% das vagas em concursos públicos e processos seletivos simplificados da administração pública federal para pessoas pretas e pardas, indígenas e quilombolas. Robson Jr., coordenador pedagógico da Turma ITA do Poliedro, explica que o ITA mantém índices mínimos por disciplina que valem para todos os candidatos e que um dos grandes desafios do vestibular é alcançá-los. Ele também avalia que a reserva de vagas amplia o acesso, mas não reduz a exigência da prova, e que a preparação específica continua sendo fundamental.
José Lima, estudante indígena potiguara de 21 anos, nasceu em João Pessoa (PB) e foi criado nas aldeias potiguara Caieira e Jacaré de César, que ficam no município de Marcação (PB), onde vive atualmente. Ele começou a estudar no Curso Poliedro neste ano e conta com bolsa de alojamento oferecida pelo Poliedro para estudar em São José dos Campos. José pretende cursar Engenharia Aeroespacial. Em seu relato, ele destaca que aldeias e quilombos geralmente se encontram em locais afastados e que os acessos à educação, comunicação e formação não são os mesmos da cidade grande. Para ele, o ITA e outras faculdades de prestígio distantes pareciam um sonho muito distante, mas anos de preparação os deixaram mais palpáveis e as cotas trazem esse sonho mais para perto. O estudante também opina que a nova lei de cotas é uma lupa que pode ajudar a enxergar sonhos antes distantes.
André Giancarlo, estudante de origem quilombola de 17 anos, tem origem familiar no povoado Ladeiras, em Japoatã (SE), onde está localizado o quilombo com o qual sua família mantém vínculos. Seus pais se mudaram para Aracaju em busca de melhores oportunidades educacionais, e André cursou parte do ensino fundamental e médio na capital sergipana. Atualmente, ele está no Colégio Poliedro São José dos Campos, onde conclui o ensino médio e se prepara para o vestibular do ITA. André conta que, no povoado Ladeiras, ainda não há muitos jovens que conseguem alcançar o nível superior de formação, pois as condições são precárias, e que, depois da política de cotas nas universidades públicas, surgiram alguns aprovados. Ele também relata que ainda são poucos os jovens da região que conseguem chegar ao ensino superior.
O Poliedro ampliou sua política de bolsas para candidatos indígenas e quilombolas interessados em se preparar para o vestibular do ITA.