1º Workshop de Economia Azul de Santa Catarina será em 20 e 21 de outubro
Evento no Hotel Jurerê Beach Village pretende construir a base para uma política estadual de estímulo à Economia Azul.
Resumo da matéria
A Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae) realizará o 1º Workshop de Economia Azul de Santa Catarina em 20 e 21 de outubro, no Hotel Jurerê Beach Village. A iniciativa pretende estabelecer bases para uma política estadual de estímulo à Economia Azul. As discussões abordarão critérios de sustentabilidade, lacunas regulatórias e a definição do conceito de Economia Azul.
Workshop reunirá especialistas e representantes dos cinco setores da Economia do Mar em Santa Catarina. Crédito: Thiago Kauê/Secom GOVSC
Santa Catarina realizará o 1º Workshop de Economia Azul nos dias 20 e 21 de outubro, no Hotel Jurerê Beach Village, para discutir as bases de uma política estadual de estímulo ao setor. Com o tema Diálogos estratégicos para a política estadual, o encontro pretende inaugurar um diálogo multissetorial estruturado e definir caminhos para conciliar desenvolvimento econômico, planejamento costeiro e conservação dos recursos naturais.
A realização é da Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), por meio da Diretoria de Recursos Hídricos, Economia Verde e Qualidade Ambiental. A Gerência de Integração e Planejamento Ambiental (Geipa) coordena a iniciativa dentro da pasta. O workshop reunirá especialistas e representantes de entidades ligadas à Economia Azul, ao planejamento costeiro e à sustentabilidade, além de representantes dos cinco setores da Economia do Mar catarinense: pesca industrial e artesanal, portos, maricultura, indústria náutica e turismo.
As discussões buscarão identificar práticas existentes, reconhecer desafios e construir critérios para avaliar a sustentabilidade das atividades relacionadas ao mar. Também estarão em pauta lacunas regulatórias e a definição do conceito de Economia Azul. Assim como na Economia Verde, a proposta prevê parâmetros para distinguir quais atividades atendem aos princípios da sustentabilidade.
O secretário do Meio Ambiente e da Economia Verde, Guilherme Dallacosta, explica que os setores em que Santa Catarina se destaca são atualmente caracterizados como Economia do Mar. A expectativa, segundo ele, é criar a partir do evento um grupo que trabalhe conceitos e critérios para permitir a transformação de toda a Economia do Mar catarinense em Economia Azul.
A agenda relaciona o mar ao desenvolvimento, à inovação, à geração de empregos, à atração de investimentos, à segurança alimentar, à logística, ao turismo, à tecnologia e ao uso sustentável dos recursos naturais. Entre os desafios estão fortalecer a integração setorial, aprimorar o planejamento e a gestão costeira e estabelecer critérios que favoreçam tanto a conservação dos ecossistemas marinhos quanto a competitividade econômica.
A dimensão econômica aparece nos números do estado: a Economia do Mar reúne 240 mil trabalhadores formais, mais de 23,5 mil estabelecimentos e massa salarial mensal de R$ 1,158 bilhão. Cerca de 75,4% da população catarinense vive a até 150 quilômetros do litoral. Na costa, portos, pesca, aquicultura, turismo, indústria náutica, expansão urbana, conservação ambiental e serviços estratégicos dividem espaço, com interesses sobrepostos e disputas crescentes pelo uso do território.
Santa Catarina possui o maior polo de processamento de pescado do país e ocupa a primeira posição nacional em empregos formais na pesca e no processamento de pescado. O estado concentra 45% dos empregos formais da pesca no Brasil e mais de 50% do faturamento industrial nacional do setor de pescado. São mais de 450 embarcações vinculadas ao principal polo pesqueiro industrial, aproximadamente 300 armadores e mais de 40 indústrias associadas. A região de Itajaí responde por cerca de 80% do peixe enlatado consumido no mercado interno.
Na maricultura, o estado responde por 97% da produção brasileira de moluscos. No recorte de ostras, vieiras e mexilhões, a participação é de cerca de 93%. Já a indústria náutica reúne aproximadamente mil empresas, concentra aproximadamente 70% da produção nacional de barcos a motor e 74% da produção brasileira de embarcações de esporte e lazer destinada à exportação.
Os terminais catarinenses movimentaram 19,1% dos contêineres do país em 2025, totalizando 2,93 milhões de TEUs e 65,7 milhões de toneladas. No turismo, a expectativa para a temporada 2024/2025 era de 3,1 milhões de visitantes em Santa Catarina. Um levantamento sobre o setor de cruzeiros registra 121 escalas, 30 navios e 427 mil leitos ofertados.
Para Gabriela Brasil, diretora de Recursos Hídricos, Economia Verde e Qualidade Ambiental da Semae, a continuidade das atividades econômicas está diretamente ligada à conservação ambiental. Ela explica que a qualidade das praias e a preservação dos ecossistemas são fundamentais para o turismo costeiro e avalia que o desenvolvimento da Economia Azul depende de práticas sustentáveis que mantenham o ambiente marinho saudável.
A diretora também ressalta a importância econômica e ambiental do oceano e a contribuição dos ecossistemas marinhos para a captura de carbono. Na avaliação dela, a Década do Oceano amplia a atenção internacional a esses ambientes e torna a discussão mais relevante.
A programação de terça-feira, 20 de outubro, começará com credenciamento e café de boas-vindas, das 8h30 às 9h, seguidos da mesa de abertura com a SEMAE, das 9h às 9h20. Das 9h20 às 9h50, Marinez Eymael Garcia Scherer, Enviada Especial de Oceanos para COP30 e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentará a palestra O que o mundo debate e como SC pode se posicionar agora.
Das 10h às 11h30, o Painel Direto ao Ponto I discutirá instrumentos para começar a transição azul em SC. Participarão Pietro Calderine Aruto, gerente de Planejamento de Longo Prazo da Diretoria de Inteligência Socioeconômica da SEPLAN/SC; Juliana Mello Ferreira, consultora estratégica do SEBRAE e integrante do GT Economia Azul; o professor doutor Marcus Polette, da Univali e do Laboratório de Conservação, Gestão e Governança Costeira; e Leana Bernardi, do Instituto Ambientes em Rede, ligada ao Programa Bandeira Azul e ao Selo Green Key. Haverá debate das 11h30 às 12h e almoço das 12h às 13h30.
À tarde, das 13h30 às 14h, o professor doutor Thauan Santos abordará o tema Da Economia do Mar à Economia Azul – critérios, limites e zonas cinzentas. Ele integra o Programa de Pós-Graduação em Estudos do Mar da Escola de Guerra Naval/RJ e lidera o Grupo Economia do Mar (GEM). Das 14h às 16h, os GTs discutirão critérios de Economia Azul. Após o coffee break e a socialização, das 16h às 16h30, o dia terminará com uma síntese sobre critérios, tensões e zonas cinzentas, das 16h30 às 18h.
Na quarta-feira, 21 de outubro, haverá café de boas-vindas das 8h30 às 9h. Em seguida, das 9h às 9h30, Andréa Carvalho, da FURG e referência nacional nos estudos sobre o PIB do Mar e a Economia Azul, apresentará a palestra A Economia Azul – do PIB do Mar ao planejamento.
Das 9h30 às 11h, o Painel Direto ao Ponto II tratará do que os cinco setores motores do mar de SC têm a dizer sobre a Economia Azul. A pesca industrial será representada pelo SINDIPI, e a artesanal, por Erivaldo Saturnino Ribeiro. Também participarão Rodrigo de Araujo Cid Santa Rita, representante do setor portuário/Portonave; Fábio Brognoli, vice-presidente da Federação das Empresas de Aquicultura (FEAQ), pela maricultura; um representante da ACATMAR, pela náutica; e José Roberto Mateus Junior, CEO do Grupo Habitasul, pelo turismo.
A instituição do GT Multissetorial de Incentivo à Economia Azul está prevista para as 11h às 12h. O encerramento e a apresentação dos próximos passos ocorrerão das 12h às 12h30. Todas as atividades da programação serão realizadas no Hotel Jurerê Beach Village.