Saúde

Isolamento e irritabilidade frequente podem indicar depressão em crianças e adolescentes

Diante de alterações, a recomendação é acolher e ouvir sem julgamentos; o diagnóstico deve ser feito por profissionais qualificados.

Equipe Corrivus
Publicado em 15/10/2026, às 09h47

Compartilhar:
Resumo da matéria

Irritabilidade frequente, isolamento, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades antes prazerosas podem indicar depressão em crianças e adolescentes, alerta Fabrício Otoboni, professor do curso de Psicologia da Wyden. Ele ressalta que nem toda mudança de comportamento indica depressão: é necessário observar diferenças em relação ao comportamento habitual, duração e impactos na vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima depressão em 1,3% dos adolescentes entre 10 e 14 anos e em 3,4% daqueles entre 15 e 19 anos.

O médico pediatra Rafael Costa, professor de Medicina do IDOMED (Instituto de Educação Médica), chama atenção para dores de cabeça e de barriga recorrentes e alterações no sono e no apetite, que podem estar ligadas ao sofrimento emocional. Queixas persistentes devem ser investigadas para identificar possíveis causas orgânicas e fatores psicológicos.

O diagnóstico cabe a profissionais qualificados, considerando sintomas, desenvolvimento e contexto de vida. Entre os critérios de avaliação de um possível quadro depressivo estão sintomas como humor deprimido ou perda de interesse por pelo menos duas semanas, com prejuízos na rotina. Os responsáveis, porém, não precisam aguardar esse período para buscar orientação. Automutilação, pensamentos suicidas ou outros comportamentos de risco exigem atendimento imediato.

Família e escola podem perceber alterações que crianças e adolescentes não verbalizam. A recomendação é acolher, ouvir sem julgamentos e não minimizar o sofrimento. O tratamento pode envolver acompanhamento psicológico e, conforme avaliação clínica, atendimento psiquiátrico.

Isolamento e irritabilidade frequente podem indicar depressão em crianças e adolescentes

Mudanças persistentes de comportamento e prejuízos na rotina merecem atenção de pais e educadores. Crédito: Freepik

Irritabilidade frequente, isolamento, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades antes prazerosas podem indicar depressão em crianças e adolescentes, alerta Fabrício Otoboni, professor do curso de Psicologia da Wyden. Mudanças desse tipo nem sempre são facilmente reconhecidas por familiares e educadores e podem ser confundidas com comportamentos próprios da idade.

Neste mês de outubro, período de atenção também à infância, o alerta é para a observação do sofrimento emocional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão atinja 1,3% dos adolescentes entre 10 e 14 anos e 3,4% daqueles entre 15 e 19 anos.

Otoboni explica que nem toda mudança de comportamento indica depressão. É preciso observar as diferenças em relação ao comportamento habitual da criança ou do adolescente, a duração das alterações e seus impactos na vida cotidiana. Segundo o professor, o sofrimento emocional pode aparecer no comportamento antes de ser expresso em palavras.

Nas crianças menores, a depressão pode provocar crises de choro, alterações no sono e no apetite, desinteresse por brincadeiras e queixas físicas recorrentes, como dores de cabeça ou de barriga. Na adolescência, sentimentos de vazio, baixa autoestima, desânimo e afastamento do convívio social podem se tornar mais evidentes.

O médico pediatra Rafael Costa, professor de Medicina do IDOMED, chama a atenção para sintomas físicos que nem sempre são associados a questões emocionais. Ele explica que dores de cabeça e de barriga recorrentes, assim como alterações no sono e no apetite, podem estar ligadas ao sofrimento emocional. Por isso, queixas persistentes devem ser investigadas para identificar possíveis causas orgânicas e fatores psicológicos.

Segundo Costa, o acompanhamento pediátrico permite avaliar esses sinais, observar o desenvolvimento da criança e encaminhá-la para avaliação especializada quando necessário.

A família e a escola têm papel na identificação do problema. Como acompanham boa parte do cotidiano de crianças e adolescentes, pais e educadores podem perceber alterações que ainda não foram verbalizadas. Diante desses sinais, a recomendação é acolher, ouvir sem julgamentos e não minimizar o sofrimento, atribuindo-o à idade ou a uma fase.

Otoboni ressalta que crianças nem sempre conseguem explicar o que sentem, enquanto adolescentes podem ter dificuldade ou receio de compartilhar emoções. Para o professor, é fundamental criar um ambiente seguro para que possam conversar e buscar ajuda sem medo de críticas ou cobranças.

O diagnóstico deve ser feito por profissionais qualificados, considerando os sintomas, o desenvolvimento e o contexto de vida de cada paciente. Entre os critérios para avaliar um possível quadro depressivo está a persistência de sintomas, como humor deprimido ou perda de interesse, por pelo menos duas semanas, acompanhada de prejuízos na rotina. Os responsáveis, porém, não precisam esperar esse período para procurar orientação. Situações que envolvam automutilação, pensamentos suicidas ou outros comportamentos de risco exigem atendimento imediato.

O tratamento pode envolver acompanhamento psicológico e, conforme a avaliação clínica, atendimento psiquiátrico. A identificação precoce e o suporte adequado ajudam a reduzir os impactos da depressão na aprendizagem, nas relações sociais e na qualidade de vida.

Sono adequado, atividades físicas, convivência com amigos e familiares e tempo de lazer contribuem para o bem-estar emocional. O uso excessivo de telas também merece atenção, principalmente quando interfere no descanso e nas relações sociais.

Compartilhar: