Queijeira de São Pedro, no RN, conquista registro estadual e Selo Feito Potiguar
Micarla Fernandes recebeu o registro estadual da queijeira e o Selo Feito Potiguar; a regularização dos produtos ainda é uma nova etapa.
Resumo da matéria
A mestra queijeira Micarla Fernandes recebeu o registro estadual de seu estabelecimento e o Selo Feito Potiguar na sexta-feira (9), primeiro dia da 64ª Festa do Boi. Concedido pelo Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN (Idiarn), o registro abrange a área de produção da queijeira; a regularização dos produtos ainda constitui uma nova etapa. Micarla conduz a Fazenda Lima, em São Pedro, ao lado do marido, Rassio Henrique, e processa cerca de 80 litros de leite por dia para fabricar queijos. Ela é a criadora do queijo maturado no café Jaçanã, que conquistou o título de Superouro no Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados de 2025. Segundo estimativas da Empreleite, o Rio Grande do Norte tem mais de 300 queijeiras em atividade, das quais 62 são legalizadas. Entre as legalizadas, 15 possuem registro específico para produção artesanal.
O registro estadual concedido pelo Idiarn à queijeira de Micarla Fernandes abrange a área de produção do estabelecimento. Crédito: Divulgação
A mestra queijeira Micarla Fernandes recebeu, na sexta-feira (9), primeiro dia da 64ª Festa do Boi, o registro estadual de seu estabelecimento queijeiro e o Selo Feito Potiguar. Concedido pelo Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN (Idiarn), o registro abrange a área de produção da queijeira. A regularização dos produtos é a próxima etapa do trabalho.
Associada à Associação dos Empreendedores de Leite (Empreleite), Micarla conduz a Fazenda Lima, em São Pedro, ao lado do marido, Rassio Henrique. Ela já havia obtido o certificado de propriedade livre de brucelose e tuberculose, que atesta as condições sanitárias do rebanho.
Micarla investe na fabricação de queijos artesanais há cinco anos. A atividade começou para agregar valor à produção de leite da família, conduzida pelo pai, João da Silva. Hoje, ela processa cerca de 80 litros de leite por dia para fabricar queijos e ampliou a variedade de produtos ao longo dos anos.
Entre as criações está o queijo maturado no café Jaçanã, que conquistou o título de Superouro no Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados de 2025. A produção inclui queijos maturados no café e no vinho, além de outras variedades com períodos de maturação de 60 a 180 dias. Queijo de coalho, ricota e manteiga da terra também fazem parte do portfólio.
Para Micarla, a iniciativa combina tradição e inovação. Ela relata que, desde o início da produção, há cinco anos, os envolvidos buscaram conhecimento e adquiriram maturidade de negócio. A mestra queijeira considera o registro do estabelecimento uma nova etapa na regularização e o resultado de anos de trabalho.
Na avaliação dela, a conquista demonstra que é possível produzir de forma artesanal com seriedade, qualidade e segurança alimentar. Micarla reconhece, porém, que ainda há etapas a cumprir para regularizar os produtos e aprimorar a produção.
A Fazenda Lima também recebeu, na Festa do Boi, o Selo Feito Potiguar. A iniciativa do Sebrae/RN identifica produtos elaborados por empresas registradas no Rio Grande do Norte, com matéria-prima potiguar ou fabricação integral no estado. O selo busca valorizar a produção local e facilitar o reconhecimento da origem dos produtos pelo consumidor.
A regularização das queijeiras artesanais é uma das principais pautas da Empreleite, fundada em 2022 com apoio do Sebrae/RN. Segundo estimativas da associação, o Rio Grande do Norte tem mais de 300 queijeiras em atividade, das quais 62 são legalizadas: 61 pelo sistema estadual de inspeção e uma pelo municipal.
Entre as queijeiras legalizadas, 15 possuem registro específico para produção artesanal, sendo 14 no âmbito estadual e uma no municipal, também conforme estimativas da Empreleite. A associação defende a criação e o fortalecimento dos serviços de inspeção municipais para ampliar o acesso dos pequenos produtores à regularização.
O presidente da Empreleite, Marinho de Sousa, avalia que os números de regularização contrastam com a importância da atividade artesanal no estado e evidenciam o desafio de ampliar a formalização do setor. Ele aponta a Fazenda Lima como exemplo de conquista individual com significado coletivo para quem trabalha com queijo artesanal no Rio Grande do Norte.
Segundo Marinho, a regularização oferece segurança a produtores, comerciantes e consumidores. Ele afirma que cumprir as exigências e obter o registro dá à queijeira mais condições de desenvolver a atividade e acessar novos mercados.
Micarla relata que as dificuldades compartilhadas levaram os produtores a unir forças, primeiro no núcleo e depois na associação, para buscar soluções, trocar experiências e avançar na regularização. Para ela, a obtenção do registro por um produtor pode abrir caminho para outros que trabalham pela formalização da produção.
A Empreleite está presente na 64ª Festa do Boi até o próximo dia 17, com uma loja colaborativa na Rua Alecrim, em frente ao Restaurante Targino.