Bento Gonçalves recebe Janelas do Passado – Memórias em Vidro até 28 de outubro
Com entrada gratuita no Museu do Imigrante, a exposição apresenta 100 fotografias restauradas e digitalizadas do acervo de Olivo Ghiggi.
Resumo da matéria
O Museu do Imigrante, em Bento Gonçalves, recebe até 28 de outubro de 2026 a exposição gratuita Janelas do Passado – Memórias em Vidro. Desenvolvida por Kleber Ghiggi, a iniciativa apresenta 100 fotografias restauradas e digitalizadas do acervo de seu tio, Olivo Ghiggi. Produzidas entre 1928 e 1948, as imagens documentam costumes, celebrações e o cotidiano de localidades da Serra Gaúcha.
Exposição reúne 100 fotografias restauradas e digitalizadas do acervo de Olivo Ghiggi no Museu do Imigrante. Crédito: Secom Bento Gonçalves
O Museu do Imigrante, em Bento Gonçalves, recebe até 28 de outubro de 2026 a exposição Janelas do Passado – Memórias em Vidro, de Kleber Ghiggi. Com entrada gratuita, a mostra apresenta 100 fotografias históricas restauradas e digitalizadas do acervo de Olivo Ghiggi, produzidas entre 1928 e 1948 em localidades da Serra Gaúcha.
As imagens documentam famílias, vestimentas, costumes, relações sociais, celebrações religiosas, festas comunitárias e o cotidiano da primeira metade do século XX. Recuperadas de negativos em placas de vidro guardados em um casarão da família, em Fagundes Varela, elas constituem uma fonte documental sobre modos de vida, tradições e transformações das famílias da região de colonização italiana, além de seu valor artístico.
A iniciativa é desenvolvida pelo fotógrafo bento-gonçalvense Kleber Ghiggi, sobrinho de Olivo. O projeto busca preservar digitalmente esse patrimônio produzido há quase um século, diante do risco de deterioração dos negativos originais, e ampliar o acesso público aos registros. As 100 fotografias restauradas e digitalizadas correspondem à primeira etapa do trabalho.
Olivo Ghiggi, já falecido, começou a trajetória profissional em 1928, aos 16 anos. Durante duas décadas, trabalhou de forma itinerante, percorrendo comunidades a cavalo e de carroça, com cenários e uma câmera fotográfica de grande formato. Registrava festas religiosas, quermesses, carnavais, celebrações familiares e acontecimentos comunitários em diferentes localidades da Serra Gaúcha.
Kleber visitava o casarão na infância e recorda que o material ficava em um quarto ao qual as crianças não tinham acesso. Seu interesse pela obra do tio ganhou força no início da década de 1990, quando passou a trabalhar com revelação fotográfica em Bento Gonçalves. A ideia de recuperar o acervo amadureceu ao longo dos anos e se concretizou em 2026, com a aprovação do projeto pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC).
O projeto foi contemplado com R$ 40 mil no Edital 01/2025 – Segmentos Culturais em Ação, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. A iniciativa foi viabilizada conforme o Convênio nº 350/2025, na categoria Expressões Livres de Fomento à Criação Artística nos Segmentos Culturais – Patrimônio Cultural e Memória.
Segundo Kleber, a digitalização de cada negativo revela roupas, objetos, costumes da época e aspectos estéticos das fotografias. O fotógrafo se declara feliz por recuperar o tempo registrado pelo tio e explica que a mostra homenageia Olivo por documentar cenas cotidianas que devem ser lembradas, com personagens ligados às raízes e à cultura da comunidade.
Na avaliação de Kleber, o trabalho também permite compreender as transformações da fotografia. Ele considera que a tecnologia atual torna difícil imaginar os processos antigos e que o resgate amplia o conhecimento sobre esse universo.
O secretário municipal de Cultura, Evandro Soares, explica que o Fundo Municipal de Cultura também tem o papel de preservar a memória e mantê-la acessível às próximas gerações. Para ele, a recuperação do acervo evidencia a importância das políticas públicas de preservação da memória. Soares avalia que o trabalho de Kleber permite conhecer pessoas, costumes e momentos da formação da região, além de compreender transformações sociais, econômicas e culturais.
O arquivo digital passará a integrar o acervo do Museu do Imigrante. Já os negativos originais permanecerão no casarão da família, em Fagundes Varela, imóvel que deverá passar por reformas.
Após o período de visitação no museu, a exposição deverá circular por outros espaços culturais do município, incluindo a Praça CEU, o Ponto de Cultura e Memória Vale dos Vinhedos e o Centro Cultural Tuiuty. A circulação prevista busca ampliar o acesso da população ao acervo.
A visitação no Museu do Imigrante ocorre de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h, e aos sábados, das 9h às 15h. O endereço é Rua Herny Hugo Dreher, 127, bairro Planalto, em Bento Gonçalves.