Especialistas explicam como diferenciar crise de ansiedade de infarto
Dor no peito pode ter diferentes causas; especialistas destacam sintomas e a importância de procurar atendimento médico diante de sinais fora do habitual.
Resumo da matéria
Especialistas explicam que ansiedade aguda e infarto podem apresentar sintomas semelhantes, como dor no peito, falta de ar e palpitações. A cardiologista Laísa Allen, do IDOMED, ressalta que o sinal clássico do infarto é dor ou desconforto no peito, que pode irradiar para braço esquerdo, ombros, costas, pescoço ou mandíbula, e que mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem ter sintomas menos típicos. A psicóloga Bianca Lopes, do Wyden, orienta que, após descartada a possibilidade de infarto, estratégias como respiração lenta, permanecer em local seguro e redirecionar a atenção podem minimizar os efeitos da ansiedade. Ambas reforçam a importância de procurar atendimento de urgência quando os sintomas forem fora do habitual e atendimento de emergência imediatamente na suspeita de infarto. Dados da SBC indicam mais de 240 mil mortes por problemas no coração nos primeiros oito meses de 2026, e a OMS aponta o Brasil com a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, atingindo 9,3% da população.
Crise de ansiedade e infarto podem apresentar sintomas semelhantes; especialistas orientam procurar atendimento de urgência diante de sinais intensos ou diferentes do habitual. Crédito: Freepik
Dor no peito nem sempre é sinal de infarto, mas também não deve ser automaticamente atribuída à ansiedade. A cardiologista Laísa Allen, do IDOMED, e a psicóloga Bianca Lopes, do Wyden, explicam como diferenciar os quadros e o que fazer diante dos sintomas.
O sinal mais clássico do infarto é dor ou desconforto no peito, geralmente descrito como pressão, aperto, peso ou queimação, que costuma durar vários minutos e pode irradiar para o braço esquerdo, ombros, costas, pescoço ou mandíbula. No entanto, nem todo infarto se apresenta dessa forma. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem ter sintomas menos típicos, como cansaço intenso, náuseas, falta de ar ou desconforto inespecífico.
Já a crise de ansiedade ou pânico pode produzir sintomas bastante intensos, como dor ou aperto no peito, palpitações, falta de ar, tremores, suor, tontura e sensação de que algo muito ruim está acontecendo. A ansiedade aguda é uma resposta de alerta do organismo diante da percepção de uma ameaça ou de uma situação interpretada como perigosa. Trata-se de um mecanismo de proteção que envolve corpo, pensamentos e emoções. Quando a ativação é muito intensa e surge de maneira abrupta, pode-se estar diante de uma crise de ansiedade ou de um ataque de pânico. Em algumas situações, pode ser difícil diferenciar apenas pelos sintomas.
Por isso, a recomendação é não atribuir dor no peito à ansiedade, especialmente quando ela é diferente do habitual ou quando a pessoa possui fatores de risco cardiovascular. Na suspeita de infarto, o mais importante é procurar atendimento de emergência imediatamente. Não se deve esperar a dor passar nem tentar chegar a um diagnóstico em casa. Quanto mais cedo o paciente for avaliado e, quando necessário, receber tratamento para restabelecer o fluxo de sangue para o coração, maior a quantidade de músculo cardíaco que pode ser preservada e menor o risco de complicações e morte.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estima, por meio do cardiômetro, mais de 240 mil mortes por problemas no coração somente nos primeiros oito meses de 2026. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Brasil tem a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, atingindo 9,3% da população. A ansiedade intensa pode produzir sintomas físicos semelhantes aos de problemas cardíacos porque a ativação do sistema nervoso autônomo prepara o organismo para lidar com uma situação de ameaça.
Após descartada a possibilidade de infarto, há estratégias para minimizar os efeitos da ansiedade. A psicóloga Bianca Lopes orienta reduzir a sensação de ameaça, lembrando que a ansiedade tende a atingir um pico e depois diminuir. Também recomenda respirar de forma lenta e confortável, evitando inspirações muito profundas e rápidas, com o objetivo de diminuir gradualmente o ritmo respiratório. Se houver tontura ou sensação de fraqueza, a pessoa deve sentar-se ou permanecer em local seguro. Outra estratégia é redirecionar a atenção para o ambiente, percebendo objetos, sons, temperaturas e outras informações concretas ao redor.
Depois que a crise passar, é recomendável buscar identificar o que acontecia antes dela surgir, quais pensamentos apareceram e quais situações podem ter contribuído para o aumento da ansiedade. Em casos de crises recorrentes, muito intensas ou que estejam interferindo na vida da pessoa, é importante buscar acompanhamento psicológico e, quando necessário, avaliação médica ou psiquiátrica. Em situações intensas e que gerem mal-estar fora do habitual, sobretudo com dores na região do peito, é imprescindível buscar atendimento de urgência.